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Cuba rejeita decisão ‘arbitrária’ do Equador de expulsar equipe diplomática

O governo de Cuba rejeitou “nos termos mais enfáticos” a decisão “arbitrária e injustificada” do Equador de expulsar a equipe diplomática da ilha em Quito. De acordo com Havana, a medida equatoriana representa “desprezo do atual governo” referente às práticas diplomáticas no cenário global.

“Este é um ato hostil e sem precedentes, que prejudica significativamente as relações históricas de amizade e cooperação entre ambos os países e povos”, disse o Ministério das Relações Exteriores cubano em comunicado na quarta-feira (04/03). “Conforme estabelecido pela Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961, [Cuba] cumpriu estritamente o respeito às leis e regulamentos do Equador sem interferir nos assuntos internos daquele Estado”.

Na nota, o governo não descartou que a decisão de Quito tenha tido alguma relação com o contexto de intensificação das agressões ilegais dos Estados Unidos contra Cuba. Recentemente, o presidente norte-americano Donald Trump ameaçou aplicar medidas tarifárias a países que comercializassem ou fornecessem petróleo à ilha.

Havana também enfatizou que a expulsão dos diplomatas cubanos ocorre “alguns dias” antes da cúpula dos líderes latino-americanos de extrema direita, convocada pelo republicano para este sábado (07/03), em Miami. Foram convidados os mandatários de países como Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras.

“Cuba está convencida de que o povo equatoriano saberá como defender os laços de solidariedade e fraternidade com Cuba”, acrescentou a nota.

Presidente do Equador, Daniel Noboa
Presidencia de la República del Ecuador

Equador expulsa equipe diplomática cubana

Na quarta-feira, o governo equatoriano de Daniel Noboa declarou o embaixador de Cuba, Basilio Gutiérrez, e sua equipe diplomática no país, “persona non grata”, dando 48 horas para que se retirem do território nacional. A decisão anunciada pela chancelaria do Equador não forneceu explicações para a tomada de decisão, citando somente o Artigo 9 da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que diz que as nações são autorizadas a declarar qualquer membro do pessoal diplomático como “persona non grata” sem necessariamente justificar.

Além da reação cubana, a medida do Equador foi repudiada por figuras internas da oposição. A presidente do Grupo de Amizade Interparlamentar Equador-Cuba, Liliana Duran, classificou como “um ato extremo” que rompe décadas de cooperação entre as duas nações “em vários setores que proporcionam bem-estar ao povo”. Duran também avaliou que isso mostra que o governo equatoriano está “alinhado com a política de Washington, sacrificando nossa soberania e dignidade da política externa”.

A legisladora Nuria Butiña, por sua vez, alertou que essa medida “prejudica a integração latino-americana, enfraquece nossa tradição de diálogo e afeta milhares de cidadãos cubanos que vivem no Equador”.

Já a legisladora Mariana Yumbay lembrou que durante “décadas” ambos os países compartilharam “história, cultura, cooperação, solidariedade e respeito”, ao lamentar a decisão que “se junta a uma lógica geopolítica que, por mais de meio século, busca isolar e pressionar o povo cubano”.

O movimento político Revolução Ciudadana também se juntou a essas declarações, descrevendo a ruptura das relações diplomáticas entre seu país e Havana como “um alinhamento vergonhoso e de capangas” de Noboa com Trump.

(*) Com Telesur

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