
A 18ª Cúpula do Brics condenou o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba e manifestou “profunda preocupação” com seus efeitos sobre a economia, o abastecimento de energia e as condições de vida da população cubana.
A posição consta da declaração aprovada pelos países do grupo durante a reunião realizada neste fim de semana, em Nova Déli, na Índia. O documento cobra o fim das medidas econômicas, comerciais e financeiras contra Cuba.
A declaração também condena a imposição de medidas coercitivas unilaterais contrárias ao direito internacional. Segundo a declaração, essas medidas têm “consequências negativas de longo alcance para os direitos humanos, incluindo os direitos ao desenvolvimento, à saúde e à segurança alimentar” das populações dos países atingidos.
O documento ressalta que os efeitos recaem de maneira desproporcional sobre os mais pobres e as pessoas em situações de vulnerabilidade, além de ampliarem a desigualdade digital e agravarem problemas ambientais.
Os países do Brics pediram a eliminação dessas medidas, consideradas incompatíveis com o direito internacional e com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas.
Chanceler denuncia cerco energético
Durante a sessão aberta da cúpula, realizada no domingo (13), o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos foi intensificado “a níveis sem precedentes”.
“Com as ordens executivas de 29 de janeiro e 1º de maio de 2026, o governo dos Estados Unidos instaurou um cerco energético contra Cuba que equivale a um bloqueio naval e constitui um ato de guerra, segundo o direito internacional”, declarou.
Rodríguez afirmou que Washington também passou a ameaçar com sanções empresas e países envolvidos no abastecimento da ilha. Segundo o chanceler, as pressões contra companhias marítimas interromperam cadeias de fornecimento e deixaram mais de 7 mil contêineres parados em diferentes portos.
As cargas, de acordo com o ministro, contêm principalmente alimentos, medicamentos e equipamentos médicos. A maior parte já havia sido contratada e paga, inclusive por empresas privadas cubanas.
“É um genocídio silencioso que cobra vidas”, afirmou Rodríguez. Ele atribuiu ao bloqueio o agravamento de indicadores sociais e de saúde no país.
Efeitos sobre a saúde
De acordo com os números apresentados pelo chanceler, a taxa de mortalidade infantil em Cuba passou de 4 para 9,9 mortes por mil nascidos vivos. A expectativa de sobrevivência de crianças com câncer, segundo ele, caiu de 85% para 65%.
“Provocar danos humanos, sofrimento e angústia é o objetivo dessa política cruel e deliberadamente concebida para esse fim”, declarou.
Rodríguez classificou o bloqueio como “um ato de castigo coletivo contra todo o povo cubano” e afirmou que suas consequências humanitárias são incalculáveis.
“Seus efeitos indiscriminados provocam grande sofrimento às famílias cubanas. É o instrumento escolhido para conseguir a mudança de regime”, disse.
O ministro também criticou a permanência de Cuba na lista elaborada unilateralmente pelos Estados Unidos de países supostamente patrocinadores do terrorismo. Para Rodríguez, Washington utiliza essa classificação para justificar novas restrições financeiras e comerciais contra a ilha.
“Cuba não é uma ameaça”
Em seu pronunciamento, o chanceler contestou o argumento de que Cuba representaria uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos.
“Cuba não é uma ameaça; o bloqueio, sim”, afirmou.
Rodríguez sustentou que as medidas norte-americanas violam a Carta das Nações Unidas e diferentes normas internacionais, incluindo as relacionadas aos direitos humanos, ao comércio e à navegação.
“Se fosse permitido ao governo dos Estados Unidos destruir uma pequena nação com o propósito de mudar seu sistema político, ou com qualquer outro propósito, o mundo se tornaria ainda mais perigoso do que já é. O que viria depois? Quem seria o próximo?”, questionou.
Ao final, o chanceler agradeceu aos membros e parceiros do Brics pelas manifestações em defesa do levantamento do bloqueio e do cerco energético.
“Somos um país de paz. Não somos uma ameaça para ninguém. Temos a razão e a justiça ao nosso lado”, declarou Rodríguez. “Continuaremos defendendo, até as últimas consequências, nosso direito à livre determinação.”
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