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Conab antecipa opção para que produtor de arroz do RS venda alimento ao governo federal

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, nessa sexta-feira (21), a antecipação do contrato de opção de venda dos produtores de arroz da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul para a formação de estoque público do governo federal. O estado gaúcho é responsável por 70% da produção nacional de arroz, alimento considerado essencial na mesa das famílias brasileiras.

Quem optar por vender seu produto para a Conab ao final da colheita, prevista para abril e maio, receberá R$ 82,85 por cada saco de 50 kg de arroz. Neste momento, o mercado está pagando em torno de R$ 76 para os produtores de municípios da região gaúcha. São 1.233 contratos de produtores da Fronteira Oeste que podem exercer a escolha de vender seu arroz para a Conab, totalizando um potencial de 33 mil toneladas do produto.

Presidente da Conab, Edegar Pretto disse que a estimativa é o Brasil colher 12 milhões de toneladas de arroz na atual safra. Apesar do bom número, a avaliação é de que o preço pago ao produtor deve diminuir nos próximos meses devido a maior oferta do alimento no mercado internacional em função da maior produção do Mercosul e principalmente da Índia, o maior produtor mundial de arroz. Sozinho, o país asiático estima produzir 200 milhões de toneladas na próxima safra. Após segurar o estoque do alimento para consumo interno nos últimos anos, a Índia anunciou que agora irá aumentar a oferta do produto no mercado internacional – o que deve baixar o preço pago aos produtores no mundo todo.

Durante o anúncio, na sede da Conab em Porto Alegre, Pretto explicou que o produtor tem a opção de vender para a companhia, mas pode decidir de modo diferente, se avaliar que o mercado está pagando mais. Nesse sentido, destacou o presidente da estatal, o objetivo do governo federal é “estender a mão ao produtor” e se oferecer como garantia de compra.

“Queremos fazer estoque e garantir a mão amiga para o produtor. É um bom gesto que estamos fazendo ao produtor do Rio Grande do Sul”, afirmou Pretto, destacando que a medida se relaciona com a tragédia vivida pelos gaúchos com a enchente de 2024 e com a atenção que o governo federal dá para um alimento essencial.

 

Ao centro, o presidente da Conab, Edegar Pretto, durante anúncio das medidas. Foto: Divulgação/Conab

Preço ao consumidor

A medida anunciada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) se insere no contexto do esforço do governo federal em agir para tentar diminuir o preço dos alimentos comprados pelos brasileiros. Nesse sentido, Edegar Pretto disse que o governo pretende se reunir com o setor atacadista para garantir que a redução do valor pago ao produtor também tenha reflexo na diminuição do preço do produto final na gôndola do supermercado.

“Deve cair para o consumidor, mas ainda não está no preço justo na mesma medida em que caiu para o produtor. Então essa é também uma ação para o produtor não desanimar e não parar de produzir”, explicou.

Gerente de Produtos Agropecuários da Conab, Sérgio dos Santos Júnior ponderou que há um tempo em torno de seis semanas entre a venda do arroz pelo produtor e a chegada do alimento no mercado. Assim, ele defendeu que a ação da companhia, além de apoiar o produtor ao garantir a venda, visa reduzir o preço final do arroz no médio e longo prazo.

Pretto ainda completou explicando que a pretensão da Conab não é fazer um grande estoque de arroz, mas ter alguma capacidade para agir e tentar equilibrar o preço quando for necessário. “Estoque público é uma política com duas mãos: a primeira para o produtor quando cai o preço e a segunda para o consumidor, para equilibrar o preço para baixo. Esse é o grande poder dos estoques públicos.”

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