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Cuba repudia acusação ‘infundada’ dos EUA contra Raúl Castro: ‘justificativa para agressão militar’

Atualizada às 17h51

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou nesta quarta-feira (20/05) a acusação criminal aberta pelo Departamento de Estado norte-americano de Donald Trump contra o ex-presidente Raúl Castro Ruz, classificando a conduta como uma ação política que carece de base legal. De acordo com o líder cubano, as acusações expõem a “arrogância e frustração” das lideranças dos Estados Unidos diante da resistência e “firmeza inabalável da Revolução Cubana”.

“Trata-se de uma ação política, sem qualquer fundamento jurídico, que apenas busca engrossar o dossiê que fabricam para justificar o destino de uma agressão militar a Cuba”, afirmou.

Os Estados Unidos formalizaram quatro acusações de homicídio e duas de destruição de aeronave contra o ex-presidente Raúl Castro, mencionando também uma suposta “conspiração para matar cidadãos norte-americanos”, de acordo relatórios publicados pelo Departamento de Justiça norte-americano. O processo está ligado à derrubada de duas aeronaves que resultaram na morte de quatro pilotos da organização terrorista “Irmãos ao Resgate”, episódio ocorrido há 30 anos.

De acordo com Díaz-Canel, os Estados Unidos manipulam os fatos históricos para sustentar suas decisões. “Sabem muito bem, porque há evidências documentais de sobra, que não se agiu de maneira imprudente nem se violou o direito internacional, como sim vêm fazendo as forças militares norte-americanas, com suas execuções extrajudiciais friamente calculadas e abertamente publicitadas sobre embarcações civis no Caribe e no Pacífico”, afirmou.

O presidente destacou que, em 24 de fevereiro de 1996, o Estado cubano agiu em legítima defesa dentro de suas águas jurisdicionais, em resposta a sucessivas violações de seu espaço aéreo cometidas por terroristas. O mandatário apontou que “a administração norte-americana da época foi alertada em mais de uma dezena de ocasiões, mas fez ouvidos moucos às advertências e permitiu as violações”.

De acordo com a nota oficial emitida pelo governo, que condena “veementemente” a “desprezível acusação” dos Estados Unidos e destaca para a sua ilegitimidade, o texto apresentado pelo Departamento de Justiça norte-americano “omite, entre outros detalhes, as inúmeras queixas formais apresentadas por Cuba durante esse período ao Departamento de Estado, à Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) a respeito das mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano cometidas pela OACI entre 1994 e 1996, em flagrante transgressão do direito internacional e da própria legislação dos EUA”.

A campanha internacional orquestrada pelos Estados Unidos contra Cuba após o episódio criou condições para que, pouco depois, a gestão de Bill Clinton assinasse a Lei Helms-Burton e intensificasse o bloqueio econômico, comercial e financeiro contra a ilha socialista.

Por fim, em sua declaração, Díaz-Canel elogiou o legado de Raúl Castro, assegurando que sua “estatura ética e o seu senso humanista derrubam qualquer infâmia” contra ele. “Como chefe guerrilheiro e como estadista, ganhou o amor de seu povo, ao que se soma o respeito e a admiração de outros líderes da região e do mundo. Esses valores são sua melhor defesa e um escudo moral, frente à ridícula tentativa de menoscabar sua estatura de herói”, concluiu.

La pretendida acusación contra el General de Ejército Raúl Castro Ruz, que acaba de comunicar el Gobierno estadounidense, solo evidencia la soberbia y la frustración que le provoca a los representantes del imperio, la inquebrantable firmeza de la Revolución Cubana y la unidad y… pic.twitter.com/0r0wV0kUX9

— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 20, 2026

O ministro das Relações Exteriores cubano Bruno Rodríguez, por sua vez, afirmou “apoio” e “compromisso inabalável” em defesa do país, criticando os Estados Unidos por agirem com base em “mentiras” e omissão de “verdades históricas devidamente documentadas”. “Cuba não renunciará ao seu direito inalienável à legítima defesa”, destacou.

