
Em um momento de grave tensão no Oriente Médio, a diplomacia chinesa subiu o tom para condenar as recentes medidas de força adotadas pelos Estados Unidos contra a República Islâmica do Irã. Pequim manifestou apoio formal à soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz e criticou o bloqueio naval imposto pelo governo de Donald Trump.
O posicionamento foi revelado pelo chanceler chinês, Wang Yi, durante interlocução com o diplomata iraniano, Seyed Abbas Araghchi. Segundo comunicado oficial repercutido pelo Global Times, Yi defendeu que os direitos legítimos do Irã como Estado costeiro devem ser rigorosamente respeitados pela comunidade internacional. “A soberania, a segurança e os direitos e interesses legítimos do Irã como Estado costeiro do Estreito de Ormuz devem ser respeitados e defendidos”, afirmou o chanceler chinês.
O fracasso do bloqueio e a resistência de Teerã
A ofensiva de Washington, que tenta asfixiar a economia persa através da interrupção do fluxo de seus portos, tem encontrado resistência tanto diplomática quanto técnica. Apesar das ameaças do Comando Central dos EUA (CENTCOM) de interceptar embarcações não autorizadas, o cerco apresenta fissuras evidentes.
Dados de monitoramento marítimo, como os da plataforma MarineTraffic, confirmam que navios petroleiros continuam a desafiar as sanções norte-americanas. Casos como o das embarcações Argo Maris e Rich Starry ilustram a dificuldade dos EUA em manter um controle absoluto sobre as águas do Golfo Pérsico. A agência iraniana Fars destacou recentemente o sucesso da travessia de um superpetroleiro com capacidade para 2 milhões de barris, colocando em xeque a eficácia real da estratégia ianque.
China defende cessar-fogo abrangente e duradouro
Para além da solidariedade política, a postura de Pequim reflete o pragmatismo da segurança energética chinesa. Atualmente, mais de 90% das exportações de petróleo iraniano têm como destino as refinarias da China. Ao classificar a interrupção da livre navegação como “irresponsável”, Wang Yi não apenas protege o fornecimento de seu país, mas também reforça a tese do multipolarismo contra a hegemonia unilateral dos Estados Unidos.
A China tem reiterado a necessidade de um “cessar-fogo abrangente e duradouro” que envolva os EUA, Israel e o Irã, buscando evitar que o comércio global se torne refém de manobras militares de isolamento. Enquanto os EUA apostam no confronto, a aliança estratégica entre Pequim e Teerã sinaliza que o cerco imperialista enfrenta um cenário de esgotamento diante da resiliência soberana dos povos e da nova correlação de forças global.
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