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China alcança meta de crescimento com avanço impulsionado pelas exportações

A economia da China registrou expansão de 5% em 2025, atingindo exatamente a meta estabelecida pelo governo, mesmo diante de um cenário internacional desafiador. Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), o desempenho foi sustentado principalmente pelo forte dinamismo das exportações, que compensaram a persistente fraqueza do consumo interno e a crise prolongada no setor imobiliário. O resultado confirma uma mudança estratégica na política econômica chinesa desde o colapso imobiliário de 2021: em vez de estimular diretamente os consumidores, Pequim tem canalizado investimentos para o complexo industrial e tecnológico, fortalecendo sua presença nos mercados globais.

O resultado confirma a estimativa antecipada pelo presidente Xi Jinping e evidencia a capacidade do país de sustentar o crescimento mesmo sob pressão externa crescente, em especial diante das políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos para conter a ascensão chinesa.

Exportações como pilar de resiliência

As exportações responderam por cerca de um terço do crescimento do PIB em 2025 — o maior impacto desde 1997 — e permitiram à China contornar as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. Embora os embarques para o mercado norte-americano tenham caído cerca de 20%, os produtores chineses redirecionaram com sucesso suas vendas para a Ásia, África, América Latina e Europa, conquistando novos parceiros comerciais.

Essa reorientação permitiu à China registrar um superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, 20% superior ao de 2024 — um valor equivalente ao tamanho de economias inteiras, como a da Arábia Saudita. O dado reforça a leitura de que as tentativas de contenção dos EUA não conseguiram frear o avanço chinês, apenas estimularam uma diversificação de mercados.

“A capacidade da China de se adaptar rapidamente às restrições comerciais demonstra a maturidade de sua base industrial e a eficácia de sua diplomacia econômica”, observa Lynn Song, economista-chefe para a Grande China.

Reconfiguração estrutural da economia

O ano de 2025 marcou uma consolidação da virada industrial promovida por Pequim. Enquanto o investimento imobiliário despencou 17,2% e o consumo doméstico permaneceu anêmico — com vendas no varejo crescendo apenas 0,9% em dezembro —, a produção industrial avançou 5,9%, impulsionada por setores como veículos elétricos, baterias, painéis solares e equipamentos de alta tecnologia. Essa reorientação gerou, no entanto, um excesso de capacidade produtiva, levando fábricas a buscar mercados além-fronteiras para absorver a oferta.

Essa estratégia não apenas sustentou o crescimento, mas também reforçou a posição da China como fornecedor essencial de bens verdes e digitais em uma economia global em transição.

Desafios internos persistem, mas não impedem avanços

Apesar do sucesso nas exportações, o NBS reconheceu que o desenvolvimento econômico em 2025 foi “duramente conquistado”. A demanda interna continua fraca, agravada pela queda histórica na taxa de natalidade — apenas 7,92 milhões de nascimentos em 2025, o menor nível desde 1949 — e pela contração populacional de 3,39 milhões de pessoas. A queda da natalidade amplia a pressão para elevar a produtividade e sustentar o crescimento no médio e longo prazos.

Além disso, o investimento em ativos fixos caiu 3,8%, a primeira retração anual desde 1996, refletindo a contenção fiscal de governos locais endividados. Analistas apontam que, embora a meta anual tenha sido cumprida, a desaceleração trimestre a trimestre indica fragilidade da demanda interna. 

Mesmo assim, o quarto trimestre fechou com crescimento de 4,5%, acima das expectativas, e dentro de uma trajetória considerada estável pelo governo. “A economia nacional manteve o ritmo de progresso constante em 2025, apesar das múltiplas pressões, e o desenvolvimento de alta qualidade registrou novas conquistas”, afirmou o NBS em comunicado.

