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Colômbia restringe equipes estrangeiras de resgate após terremoto e não autoriza brigada do México

A Colômbia de Abelardo de La Espriella restringiu a entrada de equipes estrangeiras de busca e salvamento após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o noroeste do país na segunda-feira (10). Entre as equipes que não receberam autorização está a brigada de resgate do México, país governado pela presidente Claudia Sheinbaum, liderança de esquerda. Leia em TVT News.

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Até o momento, a Unidade Nacional para a Gestão de Riscos de Desastres (UNGRD) informou que autorizou operações de busca e resgate enviadas por quatro países: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. A decisão provocou críticas de setores da oposição colombiana, que acusaram o governo recém-empossado de Abelardo de la Espriella de privilegiar países governados por forças políticas de direita.

O governo colombiano, porém, rejeita essa interpretação e afirma que a seleção das equipes segue critérios técnicos. Segundo a UNGRD, os grupos autorizados precisam ser autônomos, possuir equipamentos próprios e contar com certificação internacional do Grupo Consultivo Internacional de Busca e Salvamento (Insarag), ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

México ofereceu equipe de resgate, mas Colômbia recusou

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, afirmou que a brigada de socorro de seu país estava preparada para viajar à Colômbia, mas não recebeu autorização das autoridades locais. Segundo ela, o governo colombiano solicitou certificações adicionais para permitir a atuação dos socorristas mexicanos.

“A brigada de resgate do Ministério da Defesa Nacional não foi aprovada pelo governo da Colômbia”, afirmou Sheinbaum durante uma coletiva. A presidente acrescentou que as autoridades colombianas fizeram uma primeira exigência de certificação e, posteriormente, solicitaram outra documentação.

Sheinbaum destacou que a equipe mexicana possui experiência em operações internacionais de emergência e já prestou assistência em 98 países. Segundo a presidente, os socorristas permanecem preparados para viajar caso a autorização seja concedida.

Apesar da restrição à equipe de busca e salvamento, o México continuou enviando ajuda humanitária à Colômbia. De acordo com Sheinbaum, aeronaves Hércules transportaram cestas básicas, medicamentos e outros materiais solicitados pelo governo colombiano.

A previsão apresentada pela presidente mexicana é de que mais de 58 toneladas de ajuda humanitária sejam encaminhadas ao país até esta sexta-feira (14), incluindo água e medicamentos.

Governo colombiano nega critério político

A decisão de aceitar equipes de apenas quatro países alimentou uma disputa política na Colômbia. Opositores do governo de Abelardo de la Espriella afirmam que a escolha teria relação com o alinhamento ideológico dos governos estrangeiros autorizados.

Os quatro países inicialmente autorizados são governados por lideranças identificadas com a direita: Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador. O México, por sua vez, é governado por Claudia Sheinbaum, do partido Morena, uma força política de esquerda.

O governo colombiano nega que a orientação política dos países seja utilizada como critério para selecionar as equipes. O diretor da UNGRD, David Tamayo, afirmou que os grupos autorizados atendem aos requisitos internacionais estabelecidos para operações de busca e salvamento.

Há, contudo, questionamentos sobre a aplicação desse critério. Informações citadas nas reportagens que servem de base para esta matéria apontam que El Salvador não possuiria uma equipe com a classificação do Insarag mencionada pelas autoridades colombianas, embora tenha sido incluído entre os países autorizados.

A situação colocou em evidência a discussão sobre os critérios adotados para receber auxílio internacional em uma situação de emergência. Em operações desse tipo, a chegada de equipes estrangeiras envolve questões de segurança, logística, coordenação com as autoridades locais e compatibilidade dos equipamentos utilizados.

Terremoto deixou mortos e desaparecidos

O terremoto de magnitude 7,4 atingiu o noroeste da Colômbia na segunda-feira (10) e provocou uma operação de emergência para localizar vítimas e atender as áreas afetadas. Segundo as informações apresentadas pelas autoridades no momento do episódio, mais de 260 pessoas haviam morrido e cerca de 500 estavam desaparecidas.

A dimensão da tragédia levou países estrangeiros a oferecerem auxílio. A Colômbia decidiu concentrar as operações de busca e salvamento nas equipes estrangeiras que considera aptas a cumprir os requisitos estabelecidos pela gestão de riscos.

O México possui experiência particular em situações desse tipo. O país é frequentemente afetado por terremotos e mantém grupos especializados em operações de resgate. A própria Sheinbaum ressaltou a experiência dos socorristas mexicanos e afirmou que eles já atuaram em diferentes partes do mundo.

Em meio às restrições oficiais, um grupo de socorristas civis venezuelanos chegou à Colômbia por conta própria. Conhecidos como “Topos”, os voluntários também questionaram as limitações impostas à participação de equipes estrangeiras nas operações.

Ajuda humanitária segue sendo enviada

A negativa à brigada mexicana não impediu a continuidade da cooperação entre os dois países. A administração de Sheinbaum informou que mantém o envio de alimentos, água, medicamentos e outros materiais para atender as vítimas do terremoto.

A diferença entre a ajuda humanitária e as operações de busca e salvamento está no centro da resposta mexicana. Enquanto a brigada de resgate aguarda autorização para atuar diretamente na localização e retirada de vítimas, os suprimentos enviados pelo governo mexicano já integram o auxílio destinado às comunidades afetadas.

Sheinbaum também evitou tratar o episódio como um conflito diplomático com a Colômbia. A presidente afirmou que os socorristas mexicanos permanecem à disposição e que o governo respeita os procedimentos adotados pelas autoridades colombianas.

A discussão ocorre em um momento de mudança política na Colômbia, após a posse de Abelardo de la Espriella. A decisão sobre quais países podem participar das operações de emergência passou a ser acompanhada também sob o ponto de vista das relações políticas entre governos latino-americanos.

Até o momento, contudo, a justificativa oficial para a restrição é técnica: a UNGRD afirma que considera requisitos internacionais de certificação, autonomia e estrutura operacional. A acusação de que houve preferência por governos de direita é atribuída à oposição e não foi confirmada pelo governo colombiano.

O episódio mantém aberta a discussão sobre a forma como a Colômbia organizará a cooperação internacional enquanto prosseguem as operações de atendimento às vítimas do terremoto.

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