
O senador de esquerda Iván Cepeda aparece na liderança da disputa presidencial colombiana, segundo pesquisa divulgada neste domingo (25) pelo Centro Nacional de Consultoría (CNC) em parceria com a revista Cambio. Cepeda — da coalizão Pacto Histórico que apoia o governo de Gustavo Petro — reúne 28,2% das intenções de voto, percentual que o consolida como principal favorito para a eleição marcada para 31 de maio.
Na sequência, surge o candidato de direita Abelardo de la Espriella, com 15,5%, seguido pelo centrista Sergio Fajardo, que alcança 9,8%. O levantamento reforça uma tendência já observada em outras sondagens recentes, publicadas por veículos como El Tiempo e Noticias RCN, que também apontam Cepeda na dianteira.
A liderança reflete não só o apoio ao legado de Petro, mas também a coesão relativa da esquerda frente à profunda fragmentação da centro-direita.
Cenários de segundo turno favorecem a esquerda
Em simulações de segundo turno, Cepeda mantém vantagem expressiva. Em um eventual confronto direto com De la Espriella, o candidato do Pacto Histórico alcançaria 45,2% dos votos, contra 25,7% do adversário, segundo o CNC. O resultado indica uma margem confortável, ainda que com um contingente relevante de eleitores indecisos.
Os dados sugerem que, mesmo sem alcançar maioria absoluta no primeiro turno, Cepeda entra fortalecido na etapa decisiva da eleição, beneficiado pela dispersão das candidaturas no campo conservador e centrista.
Direita fragmentada e centro em busca de alianças
A pesquisa evidencia a fragmentação da direita e da centro-direita, que apresentam múltiplos candidatos com desempenho modesto. Além de De la Espriella, nomes como Paloma Valencia, Vicky Dávila e Juan Manuel Galán aparecem com percentuais baixos, sobretudo quando analisados fora das consultas interpartidárias.
No campo do centro, Sergio Fajardo mantém posição intermediária, mas enfrenta dificuldades para reduzir a distância em relação aos dois primeiros colocados. Analistas apontam que uma eventual aliança entre Fajardo e outras lideranças centristas, como Claudia López, poderia reposicionar esse bloco na disputa pelo segundo turno.
Contudo, o tempo é curto: as primárias ocorrem em 8 de março, e a inscrição de candidatos termina em 6 de fevereiro. Sem coordenação rápida, o centro corre o risco de ficar à margem da disputa decisiva.
Cepeda e a herança política de Petro
Aliado do presidente Gustavo Petro, Cepeda representa a continuidade do projeto político do atual governo, sustentado por uma coalizão de forças progressistas. Sua liderança nas pesquisas ocorre em um contexto econômico sensível, marcado por debates sobre inflação e contas públicas após o reajuste de 23% no salário mínimo anunciado por Petro, amplamente apoiado pela população.
Ainda assim, a avaliação do governo permanece relativamente equilibrada: 48,8% dos entrevistados declaram ter uma imagem positiva do presidente, enquanto 42,1% avaliam sua gestão de forma negativa, segundo o mesmo levantamento.
Paralelamente, a crise na Venezuela impacta o debate interno: 73,2% dos colombianos veem como positiva a captura de Nicolás Maduro, e 61% consideram benéfica a intervenção militar dos EUA. Curiosamente, apenas 27,5% acreditam que a situação favorece a direita local, sugerindo que o antichavismo não está automaticamente convertido em voto conservador.
Eleição aberta, mas com favorito claro
Realizada entre 15 e 21 de janeiro, a pesquisa do CNC ouviu 2.202 pessoas em 56 municípios. Os dados indicam que, embora o cenário siga aberto e dependente das alianças que serão formadas até março, Iván Cepeda entra na reta final da campanha como o nome mais competitivo.
Com um eleitorado ainda marcado por altos índices de indecisão e votos em branco, a eleição presidencial colombiana permanece dinâmica. A abstenção histórica na Colômbia e a novidade da cédula única — com todos os candidatos listados juntos — aumentam o risco de confusão e votos nulos.
Ainda assim, a liderança consistente de Cepeda aponta para uma disputa em que a esquerda larga na frente, enquanto a seus adversários, resta a corrida contra o tempo para se unificar — ou assistir à consolidação da primeira reeleição de um projeto progressista na história recente do país.
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