Conhecido como o espião dos Estados Unidos condenado por vender informações a Israel, Jonathan Pollard anunciou esta semana que pretende se candidatar a uma vaga no Knesset (Parlamento israelense), nas eleições que estão programadas para o próximo mês de outubro.
A informação veio à tona durante uma entrevista ao Canal 13 de Israel, na qual Pollard apresentou seu discurso alinhado com a ideologia sionista.
No programa, o ex-espião defendeu a anexação dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, e que a população palestina de Gaza seja “removida” – termo que usou para sugerir a limpeza étnica da região.
“Pessoalmente, prefiro a remoção forçada de todos os atuais residentes de Gaza, a anexação de Gaza e seu repovoamento por judeus”, afirmou Pollard, durante o programa exibido nesta segunda-feira (04/05).
Quem é Jonathan Pollard
Nascido em família judia, Jonathan Pollard não é israelense. Ele nasceu no Texas e trabalhou durante seis anos como analista de inteligência da Marinha dos Estados Unidos, entre setembro de 1979 e novembro de 1985, até o dia em que foi preso, acusado de vender informações secretas do governo dos Estados Unidos a Israel.
Durante o processo que levou à sua condenação, o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI, por sua sigla em inglês) apresentou provas de que Pollard integrava um esquema de envio de informação confidencial a Tel Aviv desde junho de 1984.
Na sentença, o Tribunal Federa do Distrito de Columbia impôs a ele pena de prisão perpétua. O ex-espião ficou preso até novembro de 2015, quando foi concedido o benefício da liberdade condicional de forma automática, após ter cumprido 30 anos em regime fechado.
Em novembro de 2020, Pollard se mudou para Israel, graças a uma articulação promovida pelo premiê israelense Benjamin Netanyahu junto ao presidente norte-americano Donald Trump – então em seu primeiro mandato –, que permitiu sua extradição.
Apesar do apoio de Netanyahu à sua mudança para Israel, o ex-espião se mostrou na entrevista como um crítico da atual administração, e informou que sua candidatura ao Knesset será por um partido novo, também de inclinação sionista religiosa e discurso de extrema direita.

Governo de Israel
Esse novo partido está sendo organizado pelo ativista Nissim Louk, pai da tatuadora e influenciadora Shani Louk, que morreu durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023 contra o Festival Nova Music, uma rave realizada nas proximidades do muro no que isola a Faixa de Gaza.
Na entrevista ao Canal 13 israelense, Pollard afirmou que sua decisão de entrar para a política surgiu justamente após os acontecimentos de outubro de 2023, e culpou o governo de Netanyahu por, segundo sua avaliação, ter agido de forma negligente ou insuficiente diante do caso.
“Até então, eu pensava que o abandono e a traição que sofri por parte do governo (de Israel) quando estava preso era a exceção e não a regra. Porém, depois de 7 de outubro (de 2023), percebi que eu não era uma exceção”, argumentou.
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