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Corte em programa alimentar da ONU afetará mais de um milhão de palestinos em Gaza

A Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou recentemente um corte orçamentário para o ano de 2027 que atingirá diversos setores da entidade, incluindo o Programa Mundial de Alimentos (PMA), responsável por distribuição de ajuda humanitária a países e territórios devastados pela fome, em decorrência de guerras e conflitos sociais.

A medida deve afetar diversas regiões do mundo, especialmente a Faixa de Gaza, onde uma grande parte da população palestina vive como refugiada e depende dessa ajuda para sobreviver.

De acordo com uma reportagem do jornal britânico The Guardian, o PMA destina o equivalente a US$ 500 mil dólares (cerca de R$ 2,5 milhões) em ajuda humanitária a Gaza em forma de alimentos a serem distribuídos aos refugiados palestinos.

“Essas conquistas são muito frágeis, facilmente revertidas e a situação é brutal”, disse Shaun Hughes, diretor do PMA na Palestina, em entrevista ao diário britânico.

Essa ajuda vem sendo entregue à população de Gaza através de agentes da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, por sua sigla em inglês).

Segundo dados da mesma UNRWA, mesmo com a ajuda já entregue pela ONU e outras organizações, dois terços da população de Gaza (cerca de 1,4 milhão de pessoas) enfrentam algum nível de insegurança alimentar, seguindo os parâmetros do Índice Integrado das Fases de Segurança Alimentar, que é usada para avaliar se uma população está se aproximando da fome.

A insegurança alimentar atingiu níveis emergenciais para 200 mil palestinos, o que significa que suprimentos humanitários imediatos são necessários para evitar mortes por fome.

Ademais, uma em cada oito crianças em Gaza sofre de desnutrição crônica ou atraso no crescimento, segundo uma pesquisa recente do Fundo da ONU para a Infância (Unicef, por sua sigla em inglês).

Restrições de Israel

Desde o início da ofensiva militar israelense em Gaza – em outubro de 2023 –, o governo de Tel Aviv impôs restrições à entrada de alimentos ao território, em medidas que foram variando entre a permissão reduzida à proibição total em alguns períodos.

Com o acordo de cessar-fogo, em outubro de 2025, se estabeleceu uma permissão para a entrada de carregamentos de ajuda humanitária, pela qual os alimentos enviados pelo PMA são apenas uma parte – também são enviados outros itens básicos e medicamentos, entregues por outras entidades.

Essa permissão, no entanto, ainda inclui imposições de Israel no que diz respeito à quantidade de ajuda permitida na região.

Com informações do The Guardian.

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