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Cúpula de Trump escancara subordinação da extrema direita latino-americana

A extrema direita latino-americana deu no último sábado (7) uma demonstração pública de alinhamento político aos Estados Unidos ao participar da cúpula “Escudo das Américas”, convocada pelo presidente Donald Trump em seu resort em Doral, na Flórida.

O encontro reuniu 12 líderes da região próximos a Washington e serviu de palco para o anúncio de uma coalizão militar destinada a combater cartéis do narcotráfico no continente, apresentada pela Casa Branca como iniciativa de segurança, mas interpretada por analistas como parte de uma estratégia para isolar a influência de outros parceiros comerciais na América Latina.

A iniciativa foi apresentada pelo governo norte-americano como parte da chamada “Doutrina Donroe”, conceito adotado pela Casa Branca para descrever sua estratégia de “segurança” para o hemisfério. 

Para a cientista política Ana Prestes, trata-se de uma tentativa de reafirmar a América Latina como zona de influência dos Estados Unidos e limitar o avanço de outros parceiros comerciais, especialmente a China.

Segundo Trump, os Estados Unidos não permitirão que “influências estrangeiras hostis ganhem espaço neste hemisfério” e vão garantir que “o hemisfério ocidental volte a ser uma prioridade [para os EUA]”.

No discurso deste sábado, o presidente anunciou a criação de uma coalizão regional contra cartéis de drogas. 

“Estamos anunciando uma nova coalizão militar para erradicar os cartéis criminosos que assolam nossa região”, afirmou. Trump disse ainda que “o coração do acordo é o compromisso de usar força militar letal para destruir os cartéis e redes terroristas de uma vez por todas”.

Entre os presentes estavam Javier Milei (Argentina), Nayib Bukele (El Salvador), Daniel Noboa (Equador), Rodrigo Chaves (Costa Rica), José Raúl Mulino (Panamá), Santiago Peña (Paraguai), Luis Abinader (República Dominicana), Irfaan Ali (Guiana), Kamla Persad-Bissessar (Trinidad e Tobago), Nasry Asfura (Honduras), Rodrigo Paz (Bolívia) e José Antonio Kast, presidente eleito do Chile.

Ficaram de fora do encontro Brasil, México e Colômbia, países que concentram grande parte da população, da economia e do peso político da América Latina e que são governados pela esquerda.

Questionado sobre as ausências, o Departamento de Estado afirmou que o encontro priorizou governos que já mantêm cooperação mais estreita com Washington na área de segurança.

Trump afirmou que a nova estrutura permitirá coordenar ações regionais e, se necessário, realizar ataques de alta precisão contra integrantes de cartéis. 

Durante o encontro, Trump afirmou ter atuado diretamente para impulsionar campanhas eleitorais de aliados na região e sugeriu que parte dos governantes presentes recorreu a ele em busca de apoio político.

“Alguns de vocês estavam alguns pontos atrás nas pesquisas e depois subiram como um foguete”, disse. Segundo Trump, diversos líderes latino-americanos pediram seu apoio político durante campanhas eleitorais: “muitos de vocês me pediram ajuda. E nós ajudamos.”

As declarações foram recebidas com aplausos pelos governantes presentes, que ouviram sem contestação o presidente norte-americano afirmar ter interferido em campanhas eleitorais na região.

Trump critica México, confirma a Venezuela sob tutela e faz nova ameaça a Cuba

Donald Trump também utilizou a cúpula para atacar governos de esquerda da América Latina e reforçar a linha de confrontação política de Washington na região.

Ao abordar o narcotráfico, o presidente norte-americano afirmou que o epicentro da violência no continente estaria no México e acusou os cartéis do país de alimentar grande parte da criminalidade no hemisfério.

“O epicentro da violência dos cartéis está no México. Os cartéis mexicanos alimentam e organizam grande parte do derramamento de sangue e do caos neste hemisfério”, disse. Segundo Trump, “o governo dos Estados Unidos fará o que for necessário para defender nossa segurança nacional”.

O presidente também sugeriu que o Estado mexicano estaria perdendo o controle sobre partes do território. “Os cartéis estão governando o México. Não podemos permitir isso. Está muito perto de nós”, afirmou, ao defender o uso de força militar contra essas organizações.

Trump também tratou da situação da Venezuela e afirmou que Washington passou a trabalhar diretamente com o governo instalado após a queda de Nicolás Maduro. Segundo ele, os Estados Unidos mantêm relação estreita com a atual presidente venezuelana, Delcy Rodríguez.

“Estamos trabalhando de perto com a nova presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez”, afirmou. Trump acrescentou que o reconhecimento do novo governo já foi formalizado por Washington: “tenho o prazer de dizer que esta semana reconhecemos formalmente o governo venezuelano”.

No discurso, o presidente norte-americano indicou que a relação com Caracas envolve também acordos econômicos supervisionados por Washington. Segundo ele, a exploração de petróleo e a comercialização de ouro venezuelano passam a ocorrer em parceria com empresas norte-americanas.

Trump ainda dedicou parte da fala a Cuba, afirmando que o país atravessa uma crise econômica profunda e sugerindo que o atual sistema político estaria próximo do fim.

“Cuba está no fim da linha. Não têm dinheiro, não têm petróleo”, declarou. Para o presidente dos Estados Unidos, o país estaria “em seus últimos momentos de vida como é hoje”.

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