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China e Rússia apoiam sucessor no Irã contra ameaças de Trump

A geopolítica mundial atingiu um novo patamar com a consolidação da sucessão no Irã. Num processo conduzido sob explosões e cerco imperialista, a Assembleia de Peritos elegeu Mujtaba Khamenei como o novo Líder Supremo. A resposta das potências globais foi imediata. O eixo Pequim-Moscou ratificou a legitimidade do pleito, já a Casa Branca aprofundou as ameaças diretas, classificando a posse de Mujtaba Khamenei como “inaceitável”.

A rapidez com que China e Rússia enviaram seus reconhecimentos sinaliza uma barreira diplomática contra o isolamento pretendido pelo Ocidente. Vladimir Putin prometeu continuidade à cooperação estratégica, enquanto o governo chinês — que coordena a retirada de mais de 10 mil cidadãos da zona de conflito — defendeu a eleição como um ato de autodeterminação contra o “hegemonismo unilateral”.

Já o Brasil e outras nações latino-americanas mantiveram silêncio. No campo oposto, as potências do G7 — com destaque para Reino Unido, Alemanha e Canadá — alinharam-se ao ultimato de Donald Trump, classificando a eleição como “ilegítima” e “uma afronta às aspirações democráticas”‘. Contudo, esse alinhamento não é unânime: a França e a Espanha têm manifestado críticas abertas à condução militar de Washington, com o presidente Emmanuel Macron classificando as operações ofensivas como “‘fora do direito internacional”, o que evidencia uma crise de unidade na aliança transatlântica diante da resistência soberana de Teerã.

Por que a derrota do Irã seria um desastre para os vizinhos

Para os países que compartilham fronteiras diretas com a República Islâmica — Turquia, Azerbaijão e Armênia —, o discurso de “mudança de regime” pregado por Trump e Benjamin Netanyahu é visto com profundo receio. Embora existam divergências históricas, esses países compreendem que o Irã é a peça que impede um colapso em cadeia na região.

Para essas nações, a derrota iraniana provocaria uma crise de refugiados sem precedentes, em que Turquia e a Armênia seriam os destinos imediatos de milhões de deslocados, agravando crises humanitárias e sociais internas. O vácuo de poder com eventual enfraquecimento de Teerã abriria espaço para o armamento de grupos separatistas nas fronteiras, ameaçando a integridade territorial da própria Turquia. E, por fim, promoveria uma Insegurança energética, interrompendo o fluxo de gás natural e a segurança de rotas comerciais vitais para o Azerbaijão.

O comércio com os vizinhos permanece mesmo com a guerra

O comércio entre Turquia e Irã segue normalizado, com o intercâmbio atingindo US$ 5,5 bilhões em 2025. Ancara, que depende do gás iraniano para abastecer 14% do suprimento local, mantém funcionando transações e negócios. O que revela que a estabilidade de Teerã é, antes de tudo, uma necessidade econômica para os vizinhos. A Turquia já sinalizou que o pior para o Irã é o pior para todos os vizinhos. O entendimento em Ancara é de que a destruição da soberania iraniana só serve aos interesses de forças extrarregionais que buscam redesenhar o mapa da região por meio do caos.

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