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Centro MariAntonia recebe exposição sobre pesquisa forense e memória

O Centro MariAntonia da Universidade de São Paulo (USP) inaugura na sexta-feira, 14 de agosto, às 18h, a exposição Fazer falar os ossos: engajamentos presentes com o passado. Com entrada gratuita, a mostra apresenta o trabalho de pesquisadores e especialistas forenses envolvidos na investigação de pessoas assassinadas ou desaparecidas durante a ditadura militar brasileira.

A exposição reúne duas perspectivas complementares. A primeira acompanha a atuação de especialistas do Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), ligado à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A segunda apresenta o olhar de pesquisadores das ciências sociais e da linguística sobre os procedimentos, as interações e os conhecimentos mobilizados no cotidiano do laboratório.

Desde 2022, as atividades desenvolvidas pelos especialistas forenses vêm sendo documentadas diariamente em vídeo. Os registros permitem observar como vestígios humanos e materiais são analisados e como diferentes áreas do conhecimento colaboram na tentativa de reconstruir histórias interrompidas pela violência de Estado.

Ao aproximar o público desse trabalho, a exposição discute a contribuição da antropologia forense para a investigação de violações de direitos humanos e para a busca de respostas às famílias de mortos e desaparecidos. A proposta também evidencia que o passado permanece em disputa e que a produção de conhecimento pode contribuir para revelar acontecimentos ainda encobertos.

A curadoria é de Lorenza Mondada, docente da Universidade da Basileia, na Suíça, e de Fernanda Cruz e Edson Teles, da Unifesp. O projeto articula pesquisa científica, documentação audiovisual e reflexão sobre as relações entre memória, verdade e Justiça.

Espaço de memória e produção cultural

Vinculado à Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, o Centro MariAntonia atua na divulgação da pesquisa interdisciplinar e na promoção de exposições, cursos, cinema, palestras, debates e outras atividades abertas ao público. Sua programação aborda temas como direitos humanos, ciência, arte, democracia e produção do conhecimento.

O centro ocupa dois edifícios históricos na Rua Maria Antônia, na região central de São Paulo. Construídos na década de 1930, os prédios passaram a abrigar, a partir de 1949, a antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, importante espaço de formação intelectual e mobilização política.

Em outubro de 1968, a rua foi palco do confronto conhecido como Batalha da Maria Antônia, quando estudantes da USP foram atacados por integrantes do Comando de Caça aos Comunistas instalados na Universidade Presbiteriana Mackenzie. O episódio ocorreu durante o agravamento da repressão da ditadura e tornou o local um símbolo da resistência estudantil e da luta democrática.

Tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo em 1988, o conjunto foi inaugurado como centro cultural em 1993. Desde então, o MariAntonia preserva a memória daquele período e mantém uma programação voltada ao pensamento crítico e à aproximação entre universidade e sociedade.

A realização de Fazer falar os ossos nesse espaço estabelece um diálogo entre o tema da exposição e a própria história do local. Ao apresentar investigações sobre mortos e desaparecidos políticos, a mostra reforça a importância da preservação da memória e do conhecimento sobre as violações cometidas pelo Estado brasileiro.

Serviço

Exposição: Fazer falar os ossos: engajamentos presentes com o passado
Abertura: sexta-feira, 14 de agosto, às 18h
Local: Centro MariAntonia da USP
Endereço: Rua Maria Antônia, 258, Vila Buarque, São Paulo (SP)
Visitação: de terça-feira a domingo e nos feriados, das 10h às 18h
Entrada: gratuita