
A Corte Suprema de Cassação da Itália revogou nesta sexta-feira (22) a decisão que autorizava a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil e determinou sua imediata liberação. O advogado Fabio Pagnozzi, que representa Zambelli no Brasil, confirmou que ela já foi solta.
A ex-parlamentar estava presa desde 29 de julho de 2025 na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, após ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol como foragida internacional. Ela havia deixado o Brasil em maio daquele ano, passando pelos Estados Unidos antes de se instalar na Itália, país do qual tem cidadania, e afirmou que queria ser julgada em solo italiano.
Os processos de extradição
Os pedidos de extradição ao governo italiano tinham como base duas condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro. A primeira, e mais grave, refere-se à invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à emissão de um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes — crime pelo qual Zambelli foi sentenciada a dez anos de reclusão. A segunda condenação diz respeito a porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no episódio em que ela apontou um revólver contra um homem em São Paulo.
A Corte de Apelação italiana havia analisado os dois processos na mesma audiência e publicado decisões favoráveis à extradição em ambos os casos. A Corte de Cassação, no entanto, reverteu esse entendimento. Segundo a defesa, a decisão do tribunal superior abrange os dois processos, derrubando portanto os dois pedidos de devolução ao Brasil.
Decisão em sentido contrário ao de Moraes
O resultado veio na mesma semana em que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, havia determinado ao Ministério da Justiça e ao Itamaraty que adotassem medidas concretas para efetivar a extradição de Zambelli — justamente em resposta à decisão anterior da Corte de Roma, que havia sido favorável ao procedimento.
Próximos passos ainda indefinidos
A defesa da ex-deputada informou que ainda avalia os desdobramentos jurídicos da soltura antes de definir os próximos passos. Uma das questões em aberto é se Zambelli pode circular livremente ou se estaria sujeita a nova captura, já que seu nome permanece na lista de Difusão Vermelha da Interpol.
A palavra final sobre seu destino, no entanto, segue formalmente nas mãos do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, subordinado à primeira-ministra Giorgia Meloni.
Caso a extradição viesse a se concretizar, o governo brasileiro havia informado que Zambelli seria recolhida à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Contexto político
Zambelli teve o mandato cassado pelo STF após a Câmara dos Deputados rejeitar a cassação em dezembro de 2025, em uma tentativa de preservar sua permanência no cargo. O tribunal anulou a votação dos parlamentares e decretou diretamente a perda do mandato, com base na condenação criminal imposta à ex-parlamentar.
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