
Em uma nota conjunta de extrema contundência, as principais Centrais Sindicais do país e a IndustriALL Brasil repudiaram, nesta quarta-feira (16), a nova rodada de tarifas de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O documento, assinado por CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST, CSB, Intersindical, Pública e IndustriALL Brasil, desmonta a narrativa norte-americana de “práticas comerciais desleais” com um dado econômico irrefutável: em 2025, o Brasil registrou um déficit comercial de US$ 7,53 bilhões na relação bilateral.
Ou seja, os Estados Unidos exportam muito mais para o Brasil do que importam. Para as entidades, esse cenário anula qualquer justificativa técnica ou econômica para o tarifaço, expondo que a medida não busca corrigir um suposto desequilíbrio, mas sim desorganizar cadeias produtivas brasileiras e reduzir a competitividade da indústria nacional, colocando em risco direto milhares de empregos de qualidade.
O Pix e a soberania nacional sob ataque
Um dos pontos mais assertivos da declaração é a defesa intransigente do Pix como uma conquista da soberania tecnológica e financeira do Brasil. As centrais alertam que a investigação norte-americana (Seção 301) ultrapassou os limites do comércio ao questionar políticas públicas internas, como o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.
“Atacar o Pix é atacar a soberania nacional”, afirmam as entidades, ressaltando que o Brasil tem o direito legítimo de desenvolver soluções próprias e inovadoras para seu sistema financeiro. A tentativa de enquadrar uma infraestrutura pública gratuita e eficiente como “concorrência desleal” é vista pelas centrais como uma manobra para proteger os lucros de operadoras de cartão de crédito e bancos estrangeiros, sufocando a autonomia econômica brasileira.
Chantagem por minerais críticos e interferência política
O texto analisa a tarifa não como um ato isolado de política comercial, mas como um instrumento de pressão geopolítica do governo Trump para ampliar seus interesses estratégicos. O Brasil, detentor de minerais críticos, vastas reservas energéticas e uma indústria estratégica em consolidação, torna-se alvo de uma “chantagem comercial” destinada a forçar a submissão do país.
As centrais destacam que as referências explícitas à política interna brasileira durante o anúncio das medidas confirmam o caráter político da decisão. Ao tentar usar o poder econômico para interferir em instituições nacionais, os EUA revelam que o objetivo final é a capitulação do Brasil, e não um acordo comercial justo.
Mobilização e defesa do desenvolvimento nacional
Diante do cenário, as Centrais Sindicais e a IndustriALL Brasil traçam um caminho claro de ação. Elas defendem que o governo brasileiro mantenha os canais de diálogo e negociação, mas sem abrir mão “dos interesses nacionais, da autonomia de suas instituições e da soberania do país”. Paralelamente, cobram uma estratégia agressiva de abertura de novos mercados globais para os produtos brasileiros, reduzindo a dependência do mercado norte-americano.
A nota encerra com um compromisso de mobilização contínua. As entidades se colocam em estado de alerta para defender a democracia, a indústria nacional e o livre comércio, reafirmando que o desenvolvimento do país passa, obrigatoriamente, pela valorização do trabalho e pela proteção dos ativos estratégicos contra interferências externas.
Leia a íntegra:
Novo tarifaço dos Estados Unidos ameaça empregos, a indústria nacional e a soberania brasileira
As Centrais Sindicais e a IndustriALL Brasil repudiam a nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. O ataque ameaça empregos, investimentos e o desenvolvimento industrial, com impactos em todos os setores da economia nacional, atingindo diretamente milhares de trabalhadores e trabalhadoras. Medidas unilaterais dessa natureza desorganizam cadeias produtivas, reduzem a competitividade da economia brasileira e colocam em risco empregos de qualidade.
O argumento econômico não se sustenta. Em 2025, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 7,53 bilhões na relação com os Estados Unidos. Ou seja, os norte-americanos exportam mais para o Brasil do que importam do nosso país. Não há desequilíbrio comercial que justifique essa medida.
Também nos preocupa que a investigação norte-americana tenha passado a questionar instrumentos e políticas públicas brasileiras, como o PIX. O Brasil tem o direito de desenvolver soluções próprias e inovadoras para seu sistema financeiro. Atacar o PIX é atacar a soberania nacional.
Para as Centrais Sindicais e a IndustriALL Brasil, a política tarifária adotada pelo governo Trump vem sendo utilizada como instrumento de pressão política e econômica para ampliar os interesses estratégicos dos Estados Unidos em diferentes regiões do mundo. O Brasil, detentor de minerais críticos, grandes reservas energéticas e uma indústria estratégica, não pode ser alvo desse tipo de chantagem comercial. Além disso, as referências à política interna brasileira durante o anúncio das medidas reforçam que a decisão ultrapassa a esfera comercial e assume caráter político.
Por isso, defendemos que o governo brasileiro mantenha o diálogo e as negociações, sem renunciar aos interesses nacionais, da autonomia de suas instituições e da soberania do país e, ao mesmo tempo, atue para continuar a abrir novos mercados para nossos produtos.
Continuaremos mobilizados na defesa da soberania nacional, da democracia, da indústria brasileira, do livre e justo comércio internacional, dos empregos de qualidade e de um projeto de desenvolvimento que fortaleça a produção, gere renda de qualidade e valorize o trabalho.
São Paulo, 16 de julho de 2026.
Sérgio Nobre, presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores)
Miguel Torres, presidente da Força Sindical
Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores)
Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Sônia Maria Zerino da Silva, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)
Antônio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)
Nilza Pereira Almeida, secretária-geral da Intersindical Central da Classe Trabalhadora
José Gozze, presidente da Pública Central do Servidor
Aroaldo Oliveira da Silva, presidente da IndustriALL Brasil
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