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Cuba e Vietnã celebram 65 anos de relações com novos acordos estratégicos

O presidente de Cuba e primeiro-secretário do Partido Comunista, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, concluiu nesta terça-feira (2) uma visita de Estado ao Vietnã marcada pela assinatura de novos acordos estratégicos e pela celebração dos 65 anos de relações diplomáticas entre os dois países. 

A viagem coincidiu com o 80º aniversário da independência vietnamita e reafirmou a aliança histórica entre os partidos comunistas, projetando a cooperação para áreas como agricultura, energia, biotecnologia, saúde e defesa.

No encontro com o secretário-geral do Partido Comunista do Vietnã (PCV), Tô Lâm, Díaz-Canel ressaltou que o vínculo entre PCV e PCC é a pedra angular da relação bilateral, funcionando como base política e orientação estratégica para todos os níveis de cooperação. 

Os dois anunciaram seminários teóricos conjuntos, intercâmbios de quadros e fortalecimento da cooperação acadêmica entre a Academia Nacional de Política Ho Chi Minh e a Universidade Ñico López.

Os dois partidos também acertaram a realização do 7º Seminário Teórico Vietnã–Cuba e da 3ª Conferência Científica “Fidel Castro–Ho Chi Minh: Visão da Revolução”, no centenário de nascimento do líder cubano. 

Além da dimensão ideológica, a agenda prevê maior aproximação entre organizações de massa, juventudes comunistas e publicações oficiais, como a Revista Comunista do Vietnã e a Revista Socialista de Cuba.

As declarações de Tô Lâm e Díaz-Canel convergiram na defesa do socialismo e na valorização da resistência dos dois povos, que transformaram as relações partidárias em referência para a esquerda mundial. 

“É uma relação exemplar, que resiste ao tempo e se fortalece em meio a enormes desafios para a paz”, disse o líder cubano.

Genfarma simboliza salto na cooperação científica

Entre os marcos da visita esteve a inauguração da Genfarma, uma joint venture biofarmacêutica instalada no Parque de Alta Tecnologia Hoa Lac, nos arredores de Hanói. O empreendimento, idealizado no encontro entre Díaz-Canel e Tô Lâm em 2024, foi erguido em menos de um ano e é considerado a joint venture mais rápida já concretizada entre os dois países.

Com apoio direto do Bureau Político do PCV, a Genfarma produzirá medicamentos inovadores, permitirá a transferência de tecnologias e posicionará a indústria cubana no mercado asiático, especialmente na ASEAN. 

“Já superamos o sonho de criar a Genfarma; agora é uma realidade que mostraremos ao mundo com eficiência industrial e muita inovação”, declarou Díaz-Canel.

A inauguração contou com a presença de ministros cubanos como Álvaro López Miera (FAR), Bruno Rodríguez (Relações Exteriores) e Mayda Mauri Pérez (BioCubaFarma). 

A ministra vietnamita da Saúde, Dao Hong Lan, afirmou que o projeto “recebeu apoio do mais alto nível da liderança” e destacou a legislação aprovada em julho para impulsionar o setor biofarmacêutico como motor de desenvolvimento nacional.

Na esfera econômica, os governos assinaram cinco documentos de cooperação em segurança alimentar, economia, ciência e tecnologia, saúde e gestão de arquivos. O acordo mais relevante prevê a produção de arroz em 15 a 20 mil hectares em Cuba até 2027, abrangendo as províncias de Pinar del Río, Sancti Spíritus e Granma.

Foram também definidas novas prioridades de cooperação em três setores estratégicos: agricultura, energia e biotecnologia. Para isso, ambos os países se comprometeram a criar políticas favoráveis às empresas e fomentar joint ventures em áreas de interesse comum.

Segundo o vice-ministro vietnamita Dang Hoàng Giang, a visita produziu resultados “substantivos” e abriu “novas orientações” para a cooperação abrangente. Ao todo, foram 16 atividades oficiais em menos de três dias, demonstrando o peso estratégico da relação bilateral.

Solidariedade popular e legado histórico

A dimensão popular esteve no centro das celebrações. A Cruz Vermelha vietnamita organizou uma campanha nacional de solidariedade que arrecadou US$14,5 milhões em poucos dias para apoiar Cuba diante das dificuldades atuais. 

Milhões de vietnamitas contribuíram, evocando a frase histórica de Fidel Castro em 1969: “Pelo Vietnã, estamos dispostos a dar até o nosso próprio sangue”.

Relatos lembrados pela imprensa destacam como a solidariedade entre os povos se mantém viva, da guerra de resistência contra a ocupação ianque até a cooperação atual em tempos de paz. 

Para Díaz-Canel, esse gesto “confirma que nossos laços não são apenas diplomáticos, mas estão enraizados na fraternidade entre os povos”.

Cooperação militar e política

A relação também avançou no campo da defesa com o ministro cubano Álvaro López Miera reuniu-se com o general Trịnh Văn Quyết, chefe do Departamento Político do Exército Popular do Vietnã. 

Ambos destacaram os resultados do Memorando de Entendimento de 2022, que ampliou a cooperação em assuntos político-partidários.

Entre os frutos está a série documental “Dois Corações, Uma Batida”, já com cinco episódios concluídos e um sexto programado para 2026, no centenário de Fidel Castro. Díaz-Canel e López Miera também visitaram o memorial aos especialistas militares cubanos em Hanói, símbolo da solidariedade internacionalista.

O chefe militar cubano elogiou o desfile militar do 2 de setembro e destacou que os dois países obtiveram “resultados concretos” em diversas áreas de cooperação em defesa. A expectativa é de aprofundar a coordenação, sobretudo na comunicação e na educação política das novas gerações.

Projeção internacional e coordenação na ONU

Nos fóruns multilaterais, Cuba e Vietnã reafirmaram a disposição de atuar juntos, com ênfase na ONU. Cuba anunciou apoio à realização, em Hanói, da cerimônia de assinatura da Convenção da ONU contra o Cibercrime, prevista para outubro, e confirmou participação oficial.

Foi publicada uma declaração conjunta reafirmando que a solidariedade e a cooperação abrangente constituem um legado estratégico a ser preservado. Para Díaz-Canel, a aliança com o Vietnã é um “símbolo vivo de como o socialismo e a confiança mútua podem gerar avanços reais”.

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