
Em meio ao avanço da extrema-direita, da misoginia e da violência política de gênero, a União Brasileira de Mulheres (UBM) realiza entre os dias 26 e 28 de junho de 2026, em São Paulo, o seu 12º Congresso Nacional. Com o lema “Pra ser feliz, eu vou à luta!”, o encontro reunirá mulheres de todas as regiões do país para debater os desafios políticos e sociais enfrentados pelas brasileiras e fortalecer a organização feminista popular em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos das mulheres.
A presidenta nacional da entidade, Vanja Andréa Santos, afirma que o congresso acontece em um momento decisivo para o Brasil e para os movimentos populares.
“Estamos em um período de intensa disputa política e social. A extrema-direita representa passos atrás para os direitos das mulheres e para a própria democracia. Precisamos fortalecer a organização feminista, a unidade de ação e ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão”, destacou em entrevista para o Portal Vermelho.
Segundo a dirigente, o congresso reafirma o caráter feminista emancipacionista da UBM e pretende aprofundar o debate sobre soberania nacional, combate à violência de gênero, autonomia econômica das mulheres e fortalecimento das políticas públicas.
“Pra ser feliz, eu vou à luta é o chamado do nosso congresso para as mulheres feministas na construção de um Brasil soberano, democrático e popular”, afirmou.
A atividade também terá como foco a preparação da luta política para as eleições de 2026, com o fortalecimento de candidaturas progressistas e comprometidas com os direitos das mulheres.
Democracia, soberania e mobilização popular
O 12º Congresso da UBM acontece em meio ao avanço da extrema-direita e ao crescimento da misoginia, da violência política de gênero e dos discursos de ódio contra as mulheres. Para a entidade, o cenário atual exige maior capacidade de organização e ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão política. “A gente entende que há uma ofensiva organizada contra os direitos das mulheres e contra a própria democracia.”
O congresso deve aprofundar o debate sobre autonomia econômica, justiça climática, política de cuidados e ampliação dos direitos das mulheres.
Segundo Vanja Andréa Santos, o objetivo é fortalecer a atuação da entidade nos estados e municípios e transformar o congresso em um espaço permanente de mobilização feminista. “A gente quer fazer do congresso um espaço não apenas de formulação política, mas de organização concreta da ação feminista nos territórios.”
Feminismo negro, diversidade e renovação política
Um dos marcos mais simbólicos será a eleição da primeira presidenta negra e nordestina da história da UBM, apontada pela direção da entidade como um reflexo da renovação política e fortalecimento do feminismo negro dentro da organização. “Estamos atualizando nosso feminismo emancipacionista avançando no debate antirracista e no feminismo negro. Esse é um diferencial importante deste congresso”, destacou Vanja.
A dirigente ressaltou ainda que a UBM busca ampliar o olhar sobre a diversidade das mulheres brasileiras, incluindo mulheres indígenas, mulheres com deficiência, mães solo, juventude feminista e trabalhadoras. A construção política do congresso também reúne feministas e lideranças de diferentes áreas de atuação e correntes do campo progressista.
Fortalecimento da organização nacional
Atualmente, a UBM está organizada em quase todos os estados brasileiros — com exceção de Roraima — e conta com mais de 4,7 mil filiadas em todo o país. A expectativa da direção nacional é alcançar 8 mil filiadas após o congresso.

A entidade também implantou um sistema nacional de filiação, apontado pela direção como instrumento para fortalecer a organização das UBM estaduais e municipais e ampliar a mobilização de base.
O encontro deve aprovar um plano nacional de ação voltado à formação política, ao fortalecimento de campanhas permanentes contra a violência e à ampliação do diálogo com movimentos populares, sindicatos e organizações juvenis.
“A expectativa é que as resoluções aprovadas se desdobrem em planos de ação nos estados e municípios.”
Além disso, o congresso lançará um manifesto eleitoral para as eleições de 2026, com propostas voltadas à defesa da democracia, das políticas sociais e dos direitos das mulheres. “Queremos sair de São Paulo com um documento político que dialogue com todo o Brasil e fortaleça candidaturas progressistas comprometidas com os direitos das mulheres e com a democracia.”
O encontro contará com cerca de 180 delegadas e 30 convidadas de diferentes regiões do país. No dia 27 de junho, a UBM realiza um grande ato político de abertura, reunindo lideranças feministas, movimentos populares e representantes do campo democrático e popular.
Em ano eleitoral, a entidade aposta no fortalecimento da organização feminista e na ampliação da presença das mulheres progressistas nos espaços de poder e decisão.
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