Enquanto isso, do outro lado do mundo

Até a data atual (20 de janeiro de 2026), os dados oficiais finais do crescimento econômico dos Estados Unidos em 2025 ainda não foram divulgados pelo Bureau of Economic Analysis (BEA), órgão responsável pelas estatísticas econômicas do país. No entanto, com base nas estimativas mais recentes disponíveis — incluindo projeções do FMI, do Banco Mundial, da Reserva Federal (Fed) e de instituições financeiras como Goldman Sachs e JPMorgan — é possível fazer uma comparação preliminar entre o desempenho econômico da China e dos EUA em 2025

O crescimento do PIB real (2025) dos EUA é estimado em cerca de 2,3% até janeiro de 2016, podendo variar de 2,1% a 2,5%, dependendo da instituição. Números em que o contexto principal dos EUA é de consumo resiliente, mercado de trabalho aquecido, e juros elevados. O BEA divulgará o dado oficial em 27 de fevereiro de 2026.

A China cresceu mais de duas vezes mais rápido que os EUA em termos percentuais (5,0% vs. ~2,3%). Esse diferencial é consistente com o padrão histórico: economias emergentes tendem a crescer mais rapidamente que economias avançadas, mesmo em momentos de desaceleração.

A dependência crescente da China pelas exportações (responsáveis por ~1/3 do PIB em 2025) e produção industrial e o consumo interno estagnado contrastam com o crescimento dos EUA sustentado principalmente pelo consumo das famílias, apoiado por um mercado de trabalho robusto (taxa de desemprego em torno de 4%) e salários reais em recuperação. Investimentos em infraestrutura e semicondutores (graças à Lei CHIPS) também contribuíram.

Os EUA operaram com juros elevados (taxa de juros entre 5,25% e 5,50% durante quase todo 2025) para conter a inflação, o que moderou o crescimento, mas preservou a estabilidade macroeconômica.

Embora o PIB nominal dos EUA (estimado em US$ 29 trilhões em 2025) continue sendo mais que o dobro do da China (cerca de US$ 18,5 trilhões), a China se mantém como a maior economia do mundo em paridade de poder de compra (PPC), segundo o FMI. Dizer que a China tem o maior PIB em paridade de poder de compra significa que sua economia produz mais em termos reais dentro de suas fronteiras, graças à combinação de grande população + custo de vida mais baixo — mas não que ela tenha superado os EUA em riqueza, inovação ou poder econômico global.

Ambos os países, apesar de trajetórias distintas, mostraram capacidade de adaptação em um ano marcado por tensões geopolíticas, fragmentação comercial e incertezas globais.

Olhar para o futuro: rumo ao 15º Plano Quinquenal

Com o 15º Plano Quinquenal (2026–2030) prestes a começar, o foco de Pequim agora se volta para equilibrar a expansão externa com a revitalização do mercado interno. A meta de transformar a China em uma economia moderadamente desenvolvida até 2035 exigirá uma média de 4,17% de crescimento anual na próxima década — um desafio viável, segundo analistas, dada a resiliência do setor exportador e os avanços em inovação.

Para Pequim, o crescimento de 2025 foi “duramente conquistado”, nas palavras de Kang Yi, chefe do NBS, que reconheceu a combinação de forte oferta e demanda fraca como um desafio central. Ainda assim, os dados mostram que a China conseguiu preservar dinamismo econômico e ampliar sua presença global justamente no momento em que Washington tenta limitar sua influência.

“Alcançar mais um ano de crescimento sólido em 2026 será crucial para dar um bom início ao novo ciclo de planejamento”, destacou Lynn Song. Enquanto isso, a capacidade da China de navegar em águas turbulentas — mantendo metas, expandindo mercados e reestruturando sua economia — reforça seu papel central na economia global, mesmo sob pressão geopolítica intensa.

O resultado reforça a percepção de que a disputa entre China e Estados Unidos ultrapassa o campo comercial e assume contornos estratégicos e sistêmicos. Ao sustentar o crescimento via exportações e indústria, Pequim sinaliza que, apesar das barreiras impostas pelos EUA, segue avançando em direção ao objetivo de se tornar uma economia moderadamente desenvolvida até 2035 — ainda que o caminho à frente se mostre mais estreito e complexo.

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