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China rejeita pretexto de Trump sobre Groenlândia e nega ser ameaça

A China rejeitou nesta quinta-feira (22) a narrativa de “ameaça chinesa” mobilizada pelos Estados Unidos e pela OTAN em torno da Groenlândia e acusou o governo de Donald Trump de usar pretextos infundados para justificar interesses estratégicos e econômicos no Ártico.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou nesta quarta-feira (21) que “a chamada ‘ameaça chinesa’ não tem fundamento” e declarou que Pequim se opõe “à prática de fazer acusações infundadas e usar a China como pretexto para ganhos egoístas”. 

Jiakun ressaltou que a condução das relações entre países deve respeitar “os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

Questionado pela BBC sobre a leitura chinesa do agravamento das tensões entre Estados Unidos e Europa em torno da Groenlândia, Jiakun afirmou que, independentemente da evolução do cenário internacional, a condução das relações entre países deve respeitar “os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas”.

O porta-voz afirmou que a China segue uma política externa independente e pacífica, declarou que Pequim “não tem intenção e não competirá por influência com nenhum país” e disse que o país busca manter-se como uma “força positiva e estável” nas relações internacionais.

A reação de Pequim ocorre diante da intensificação, nas últimas semanas, da ofensiva política do governo Trump para anexar a Groenlândia, território semiautônomo sob soberania da Dinamarca.

Trump afirma que os Estados Unidos “precisam” da ilha por razões de segurança nacional, enquanto a OTAN sustenta que China e Rússia não devem ter acesso à economia ou à infraestrutura militar do território.

O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou em Davos, durante um evento paralelo do Fórum Econômico Mundial, que “vamos garantir que os chineses e os russos não obtenham acesso à economia da Groenlândia nem à Groenlândia do ponto de vista militar”.

Analistas apontam que o avanço do degelo no Ártico tem ampliado o interesse dps Estados Unidos pela região, ao abrir novas rotas marítimas e potencializar a exploração de recursos naturais. 

A Groenlândia, em especial, é citada como área estratégica por concentrar reservas minerais, mas também por sua posição em rotas que, com a retração do gelo, podem reduzir significativamente o tempo de navegação entre a Ásia e a Europa, tornando alguns trajetos mais rápidos do que a rota tradicional pelo Canal de Suez.

É nesse contexto que o governo chinês acusa Washington de agir a partir de interesses próprios ao mobilizar a narrativa de “ameaça chinesa”. 

Segundo Pequim, o uso de acusações infundadas em torno da segurança no Ártico funciona como pretexto para a disputa por vantagens estratégicas e econômicas, sem que a China represente uma ameaça competitiva à região.

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