Cuba expõe hipocrisia dos EUA

O governo cubano, em sua nota oficial, afirma ser “extremamente cínico” o fato de que a acusação seja levantada pelo “mesmo governo que assassinou quase 200 pessoas e destruiu 57 embarcações em águas internacionais do Caribe e do Pacífico, longe do território dos EUA, com o uso desproporcional da força militar, por supostas ligações com operações de narcotráfico que jamais foram comprovadas”.

“Esse governo classifica esses atos como execuções extrajudiciais, de acordo com o direito internacional, e como assassinatos, segundo a própria legislação dos EUA”, afirma Havana, destacando que, enquanto isso, o processo aberto contra Castro se consolida como mais uma “tentativa desesperada” dos Estados Unidos de construirem uma “narrativa fraudulenta”, que tem como objetivo “justificar a punição coletiva e impiedosa do nobre povo cubano por meio do fortalecimento de medidas coercitivas unilaterais, incluindo o injusto e genocida bloqueio energético e as ameaças de agressão armada”.

Por fim, o comunicado reafirma comprometimento com a paz e no direito inalienável à autodefesa, reconhecido pela Carta das Nações Unidas (ONU).

“O povo cubano reafirma sua resolução inabalável de defender a Pátria e sua Revolução Socialista e, com a máxima força e firmeza, seu apoio irrestrito e inabalável ao General do Exército Raúl Castro Ruz, Líder da Revolução Cubana”, declara.

Cuba critica ‘roteiro mentiroso’ de Marco Rubio

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez, também rejeitou as recentes declarações feitas pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, a quem acusou de insistir em um “roteiro mentiroso” para culpar a governança da ilha, enquanto a crise enfrentada pelo país decorre historicamente das sanções impostas pelos Estados Unidos.

“É o porta-voz de interesses corruptos e revanchistas, concentrados no sul da Flórida e que não representam os sentimentos da maioria do povo norte-americano, nem dos cubanos que ali vivem”, pronunciou-se pelas redes sociais. “Aproveita a data desastrosa de 20 de maio que inaugurou um período neocolonial para Cuba, como um apêndice dependente dos Estados Unidos e ao qual o principal diplomata norte-americano quer que Cuba retorne”.

Em sua mensagem, o chanceler cubano também enfatizou que Rubio continua levantando o tema sobre os US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) oferecidos em ajuda humanitária à ilha. Destacou que o país não rejeitou o auxílio, diante das necessidades da população, mas apontou que “cinismo é evidente para qualquer um diante do efeito devastador do bloqueio econômico e do cerco energético”.

“A Cuba neocolonial e a Emenda Platt são o passado. O presente e o futuro são a independência e a soberania”, concluiu.

El Secretario de Estado repite su libreto mendaz e intenta culpar al gobierno de #Cuba por el daño despiadado que provoca el gobierno de #EEUU al pueblo cubano. Es el vocero de intereses corruptos y revanchistas, concentrados en el sur de la Florida y que no representan los… pic.twitter.com/PU2Ax8GBem

— Bruno Rodríguez P (@BrunoRguezP) May 20, 2026

Na mesma linha, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, criticou as “repetidas mentiras” de Rubio reiterando que o diplomata norte-americano tem como único propósito criar um pretexto para justificar a agressão contra o povo cubano. “Ele sabe bem que não há desculpa para uma agressão tão cruel e implacável”, enfatizou.

Transmitida em vídeo por ocasião do aniversário do estabelecimento da República de Cuba em 1902, e horas antes da divulgação da acusação contra Raúl Castro, a mensagem de Marco Rubio apelava diretamente aos cidadãos da ilha para construírem uma “nova Cuba” proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discurso de cerca de cinco minutos, o diplomata sugeriu uma “nova relação” entre Washington e Havana, condicionada a mudanças radicais em sua economia e à realização do que chamou de “eleições livres”.

No entanto, Rubio omitiu o impacto direto do bloqueio intensificado pela Casa Branca sobre a população cubana, apenas afirmando que a escassez de eletricidade, combustível e alimentos no país se deve a suposta má gestão estatal e ao suposto enriquecimento do conglomerado militar GAESA. O embargo dos Estados Unidos que agravou as condições humanitárias na ilha começou em 1960. 

(*) Com Telesur

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