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Concurso “Desafio Contra Bets” vai premiar criadores de conteúdo para alertar sobre riscos de apostas

Termina no próximo domingo (12) o prazo para envio de propostas no “Desafio Contra Bets”, um concurso destinado a criadores de todo o país na produção de conteúdos sobre o tema. 

A proposta é uma mobilização criativa com o objetivo de expor os os impactos sociais e econômicos da indústria das apostas online durante a Copa do Mundo, período em que as bets dominam o futebol. A ação vai distribuir prêmios em dinheiro em quatro categorias: “Furou a Rede”, “Tirou de Letra”, “IA em campo” e “Craque da Copa”. 

O kit do criador traz todas as informações para a participação, com o detalhamento da pauta e o edital completo com caminhos narrativos que os criadores podem seguir, as regras de publicação e valores da premiação. 

O Desafio Contra Bets é promovido pelo Projeto Brief, em parceria com organizações que trabalham na causa como Block no Tigrinho, Brasil Fora da Caverna, Sleeping Giants, Bonde, Idec, Clarice, ACT, Instituto DX, Escola de Ativismo, IEPS e Avaaz. 

De acordo com os organizadores do desafio, as apostas online se tornaram uma indústria que captura a renda das famílias, principalmente as mais pobres, empurrando milhões de pessoas para o endividamento. 

“A indústria dos jogos de azar sequestrou uma paixão nacional. Estamos sendo impactados por propagandas de apostas em todas as transmissões dos jogos, na publicidade realizada por atletas, locutores e influenciadores, nos intervalos das partidas. É preciso alertar sobre os impactos negativos dessa indústria nociva, que está sendo vendida como entretenimento, e até investimento, quando na realidade é responsável pelo endividamento e pela ruína de milhões de famílias brasileiras”, comenta Carol Luck, coordenadora do Projeto Brief.

A antropóloga, especialista em comportamento digital, afirma que a ideia é trazer um contraponto à situação. “Queremos mobilizar criadores de conteúdo de todo o Brasil para colocar essa pauta no centro do debate público, justamente agora que o tema se tornou impossível de ignorar”, diz. 

Contexto

Na última sexta-feira (26), o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) emitiu uma liminar contra propagandas abusivas de casas de apostas divulgadas pelo canal CazéTV durante a Copa do Mundo. Desde o início das transmissões, o volume e a forma como os anúncios foram realizados incomodou uma grande parcela da audiência, que pressionou o tema nas redes sociais. 

Segundo estimativas da CNC, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o rombo das apostas esportivas e cassinos online na economia brasileira drena cerca de R$ 30 bilhões por mês do comércio varejista e do orçamento familiar. 

O número de apostadores no país chega a quase 40 milhões de pessoas, apontam a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito). Um terço do grupo está altamente endividado, o que inclusive alertou o governo federal a atrelar o bloqueio em sites de apostas de pessoas que aderiram ao programa Desenrola, de renegociação de dívidas.