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China é a grande vencedora da crise de Ormuz, diz NYT

A China emerge como uma das principais beneficiárias da crise provocada pela guerra de agressão imperialista dos Estados Unidos contra o Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, segundo análise publicada nesta segunda-feira (29) pelo jornal norte-americano The New York Times, com base em estudo elaborado pelo grupo de consultoria Asia Group.

Enquanto o conflito elevou os preços globais da energia e provocou dificuldades econômicas em diversos países asiáticos dependentes das rotas do Golfo Pérsico, Pequim conseguiu absorver os impactos com maior eficiência graças às suas reservas estratégicas de petróleo e gás, ao crescimento das fontes renováveis e à capacidade do Estado de coordenar políticas industriais e comerciais.

“O resultado é que a China reforça sua posição como um dos locais mais competitivos para a manufatura global”, afirma a reportagem.

O estudo analisou os efeitos das interrupções no tráfego do Estreito de Ormuz sobre as economias asiáticas e concluiu que a crise demonstrou a capacidade chinesa de utilizar instrumentos como subsídios, controles de exportação, administração cambial e planejamento energético para amortecer choques externos.

Segundo o relatório, a turbulência também fortaleceu a imagem internacional da China como parceiro estável em contraste com a instabilidade provocada pelas ações dos Estados Unidos na região.

“É difícil não chegar à conclusão de que a China saiu vencedora”, afirmou Kurt Campbell, presidente do Asia Group e ex-secretário adjunto de Estado dos Estados Unidos durante o governo de Joe Biden.

Energia e indústria

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Cerca de 80% do petróleo e 90% do gás natural consumidos pela Ásia passam pela passagem localizada entre o Irã e a Península Arábica.

Além dos combustíveis, a região é fundamental para o fornecimento de matérias-primas industriais como nafta, utilizada na produção de plásticos e produtos químicos; hélio, empregado na fabricação de semicondutores; e enxofre, necessário para o processamento de cobre, níquel e minerais estratégicos usados em baterias e sistemas elétricos.

Apesar de continuar dependente de parte desses insumos, a China conseguiu reduzir os impactos da crise utilizando estoques acumulados anteriormente e restringindo exportações de derivados de petróleo para priorizar o abastecimento interno.

De acordo com a análise, as importações chinesas de petróleo caíram mais de 30% em maio na comparação anual, o que ajudou o país a preservar reservas e reduzir sua exposição imediata à volatilidade dos mercados.

Dificuldades para Índia, Japão e Sudeste Asiático

Enquanto a economia chinesa conseguiu amortecer os efeitos da crise, outros países asiáticos enfrentam dificuldades mais severas.

Na Índia, o aumento dos preços de fertilizantes, combustíveis e alimentos tem ampliado a pressão sobre o governo. O relatório aponta que a combinação entre custos mais elevados e a perspectiva de chuvas abaixo da média pode afetar milhões de trabalhadores rurais.

No Japão, o aumento dos gastos com subsídios energéticos e a escassez de insumos industriais já provocam cortes de produção em montadoras e ampliam a pressão sobre as contas públicas.

Já no Sudeste Asiático, diversos governos recorreram a empréstimos emergenciais e à ampliação de subsídios para conter os impactos econômicos. As Filipinas declararam emergência energética nacional, enquanto produtores de níquel da Indonésia reduziram sua produção por falta de ácido sulfúrico.

Nesse contexto, cresce a demanda regional por painéis solares, baterias e veículos elétricos produzidos pela China, setores nos quais o país já ocupa posição dominante.

Impactos geopolíticos

O relatório também aponta que a crise pode frear a estratégia adotada por diversas multinacionais nos últimos anos de transferir parte de sua produção da China para países do Sudeste Asiático, como Vietnã, Indonésia e Tailândia.

Segundo os analistas, essas economias foram mais afetadas pelo aumento dos custos de energia, transporte e matérias-primas provocado pelas interrupções no Estreito de Ormuz. Como consequência, parte da vantagem de custos que atraía investimentos industriais para a região tende a diminuir.

Enquanto isso, a China conseguiu amortecer melhor os efeitos da crise por meio de suas reservas energéticas, de políticas de subsídio e de sua ampla capacidade industrial. Para o estudo, isso reforça a posição chinesa como principal polo manufatureiro da Ásia, mesmo em um cenário de tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias globais de produção.

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