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China condena ameaça tarifária de Trump e defende soberania do Irã

A China condenou a nova ofensiva tarifária anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países que mantêm relações comerciais com o Irã e reafirmou a defesa da soberania iraniana, em meio ao risco de reabertura da guerra comercial entre Pequim e Washington.

Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (12), a porta-voz Mao Ning afirmou que a China “sempre se opõe à interferência em assuntos internos de outros países” e defendeu que “a soberania e a segurança de todos os Estados sejam plenamente protegidas pelo direito internacional”. 

Segundo ela, Pequim rejeita o uso ou a ameaça do uso da força como instrumento de pressão política e econômica, e apelou para que todas as partes ajam de maneira a preservar a estabilidade no Oriente Médio.

A declaração da porta-voz chinesa é reação à nova rodada de ameaças comerciais anunciada por Trump, que declarou a intenção de impor uma tarifa de 25% a países que mantêm relações econômicas com o Irã. 

A reação oficial foi reforçada pela embaixada da China em Washington. Em nota, o porta-voz Liu Pengyu afirmou que Pequim “se opõe firmemente a quaisquer sanções unilaterais ilícitas e à jurisdição extraterritorial de longo alcance” e declarou que o governo chinês tomará “todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”.

O anúncio, feito por meio das redes sociais do presidente norte-americano, foi interpretado por Pequim como parte de uma escalada de pressão política e econômica que combina sanções, intimidação comercial e retórica de força em meio à instabilidade interna iraniana.

Pequim é hoje o principal parceiro comercial do Irã e seu maior comprador de petróleo, relação que ajuda a explicar a reação imediata do governo chinês às novas ameaças tarifárias anunciadas por Donald Trump. Mesmo sob sanções impostas por Washington, o comércio entre os dois países segue ativo e com peso estratégico para ambos.

Dados oficiais do governo chinês indicam que, apenas nos primeiros 11 meses de 2025, o intercâmbio bilateral somou cerca de US$9 bilhões, incluindo US$6,2 bilhões em exportações da China para o Irã e US$2,85 bilhões em importações iranianas por Pequim — sem contabilizar integralmente as compras de petróleo, frequentemente realizadas por meio de intermediários.

Analistas internacionais estimam que mais de 90% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino o mercado chinês, o que transforma a relação energética em um dos principais pilares da economia iraniana e em um fator relevante para a segurança energética da China.

Além do comércio de energia, o Irã ocupa posição estratégica na Iniciativa do Cinturão e Rota, a Nova Rota da Seda, funcionando como corredor logístico entre a Ásia, o Oriente Médio e a Europa — elemento central da projeção econômica chinesa na região.

Pequim é hoje o principal parceiro comercial do Irã e o principal destino de suas exportações de petróleo, mesmo após anos de sanções impostas pelos Estados Unidos. Segundo dados oficiais da Administração Geral de Alfândegas da China, o comércio bilateral entre os dois países somou cerca de US$ 9 bilhões nos primeiros 11 meses de 2025, mantendo a China como o maior elo econômico externo de Teerã.

No período, a China exportou aproximadamente US$6,2 bilhões em mercadorias ao Irã e importou US$2,85 bilhões em produtos iranianos. 

Os números oficiais, porém, não incluem a totalidade das compras de petróleo iraniano pela China, grande parte delas realizadas por meio de intermediários e refinarias independentes para contornar as sanções norte-americanas.

Estimativas de analistas internacionais indicam que mais de 80% a 90% do petróleo exportado pelo Irã tem como destino final a China, o que faz do mercado chinês a principal fonte de divisas do país em meio ao cerco econômico ocidental. 

Embora as grandes estatais chinesas tenham reduzido operações diretas desde 2022 para evitar sanções secundárias, refinarias privadas seguem absorvendo volumes significativos do petróleo iraniano.

Além da energia, o Irã ocupa posição estratégica nos planos chineses de integração euroasiática. 

O país é um dos principais corredores terrestres e logísticos da Iniciativa do Cinturão e Rota, a Nova Rota da Seda, conectando a China ao Oriente Médio, ao Cáucaso e à Europa. A eventual interrupção dessa relação teria impacto direto não apenas sobre a economia iraniana, mas sobre a arquitetura logística e energética que sustenta a projeção chinesa na região.

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