Notícias

Campos Neto falta à CPI e Galípolo reforça isenção no caso Master

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado se reuniu, nesta quarta-feira (8), com a expectativa de receber o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto. No entanto, somente Galípolo esteve na reunião. Segundo ele, não houve qualquer movimentação do governo federal ou do Supremo Tribunal Federal (STF) para salvar o Banco Master.

Convidado para participar da CPI como testemunha, o ex-presidente do BC não compareceu à reunião pela terceira vez. A defesa de Campos Neto comunicou que ele não iria à sessão em cumprimento à decisão do STF, que o desobrigou de comparecer à CPI no início de março.

No caso, a defesa do ex-presidente do BC entrou com um pedido para tornar a presença dele opcional. A solicitação foi acolhida pelo ministro André Mendonça sob alegação de que os trabalhos da CPI tinham fugido do escopo de apuração.

Depois da falta no primeiro convite, os senadores votaram por uma convocação, o que tornaria obrigatória a presença de Campos Neto. Isso o motivou a contestar a decisão no STF, que transformou a convocação novamente em convite, tornando a presença facultativa.

Leia mais: “Ovo da serpente”: como a gestão de Campos Neto chocou a fraude do Master

A insistência em não prestar esclarecimentos chama a atenção, pois joga lenha na fogueira de que houve ‘vista grossa’ na sua gestão que culminou no Caso Master. Documentos e depoimentos já levados à CPI mostraram que o BC de Campos Neto ignorou alertas formais de fraudes e se omitiu diante de operações financeiras suspeitas.

A postura dele contrasta com a do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que, não tendo nada a esconder, compareceu de bom grado à CPI.

Galípolo

Sem o temor de seu antecessor no Banco Central, Galípolo esteve na CPI como convidado, portanto compareceu voluntariamente. Ele procurou afastar rumores repetidos pelos senadores de extrema direita, que tentam implicar autoridades.

Os principais pontos que os bolsonaristas instigam dizem respeito a uma reunião do banqueiro Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto e de reuniões entre Galípolo e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Sobre a reunião no Planalto, Galípolo explicou que o encontro entre os gestores do Master e o presidente Lula se deu dentro da institucionalidade. Segundo ele, o banqueiro fez ponderações sem sentido ao dizer que estava sendo perseguido pelo sistema financeiro, o que não era crível, uma vez que o Master detinha apenas 0,5% dos ativos do mercado nacional.

Além de Vorcaro e de seu ex-sócio Augusto Lima, também estavam na reunião o ex-ministro Guido Mantega, que prestava assessoria a eles, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) e o chefe de gabinete da presidência, Marco Aurélio Ribeiro.

Leia mais: Fundo da Reag recebeu R$ 1 bilhão de empresas ligadas ao PCC

Segundo o presidente do BC [na época dos fatos ainda diretor da autoridade monetária], Lula foi totalmente imparcial e indicou que ele [Galípolo] é que seria o responsável por analisar tecnicamente o caso apresentado [perseguição] sem “pirotecnia”, não cabendo ao Executivo tratar da questão.

Já sobre reuniões com Alexandre de Moraes, Galípolo afirmou que não falava com o ministro por telefone e que todos os encontros foram no STF para tratar da Lei Magnitsky, não sobre o Caso Master.

A Lei Magnitsky, imposta pelos Estados Unidos contra Moraes, buscava sancioná-lo com o bloqueio de contas e de bens. Os senadores bolsonaristas tentam a todo custo indicar que Moraes tentou interceder junto ao BC sobre o Master, o que foi refutado por Galípolo, que explicou os motivos das reuniões.

Fim da CPI

A CPI do Crime Organizado já tem data para encerrar: próxima terça-feira (14). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), comunicou a decisão de manter o dia previsto de encerramento, afastando os pedidos por prorrogação, tendo em vista do calendário eleitoral.

A atitude põe fim a mais uma controversa CPI que teve seu escopo manipulado pela extrema direita. Assim como aconteceu com a CPI do INSS, a comissão criada para apurar o envolvimento do crime organizado, facções e milícias na economia perdeu o foco.

O colegiado foi instaurado logo após a chacina nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro (RJ), que deixou 121 mortos. Os senadores partiram da ideia de apurar o avanço de facções e o envolvimento de empresários e agentes públicos.         

No entanto, a Comissão se voltou para o escândalo do Banco Master, assim como a CPI do INSS, sendo responsável por promover quebras de sigilos e vazamentos de dados em prol de uma narrativa para atacar o governo federal e, principalmente, o Judiciário.

O post Campos Neto falta à CPI e Galípolo reforça isenção no caso Master apareceu primeiro em Vermelho.