
O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (7) a isenção de visto para cidadãos chineses que queiram visitar o Brasil. A medida foi comunicada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante o Salão do Turismo, realizado em Fortaleza, no Ceará, e entra em vigor no próximo dia 11 de maio.
“A China tem 1,3 bilhão de pessoas. O ano passado, mesmo com a exigência do visto, cresceu 35%, com visto. E agora, a partir desta publicação de hoje, dispensa o visto para a China. É a reciprocidade. O brasileiro para ir para a China não tem visto, e o chinês para vir para cá também não tem visto”, afirmou Alckmin.
Reciprocidade e política externa soberana
A decisão é uma resposta direta à política adotada pela China, que desde junho de 2025 dispensa brasileiros de visto para visitar o país. O presidente Lula (PT) já havia sinalizado a contrapartida em janeiro de 2026. A formalização da medida foi publicada em memorando de entendimento no Diário Oficial da União e representa mais um passo na construção de uma parceria estratégica entre os dois países — expressão de uma política externa autônoma e voltada à cooperação Sul-Sul.
O que muda na prática
A partir de 11 de maio, cidadãos chineses portadores de passaporte comum válido, emitido pela República Popular da China, poderão entrar no Brasil sem visto para turismo, negócios, trânsito e realização de atividades artísticas ou esportivas. A estadia permitida é de até 30 dias, não prorrogável. São autorizadas múltiplas entradas, desde que o tempo total no país não ultrapasse 30 dias por ano migratório — período de 12 meses contado a partir da primeira entrada. A isenção não cobre atividades laborais e tem validade até 31 de dezembro de 2026.
Quem pretender ficar por mais tempo ou por finalidades não previstas deverá solicitar visto pelo portal do Visa Center.
Turismo chinês em alta — e com muito espaço para crescer
O Brasil recebeu pouco mais de 100 mil turistas chineses em 2025, número que já representou crescimento de 35% em relação ao ano anterior, mesmo com a exigência de visto. Nos três primeiros meses de 2026, o ritmo se manteve: segundo a Embratur, o número de visitantes da China cresceu 30% em comparação com o primeiro trimestre de 2025.
O impacto do anúncio foi imediato. Segundo dados da plataforma de turismo Qunar, as buscas por passagens da China para o Brasil dispararam mais de 200% meia hora após a divulgação da notícia. As pesquisas por voos para o Rio de Janeiro dobraram em relação à hora anterior; as buscas para Brasília triplicaram. Os destinos mais procurados pelos turistas chineses foram São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. As principais cidades de origem das buscas foram Xangai, Pequim, Hangzhou, Guangzhou e Chengdu.
Perspectiva animadora
Com a chegada das férias de verão na China e o efeito de atração da Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, especialistas do setor de turismo preveem uma nova onda de visitantes asiáticos às Américas — e o Brasil, agora sem a barreira do visto, está bem posicionado para se beneficiar desse fluxo.
Para Yang Han, pesquisador do Instituto de Big Data da Qunar, o Brasil já vinha se consolidando como um dos destinos internacionais de longa distância com crescimento mais acelerado. Durante o feriado do Dia do Trabalho, o país entrou no top 10 dos destinos internacionais mais populares entre os chineses, com reservas para São Paulo crescendo 130% em relação ao ano anterior.
A eliminação da barreira do visto chega em momento estratégico e reforça o compromisso do governo Lula com uma inserção internacional soberana — que abre portas, gera renda e aproxima povos.
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com agências
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