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Crise entre Equador e Colômbia escala com investigação sobre bombardeio

A crise entre Colômbia e Equador ganhou novo patamar após o governo colombiano denunciar a presença de uma bomba lançada por avião em área de fronteira e relatar uma sequência de explosões próximas a comunidades camponesas. 

O presidente Gustavo Petro afirmou que os indícios apontam para ações militares a partir do território equatoriano e mencionou a existência de 27 corpos carbonizados, enquanto o governo de Daniel Noboa nega incursões, mas admite bombardeios contra grupos colombianos, ampliando a tensão entre os países.

“Apareceu uma bomba, lançada de um avião. Será investigado com rigor o modo como isso ocorreu, muito perto da fronteira com o Equador. Isso confirma um pouco minha suspeita, mas precisa ser investigado. Estão nos bombardeando a partir do Equador e não são grupos armados”, disse Gustavo Petro nesta segunda-feira (16), durante reunião do Conselho de Ministros.

“Isso confirma um pouco minha suspeita, mas precisa ser investigado. Estão nos bombardeando a partir do Equador e não são grupos armados”, disse Gustavo Petro. “Já houve muitas explosões. Existe uma gravação que acredito que deve se tornar pública; não foi feita por nós, chegou até nós e vem do Equador.”

O colombiano também afirmou que buscou interlocução com a Casa Branca, aliada de primeira hora do governo Noboa, diante da gravidade do caso e da possibilidade de escalada militar. 

“Pedi ao presidente dos Estados Unidos que atue e ligue para o presidente do Equador, porque nós não queremos ir a uma guerra”, declarou.

“Também não temos por que ser bombardeados com armas menores. A soberania nacional deve ser respeitada”, afirmou, indicando ainda que o artefato encontrado está ativo e que decisões e responsabilidades serão tomadas após a investigação técnica.

As declarações ocorrem dias depois de o próprio presidente equatoriano ter reconhecido publicamente a realização de bombardeios na região de fronteira. 

Em entrevista à Univisión, Noboa confirmou ataques na província de Sucumbíos, área limítrofe com a Colômbia, e atribuiu as operações ao combate a grupos armados colombianos, como havia antecipado o Portal Vermelho.

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Na ocasião, o mandatário responsabilizou diretamente Bogotá pela origem das organizações que atuam na região.

Noboa integra o grupo de 17 chefes de Estado que compõem a coalizão “Escudo das Américas”, anunciada pela Casa Branca em março, em uma cúpula que reuniu governos de extrema direita sob liderança de Donald Trump. 

Apresentada como política de “segurança”, a iniciativa opera, na prática, como instrumento de intervenção imperialista dos Estados Unidos na América Latina, com alinhamento direto desses governos à estratégia de Washington, ampliando a militarização da região e o risco de desestabilização dos países do continente.

A posição de Quito foi reforçada pela chanceler equatoriana, Gabriela Sommerfeld, que confirmou a realização de operações militares contra acampamentos de grupos armados próximos à fronteira. 

Segundo ela, “o Equador, de fato, realiza operações de ataque a acampamentos de grupos irregulares. Não são equatorianos; são grupos que cruzam nossa fronteira a partir da Colômbia, mas estão localizados em território equatoriano”.

O caso ganhou contornos mais graves após a localização de um artefato explosivo em uma área rural próxima à fronteira entre Colômbia e Equador, no município de Ipiales, no departamento de Nariño. A descoberta levou ao envio imediato de forças de segurança e de equipes especializadas, que iniciaram a inspeção do material e o isolamento da área.

Segundo o Ministério da Defesa da Colômbia, militares especializados da Força Aérea foram enviados ao local para analisar o artefato, identificar suas características e determinar sua origem. 

O governo equatoriano sustenta que as operações militares ocorrem exclusivamente dentro de seu território e têm como alvo estruturas ligadas ao narcotráfico e à mineração ilegal.

Em resposta, Petro voltou a contestar a versão equatoriana e afirmou que não há explicação plausível para a presença de 27 corpos carbonizados na região de fronteira. Segundo ele, “a explicação não é crível”, ao associar as mortes às operações militares em curso e relatar que bombas teriam atingido áreas próximas a famílias camponesas que substituíram cultivos de coca por atividades legais.

A escalada ocorre em meio ao aprofundamento da cooperação entre Equador e Estados Unidos na área de segurança. 

Na semana passada, os dois países formalizaram a abertura de um escritório do FBI em território equatoriano, voltado ao combate ao crime organizado internacional. Além disso, forças equatorianas e norte-americanas já realizaram operações conjuntas na região de fronteira, incluindo ações contra dissidências das antigas FARC.

O próprio Noboa tem defendido o aumento da presença e da cooperação militar com Washington e chegou a admitir a possibilidade de presença de tropas norte-americanas no país, inserindo a crise em um cenário mais amplo de alinhamento estratégico com os Estados Unidos.

A tensão militar se soma a uma crise econômica e diplomática em curso entre os dois países desde janeiro de 2026. 

Naquele mês, o Equador impôs uma taxa de 30% sobre importações colombianas, justificando a medida com críticas à atuação de Bogotá no combate ao narcotráfico na fronteira. A Colômbia respondeu com tarifas sobre 73 produtos equatorianos e interrompeu o fornecimento de eletricidade ao país vizinho.

Em seguida, o governo equatoriano passou a cobrar tarifas pelo transporte de petróleo colombiano e elevou a taxa para 50% a partir de 1º de março. 

Apesar da escalada, a chanceler Gabriela Sommerfeld afirmou que o Equador pretende retomar o diálogo com a Colômbia por meio da Comunidade Andina, mantendo ao mesmo tempo a cobrança por maior controle colombiano sobre a região de fronteira.

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