
A China elevou o tom contra os Estados Unidos ao reagir às medidas do governo Donald Trump contra Cuba. Nesta terça-feira (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, instou Washington a “pôr fim imediatamente” ao bloqueio e às sanções impostas à ilha, classificando-as como violações do direito internacional que “privam o povo cubano do direito à sobrevivência e ao desenvolvimento”.
Segundo Guo, a política norte-americana não apenas agrava a crise econômica cubana, mas também mina a paz e a estabilidade regional. Para Pequim, trata-se de uma estratégia de coerção que penaliza a população civil e reforça práticas unilaterais historicamente condenadas em fóruns multilaterais.
Apoio chinês a Havana em resposta à pressão dos EUA
Em resposta direta ao endurecimento das sanções sob Trump, a China anunciou que “continuará a fornecer apoio e assistência a Cuba dentro de suas capacidades”. O posicionamento ocorre após reportagens indicarem que a Casa Branca avalia um bloqueio total às importações de petróleo destinadas à ilha, medida considerada “alarmante” também pela Rússia.
Pequim já aprovou, em janeiro, um pacote de ajuda emergencial a Cuba, que inclui US$ 80 milhões em assistência financeira e a doação de 60 mil toneladas de arroz. Para o governo cubano, essas iniciativas contrastam com a política norte-americana, vista como o principal fator externo por trás da escassez de combustível, apagões frequentes e queda abrupta do turismo.
Crise econômica e o peso das sanções norte-americanas
Cuba vive uma das piores crises de sua história recente. O colapso do turismo, a escassez de produtos básicos e a crise energética são agravados, segundo Havana, pelo recrudescimento das sanções dos EUA. Dados oficiais apontam que o país perdeu quase US$ 8 bilhões em receitas entre março de 2024 e fevereiro de 2025 em razão das restrições impostas por Washington.
Coordenação com a Rússia como contrapeso geopolítico
O posicionamento chinês sobre Cuba ocorre em paralelo ao fortalecimento da coordenação estratégica com a Rússia. Em videoconferência nesta terça-feira, o ministro da Defesa da China, Dong Jun, afirmou ao seu homólogo russo, Andrei Belousov, que Pequim está disposta a “fortalecer a coordenação estratégica” e aprimorar conjuntamente a capacidade de resposta a riscos globais.
Segundo a mídia chinesa, os dois países veem ações dos EUA em regiões como Venezuela, Irã e Caribe como sinais de instabilidade que exigem análises constantes e respostas coordenadas. Moscou classificou como “alarmante” a possibilidade de um bloqueio energético total a Cuba, reforçando a leitura de que Washington amplia frentes de pressão simultâneas.
Multilateralismo versus unilateralismo
Para Pequim, o confronto em torno de Cuba simboliza um embate mais amplo entre modelos de ordem internacional. Ao criticar abertamente os EUA, a China se apresenta na defesa do multilateralismo e do respeito à soberania, enquanto acusa Washington de recorrer a sanções, bloqueios e intervenções como instrumentos de política externa.
Nesse contexto, o apoio a Havana e a intensificação da parceria com Moscou funcionam como sinais políticos claros: diante da ofensiva de Trump, Pequim aposta na articulação com aliados para conter a influência norte-americana e denunciar o custo humano das sanções impostas pelos Estados Unidos.
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