O Conselho de Paz para Gaza, estrutura criada pelo governo de Donald Trump para coordenar a reconstrução e a futura administração do território palestino, aprovou seu primeiro contrato de construção desde sua criação, segundo o jornal The Guardian.
O órgão é presidido por Trump e tem entre seus principais integrantes o genro do presidente, Jared Kushner, que lidera o plano que os EUA classificam como de reconstrução de Gaza.
Durante o primeiro mandato de Trump, Kushner foi o principal articulador da política da Casa Branca para o Oriente Médio.
O primeiro projeto prevê a instalação de uma base militar provisória para abrigar um contingente de até 150 soldados marroquinos, que integrará uma futura força internacional de estabilização em Gaza.

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O contrato, que ainda não foi formalmente concluído, foi concedido à empresa estadunidense Arkel International. A companhia é sediada no estado da Louisiana e com histórico de contratos do governo dos EUA em países como o Iraque.
Em resposta ao jornal britânico, um representante do Conselho de Paz afirmou que o órgão e o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos, estão na fase final de preparação de diversos contratos.
Um dos acordos em análise trata da construção de instalações para apoiar a futura Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês), responsável por implementar o plano de segurança e governança previsto para o território.
A base planejada terá aproximadamente 100 metros por 120 metros e será construída em uma área sob controle direto das Forças Armadas de Israel, próxima à fronteira israelense.
O objetivo é servir de alojamento para militares marroquinos que fariam rodízio com uma base localizada em Israel. O projeto integra uma primeira etapa que, em versões anteriores do plano, previa a expansão para uma instalação capaz de receber até 5 mil soldados.
Histórico de projetos para “Nova Gaza”
Desde o início de 2025, Trump passou a defender um amplo plano para transformar Gaza após o fim da guerra. A proposta foi acompanhada por declarações de Jared Kushner, que já havia defendido o potencial imobiliário da Faixa de Gaza e passou a integrar a equipe responsável pelo Conselho de Paz.
Em fevereiro de 2025, Trump chegou a afirmar que os Estados Unidos iriam “assumir” o controle de Gaza, embora o acordo que instituiu o conselho não previsse esse tipo de administração direta.
Também em fevereiro de 2025, Trump publicou nas redes sociais um vídeo produzido por inteligência artificial que retratava uma versão futurista da chamada “Nova Gaza”, com hoteis de luxo, arranha-céus, praias revitalizadas e atrações turísticas.
Na segunda-feira (03/08), o Conselho da Paz afirmou que a retirada das tropas israelenses do território palestino só ocorrerá após o desarmamento completo do Hamas. A iniciativa foi criticada por desconsiderar a crise humanitária em Gaza e por prever uma reconfiguração do enclave sob influência dos EUA.
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