
O governo de Cuba deu início, na quarta-feira (13), à programação oficial do centenário de Fidel Castro. Nascido em 13 de agosto de 1926, o líder da Revolução Cubana completaria um século de vida no ano que vem. A abertura das celebrações em sua homenagem ocorreu com dois atos centrais: um em Birán, sua terra natal, e outro no cemitério de Santa Ifigênia, em Santiago de Cuba, local onde estão guardados seus restos mortais.
As cerimônias reuniram dirigentes históricos, militantes, jovens e representantes de movimentos de solidariedade internacionais, marcando o início de uma agenda que também prevê oficinas, eventos culturais e esportivos, além de mobilizações populares em todo o país. As iniciativas são coordenadas pelo Partido Comunista, pelo Centro Fidel Castro Ruz e pela União de Jovens Comunistas (UJC).
No local onde Fidel nasceu, a cerimônia foi presidida pelo ex-presidente Raúl Castro, definido nos discursos como “o mais fidelista de todos os cubanos” e “irmão de sangue e ideias” do Comandante.
Ao seu lado, estiveram o presidente Miguel Díaz-Canel, membros do Bureau Político, dirigentes da UJC, representantes das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), do ministério do Interior (Minint) e delegações juvenis de Santiago de Cuba, Guantánamo e Holguín.
A programação cultural incluiu a apresentação da companhia infantil La Colmenita, inspirada no livro Todo el tiempo de los cedros, de Katiuska Blanco, que reconta episódios da infância de Fidel, a relação com seus pais e o percurso que o transformou em símbolo de resistência.
Ao final, o público entoou “Yo soy Fidel!”, seguido de agradecimentos de Raúl e Díaz-Canel às crianças “por um espetáculo tão revolucionário, tão bonito e tão simpático”.
No discurso central, o secretário de Organização do Comitê Central, Roberto Morales Ojeda, afirmou que o programa do centenário é “uma celebração de respeito e compromisso” e que homenagear Fidel significa “fazer bem as coisas, banir a apatia, enfrentar os próprios erros e manter-se ao lado do povo e dos humildes para quem esta Revolução foi feita”.
Tributo em Santa Ifigênia conecta passado e presente
Pela manhã, Díaz-Canel esteve no cemitério de Santiago de Cuba, onde depositou flores no túmulo de Fidel e rendeu homenagem também a José Martí, Carlos Manuel de Céspedes e Mariana Grajales.
Em declaração à imprensa, disse que “Fidel é eterno” não por escolha própria, mas por ter incorporado o ideário independentista, anticolonial, anti-imperialista e marxista que o precedeu.
O presidente defendeu que o desafio é “trazer Fidel ao momento atual”, buscando no seu legado respostas para problemas contemporâneos. Lembrou que o líder revolucionário “nunca se rendeu”, tinha “convicção do otimismo” e transformou reveses — como o fracasso militar de Moncada — em vitórias políticas. Diante do atual cenário de crise econômica e do bloqueio intensificado, assegurou: “Não há retrocessos. Haverá vitória”.
Atividades culturais e mobilização popular
O calendário do centenário inclui atividades de agosto de 2025 a dezembro de 2026. O Centro Fidel Castro Ruz promoverá oficinas gratuitas para crianças e adolescentes em áreas como museologia, artes plásticas, fotografia, xadrez e linguagem de sinais, além de projeções audiovisuais, exposições fotográficas internacionais e apresentações mensais no dia 13.
Parte da programação será realizada em bairros, hospitais, centros produtivos e penitenciários, com transmissão virtual para ampliar o alcance.
Na véspera do aniversário, a UJC e o Instituto Nacional de Esportes, Educação Física e Recreação (Inder) organizaram um acampamento gigante na Cidade Desportiva de Havana, reunindo mais de 10 mil pessoas para apresentações musicais, atividades esportivas e feiras culturais.
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