
Sob o governo de Tarcísio de Freitas, São Paulo vive o aprofundamento das privatizações, da repressão policial e da precarização dos serviços públicos.
Cadu Machado (SP)
BRASIL – Enquanto a grande imprensa tenta sustentar a imagem do governo de Tarcísio de Freitas, a falta d’água, tarifas mais caras, repressão policial, despejos e precarização dos serviços públicos fazem parte do cotidiano da classe trabalhadora paulista. Tarcísio organiza o Estado de SP para beneficiar grandes empresários e impõe mais exploração e sofrimento ao povo.
São Paulo tem sido governado pela direita e a extrema-direita há mais de 30 anos, marcados por privatizações e repressão ao povo pobre. Nos últimos anos, sob o governo Tarcísio, esses ataques se aprofundaram ainda mais e ganharam uma nova escala, assumindo a forma de uma ofensiva generalizada contra os direitos do povo.
Água, transporte, moradia, educação e segurança pública são tratados sob a lógica de reduzir custos sociais e ampliar os lucros privados. Ao mesmo tempo, o aparato do Estado é utilizado para garantir que esse processo avance, mesmo diante da resistência popular.
Privatizações aprofundam a exploração
Essa lógica se expressa de forma clara nas privatizações. A venda da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), apresentada como solução para os problemas do saneamento, revelou rapidamente seu verdadeiro objetivo: garantir lucro aos acionistas. A população passou a pagar mais caro, enquanto enfrenta falta d’água constante e piora na qualidade do serviço.
Depois das privatizações, moradores convivem com cortes no abastecimento e com a incerteza de ter água nas torneiras. O problema, porém, não está na escassez, mas na forma como a água é administrada. Sob a lógica privada, o que importa é reduzir custos – demitindo e cortando investimentos – e aumentar tarifas para garantir retorno financeiro.
O resultado é sentido diretamente pela população. O que já era insuficiente tornou-se ainda mais precário. A água, que deveria ser um direito básico, é tratada como mercadoria.
Nos transportes, o cenário se repete. A privatização das linhas da CPTM, do metrô e das rodovias transformou o direito de ir e vir em um negócio altamente lucrativo. Trabalhadores são obrigados a pagar cada vez mais caro para se deslocar, enfrentando serviços precários e tarifas em constante aumento.
O sistema de pedágio “free flow” que está sendo implementado no estado, vendido como modernização, aprofundou essa lógica. Na prática, ampliou a cobrança sobre a população, atingindo especialmente quem depende das rodovias no dia a dia. Enquanto isso, bilhões de reais em recursos públicos continuam sendo destinados a empresas privadas por meio de concessões e subsídios, garantindo lucros mesmo quando os serviços prestados não atendem às necessidades da população.
Despejos
Outra face deste projeto também é a expulsão do povo pobre das regiões centrais. A luta da Favela do Moinho, no centro da capital, escancarou o caráter fascista do governo. Sob o discurso de “revitalização”, o Estado utilizou a força policial para tentar remover famílias inteiras de suas casas, abrindo caminho para a especulação imobiliária.
Mas o que poderia ter sido mais um despejo imposto pela força encontrou resistência. A Favela do Moinho mostrou que o Estado é rápido para agir quando se trata de atender aos interesses dos ricos, mas ausente quando o assunto é garantir direitos básicos ao povo.
Essa experiência de luta também mostrou que quando o povo se organiza coletivamente, é possível enfrentar e até barrar os ataques, mesmo diante de um aparato estatal altamente repressivo.
Violência policial
Se para os ricos o governo garante lucro, para o povo pobre a resposta tem sido a repressão. A política de segurança pública de Tarcísio de Freitas é marcada pelo aumento da letalidade policial e pela intensificação de operações violentas nas periferias.
