A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta quarta-feira (08/07) a convocação do ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre um documento em que ele menciona a “possibilidade de uso da força militar dos Estados Unidos em território brasileiro”.
O requerimento se baseia em uma carta assinada pelo chanceler e enviada à Câmara dos Deputados na semana passada, em resposta a questionamentos feitos pelos parlamentares sobre a medida do governo de Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
No documento, Vieira afirma que a medida pode trazer “sérias possibilidades de implicações para os cidadãos brasileiros em questões financeiras, imigratórias e criminais”. O texto acrescenta que, entre os possíveis desdobramentos, “existe a possibilidade do uso da força militar pelos Estados Unidos em território brasileiro”.

Agência Brasil
Itamaraty nega risco de ação militar
Apesar da afirmação no documento oficial, o Itamaraty esclareceu que não há nenhum elemento novo que indique a possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil. A pasta também argumentou que a classificação das facções como organizações terroristas “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento do crime organizado”.
O requerimento de convocação foi apresentado pelo deputado Evair de Melo (Republicanos-ES), o mesmo parlamentar que havia solicitado informações à chancelaria sobre a classificação do PCC e do CV. Segundo a CNN Brasil, o deputado classificou a resposta do Ministério das Relações Exteriores como “precária e frágil” e defendeu que Vieira esclareça o conteúdo do ofício perante a comissão.
O governo dos Estados Unidos também reagiu e classificou como “absurda” a hipótese de uma ação militar em território brasileiro. Em comunicado à imprensa, o Departamento de Estado norte-americano reforçou que o país está “tomando medidas decisivas, no exercício de sua própria autoridade soberana, para combater narcoterroristas”.
Ainda segundo Washington, as facções criminosas brasileiras supostamente teriam passado a atuar também em território dos Estados Unidos e, por esse motivo, as medidas extraterritoriais têm como objetivo proteger a população norte-americana, sem qualquer previsão de intervenção militar no Brasil.
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