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Conam elege Tonhão presidente e encerra Congresso em Fortaleza

A Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam) encerrou, neste domingo (12), o seu 15º Congresso Nacional, em Fortaleza (CE), com a eleição, por aclamação, de Antonio Pedro de Sousa, o Tonhão, para a presidência da entidade. A plenária final também aprovou a nova direção nacional, formada por 93 dirigentes de 24 estados brasileiros, e consolidou as diretrizes políticas que orientarão a atuação do movimento comunitário nos próximos anos.

Realizado entre os dias 10 e 12 de julho, na Universidade Federal do Ceará (UFC), o congresso reuniu cerca de 500 delegados e lideranças comunitárias de todo o país sob o lema “Democracia, Soberania e Direitos”. Ao longo de três dias, os participantes debateram temas como reforma urbana, moradia, fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), economia solidária, combate ao feminicídio, juventude, participação popular e soberania nacional.

A eleição marcou o encerramento do segundo mandato de Getúlio Vargas Júnior, que conduziu a entidade durante um dos períodos mais desafiadores de sua história, atravessando a pandemia de Covid-19 e a retomada da atuação presencial do movimento comunitário.

Em clima de unidade, Getúlio conduziu a aclamação da nova diretoria e destacou o caráter coletivo da transição. “Vamos ter esse privilégio de passar o bastão para a turma que vai vir depois”, afirmou aos delegados durante a plenária final.

Ao fazer um balanço da gestão, ele ressaltou que a força da entidade não está apenas na direção nacional, mas principalmente nas comunidades organizadas. “Tão importante quanto eleger uma nova diretoria é eleger um time e sair daqui para que, nos territórios, a gente tenha eco. Porque a força da Conam reside em quem está na base.”

Sob nova direção

Secretário da Conam na gestão anterior e dirigente da Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (FACESP), Tonhão assume a presidência com o compromisso de ampliar a organização comunitária e fortalecer a atuação nacional da entidade.

Em seu discurso, destacou que o principal papel da Conam é formar lideranças comprometidas com os interesses da população. “A importância da Conam, das nossas federações estaduais e municipais, é organizar e conscientizar as lideranças. São lideranças que, além de lutar, sabem como defender o interesse da população”, afirmou.

Segundo ele, o movimento comunitário precisa seguir articulando as reivindicações dos bairros às grandes pautas nacionais. “Aqui nós somos um time. Aqui não existe um iluminado que vai resolver todos os problemas da luta comunitária no Brasil.”

Tonhão também defendeu a renovação da entidade com maior participação da juventude e reafirmou o compromisso de manter a Conam como referência nacional na defesa da democracia, da soberania e das políticas públicas.

Documento político e prioridades

Ao longo dos três dias de debates, o Congresso consolidou um conjunto de resoluções em cinco eixos centrais. Na Reforma Urbana, os delegados fizeram algumas críticas ao ritmo de execução do Minha Casa, Minha Vida – Entidades (MCMV-Entidades) e reivindicaram melhorias no transporte público. Na Saúde, foi reafirmada a defesa do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Já na pauta trabalhista, houve apoio unânime ao fim da escala 6×1.

O combate ao feminicídio e a criação de redes comunitárias de proteção nos bairros também foram aprovados entre as prioridades da nova gestão, assim como o fortalecimento da economia solidária e criativa, apontada como estratégia de soberania territorial. A juventude, o esporte e a inclusão social foram destacados como motores de renovação das lideranças comunitárias para o próximo período.

O congresso também reafirmou a solidariedade internacional da entidade aos povos de Cuba e da Venezuela e voltou a defender a soberania nacional diante das tensões geopolíticas e das sanções impostas a países latino-americanos.

Homenagens à trajetória do movimento

A plenária final foi marcada por uma série de homenagens a dirigentes históricos da Conam e do movimento comunitário brasileiro. O momento mais emocionante foi a reafirmação da homenagem à dirigente Maura Augusta, que deu nome ao 15º Congresso.

Ex-presidenta da FACESP, integrante da direção executiva da Conam e militante do PCdoB, Maura foi lembrada por sua atuação em defesa da reforma urbana, da igualdade racial, dos direitos das mulheres e da organização popular.

Ao prestar homenagem à companheira, Tonhão destacou que seu legado continuará inspirando o movimento. “Maura deixa uma lacuna que não será fácil ser ocupada, mas deixa um grande legado. As pessoas se mobilizam mais pelos exemplos do que apenas pelo discurso.”

Também receberam homenagens lideranças históricas como Márcia Campos, coorganizadora do primeiro congresso da Conam, Oscar Pessoa, Pedro Dias e diversos dirigentes comunitários do Ceará e de outros estados, em reconhecimento à contribuição para a construção da entidade ao longo de seus 44 anos de história.

Ao fim do encontro, a nova diretoria já declarou sua principal tarefa para o período eleitoral: mobilizar as bases em defesa da reeleição do presidente Lula. “Esse time vai colocar a Conam num patamar ainda mais elevado e vai levar a representação do povo aonde deve ser colocada em frente ao poder público”, resumiu Tonhão, ao agradecer aos delegados que viajaram de diferentes regiões do país para participar do Congresso.

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