Casos como o assassinato de Thawanna Salamázio, trabalhadora, mãe de cinco filhos, morta pela Polícia Militar após questionar uma abordagem abusiva, escancaram essa realidade. Mesmo ferida, Thawanna foi mantida sem socorro, enquanto policiais impediam a aproximação de moradores. A cena não é apenas um caso de violência, mas a expressão de uma política que trata a população pobre como inimiga.
Operações com grande aparato policial têm reforçado essa lógica. Mobilizações com centenas de agentes, viaturas e equipamentos resultam em poucas prisões, mas deixam mortos, feridos e comunidades inteiras sob terror.
O discurso de “guerra ao crime” tem sido usado pelo governo de Tarcísio de Freitas para justificar a repressão nas periferias. No entanto, nos últimos anos, o crime organizado, em especial o PCC, atingiu níveis recordes de atuação, com aumento da exportação de drogas e da sua presença internacional.
Casos recentes reforçam indícios de envolvimento de agentes do Estado, da Faria Lima e de pessoas ligadas ao entorno do poder em esquemas de lavagem de dinheiro. Entre eles, aparecem investigações sobre Maribel Golin, apontada como uma das doadoras da campanha de Tarcísio de Freitas, e a operação que revelou a atuação de empresários como João Gabriel Yamawaki, que chegou a utilizar o heliponto do Palácio dos Bandeirantes para pousar seu helicóptero. Ambos são citados em apurações relacionadas a esquemas de lavagem de dinheiro ligados à facção paulista.
Diante de tantos fatos, restam apenas duas possibilidades: ou o governo tem conhecimento do que está acontecendo e não faz nada para enfrentar esses esquemas, ou a gestão é tão incapaz que não consegue enxergar o que está diante de todos. Em qualquer dos casos, quem paga a conta é o povo.
Revolta nas universidades
Nas universidades estaduais paulistas, o que se vê é o aprofundamento do sucateamento, com cortes de verbas, falta de investimento em infraestrutura, redução de bolsas estudantis, crise na permanência e precarização generalizada dos serviços. Restaurantes universitários com dificuldades de funcionamento, moradias estudantis insuficientes e condições de trabalho cada vez mais degradadas fazem parte da realidade cotidiana.
É nesse contexto que explodem as greves na Universidade de São Paulo e na Universidade Estadual Paulista. Milhares de estudantes, professores e funcionários têm se mobilizado em assembleias, paralisações e atos, ocupando os campi e as ruas em defesa de melhores condições de estudo e trabalho. As greves são expressão direta da luta contra a política do governo de Tarcísio de Freitas para a educação.
Unificar as lutas
Privatizações, repressão policial, despejos e precarização dos serviços públicos não são medidas desconectadas. São partes de um mesmo projeto político que organiza o Estado para atender aos interesses da burguesia.
Esse projeto expulsa os pobres dos centros, entrega serviços essenciais e empresas públicas à iniciativa privada, utiliza a força policial para reprimir o povo e, ao mesmo tempo, transfere recursos públicos para grandes empresas, garantindo lucros enquanto a população enfrenta condições cada vez mais difíceis.
Apesar de todos esses ataques, cresce a resistência em todo o estado. A luta da Favela do Moinho, as mobilizações contra os pedágios, as denúncias contra a privatização da água e os protestos contra a violência policial mostram que o povo não está disposto a aceitar esses retrocessos. As mobilizações nas universidades provam que a revolta já está nas ruas.
No entanto, essas lutas ainda aparecem de forma fragmentada, o que permite que o governo siga avançando. Neste mês de maio, é necessário dar um passo além, unificar essas mobilizações e levar essa força para as ruas de todo o estado.
O desafio é transformar essa indignação em um movimento amplo, capaz de enfrentar o conjunto da política do governo de Tarcísio de Freitas.
É hora de construir uma grande marcha até o Palácio dos Bandeirantes, reunindo estudantes, trabalhadores e o povo pobre para exigir seus direitos e enfrentar esse projeto.
Matéria publicada na edição impressa nº 333 do jornal A Verdade
