
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta terça-feira (13) sua primeira nota oficial sobre os protestos que tomaram o Irã desde 28 de dezembro de 2025. Em comunicado assinado pelo Itamaraty, o Brasil afirmou acompanhar “com preocupação” a evolução das manifestações em diversas regiões do país persa e lamentou as mortes ocorridas.
“O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas”, diz a nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores.
Apesar da gravidade dos relatos — que incluem centenas de mortos e milhares de presos, segundo a ONU —, o governo brasileiro optou por não atacar diretamente o regime de Teerã, mantendo uma postura diplomática alinhada à defesa da soberania nacional.
Recado indireto a Trump em meio a ameaças de sanções
Sem condenar explicitamente o governo de Teerã, o Palácio do Planalto adotou um tom diplomático e ressaltou o princípio da soberania nacional. “Cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”, diz o texto. Ao mesmo tempo, o Brasil instou “todos os atores” a se engajarem em um diálogo pacífico, substantivo e construtivo — uma mensagem interpretada como recado indireto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que vem sinalizando a possibilidade de ataques ao Irã.
A declaração ganha contornos estratégicos diante das recentes ameaças do presidente norte-americano Donald Trump, que anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que mantêm negócios com o Irã. A medida visa isolar economicamente Teerã, mas atingiria fortemente o Brasil, cujas exportações ao país persa somam quase US$ 3 bilhões, majoritariamente em commodities agrícolas.
A formulação é vista como um recado velado contra qualquer intervenção externa, incluindo possíveis ações militares ou econômicas unilaterais lideradas pelos EUA.
ONU denuncia “horror” com repressão e pede fim da violência

Enquanto o Brasil adota cautela diplomática, a Organização das Nações Unidas (ONU) foi enfática em sua condenação. O Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou estar “horrorizado” com a violência das forças de segurança iranianas contra manifestantes pacíficos.
Segundo a ONU, há relatos de centenas de mortos, incluindo crianças, e milhares de detidos. Hospitais estariam sobrecarregados, e desde 8 de janeiro o país enfrenta um bloqueio nacional da internet, dificultando a verificação independente dos fatos e impedindo acesso a serviços de emergência.
A ONU pediu o fim imediato da repressão, a restauração do acesso à internet e das telecomunicações e a responsabilização por graves violações de direitos humanos. Türk criticou o uso do rótulo de “terroristas” para justificar a violência contra manifestantes pacíficos e alertou para declarações de autoridades judiciais iranianas sobre a possível aplicação da pena de morte em processos acelerados.
“Este ciclo de violência horrível não pode continuar”, afirmou Türk, defendendo investigações conforme os padrões internacionais e reiterando que o povo iraniano tem o direito de se manifestar pacificamente e ter suas demandas por justiça e igualdade ouvidas.
Brasileiros no Irã: nenhum registro de vítimas
O Itamaraty informou que, até o momento, não há registros de cidadãos brasileiros mortos ou feridos nos protestos. A Embaixada do Brasil em Teerã permanece “atenta às necessidades da comunidade brasileira no Irã”, segundo a nota oficial.
A posição do governo federal reflete um equilíbrio delicado: expressar solidariedade humanitária sem comprometer relações comerciais vitais nem se envolver em disputas geopolíticas entre potências. Enquanto isso, o mundo observa se a pressão interna no Irã levará a mudanças políticas — ou a mais um capítulo de repressão.
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