Notícias

Brasil reduz mortalidade infantil ao menor nível em 34 anos

O Brasil alcançou, em 2024, as menores taxas de mortalidade neonatal e de crianças menores de cinco anos em mais de três décadas, segundo o relatório Níveis e Tendências da Mortalidade Infantil, divulgado pela Unicef nesta terça-feira (18). O avanço ocorre em um cenário global ainda marcado por desigualdades:, onde cerca de 4,9 milhões de crianças morreram antes de completar cinco anos no último ano, em sua maioria por causas evitáveis.

Avanços globais desaceleram, apesar de progresso histórico

Os dados da Unicef indicam que, embora o mundo tenha reduzido pela metade as mortes infantis desde 2000, o ritmo dessa queda desacelerou significativamente a partir de 2015 — uma redução superior a 60% na velocidade de avanço. Esse cenário acende um alerta internacional mostrando que mesmo com tecnologias e políticas conhecidas para salvar vidas, milhões de crianças continuam morrendo por falta de acesso a cuidados básicos de saúde.

Quase metade dessas mortes ocorre no período neonatal, ou seja, nos primeiros 28 dias de vida. Complicações decorrentes de parto prematuro (36%) e problemas durante o trabalho de parto (21%) lideram as causas de morte entre recém-nascidos. Já após o primeiro mês, doenças infecciosas como pneumonia, diarreia e malária seguem como principais responsáveis pelos óbitos — condições amplamente preveníveis e tratáveis.

O relatório também traz, pela primeira vez, uma estimativa direta do impacto da desnutrição aguda grave onde mais de 100 mil crianças entre 1 e 59 meses morreram em 2024 em decorrência direta dessa condição, número que pode ser ainda maior quando considerados efeitos indiretos. A desnutrição, além de causa, funciona como agravante, enfraquecendo o sistema imunológico e ampliando o risco de morte por doenças comuns da infância.

Desigualdade global define quem vive e quem morre

A desigualdade geográfica permanece como um dos principais determinantes da sobrevivência infantil. Em 2024, 58% das mortes de crianças menores de cinco anos ocorreram na África Subsaariana, enquanto o Sul da Ásia concentrou cerca de 25%. Nessas regiões, fatores como pobreza, conflitos armados, mudanças climáticas e fragilidade dos sistemas de saúde ampliam drasticamente os riscos. Crianças que nascem em países em situação de conflito têm quase três vezes mais chances de morrer antes dos cinco anos.

Políticas públicas explicam avanço brasileiro

Apesar desse quadro global, os dados brasileiros indicam avanços consistentes, alinhados a uma tendência histórica de redução da mortalidade infantil desde a década de 1990. Em nível mundial, desde 1990, a taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos caiu cerca de 60% — e a mortalidade neonatal, 45% —, resultado de políticas públicas como ampliação da cobertura vacinal, fortalecimento da atenção primária e melhorias no cuidado materno-infantil.

No Brasil, esse processo esteve diretamente ligado à consolidação do SUS, à expansão da Estratégia Saúde da Família e a políticas de combate à pobreza e à fome, que impactam diretamente a saúde das crianças. Ao longo das últimas décadas, programas de imunização, pré-natal e assistência ao parto contribuíram para reduzir mortes evitáveis e ampliar o acesso aos serviços de saúde.

Desafios persistem entre os mais vulneráveis

No entanto, os avanços não são homogêneos. As mortes infantis continuam mais frequentes entre populações vulneráveis, refletindo desigualdades de renda, acesso a saneamento, escolaridade materna e localização geográfica. No Brasil, essas desigualdades também se manifestam entre regiões e grupos sociais, indicando que o progresso ainda não alcançou todos de forma igualitária.

A diretora executiva do Unicef, Catherine Russell, alertou que “nenhuma criança deveria morrer de doenças que sabemos como prevenir”, destacando a necessidade de compromisso político e financiamento contínuo para manter e acelerar os avanços. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou que proteger serviços essenciais de saúde e nutrição é fundamental ​​“para que todas as crianças tenham a chance não apenas de sobreviver, mas de prosperar”.

Direito à vida exige compromisso contínuo

O relatório aponta que soluções já existem e são conhecidas: vacinação, assistência qualificada ao parto, tratamento da desnutrição e fortalecimento da atenção primária. Além de salvar vidas, esses investimentos têm alto retorno social e econômico — podendo gerar até 20 vezes o valor investido.

O desafio agora é político e coletivo. A sobrevivência infantil não é apenas um indicador de saúde, mas um direito humano fundamental. Garantir que cada criança tenha a chance de viver e se desenvolver plenamente exige continuidade de políticas públicas, redução das desigualdades e compromisso global com a vida.

__

com informações da Unicef

O post Brasil reduz mortalidade infantil ao menor nível em 34 anos apareceu primeiro em Vermelho.