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Datafolha mostra Flávio e Lula em empate técnico no limite da margem de erro

A primeira pesquisa Datafolha após a definição do segundo turno mostra uma disputa aberta entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Conforme o levantamento divulgado nesta quinta-feira (8), Flávio registra 52% dos votos válidos, ante 48% para Lula. Os dois presidenciáveis estão em empate técnico no limite da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.

O levantamento aponta um cenário desafiador, mas com um caminho claro e matematicamente viável para a reeleição de Lula. No primeiro turno, o presidente teve 45,16% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 47,03%, diferença de apenas 1,87 ponto percentual.

Os dados da nova pesquisa revelam que, embora Flávio tenha capturado uma fatia do eleitorado de centro-direita, Lula já consolidou uma base expressiva nesse mesmo segmento e mantém vantagens esmagadoras em perfis socioeconômicos e regionais que historicamente decidem pleitos no Brasil. O Datafolha ouviu 2.520 eleitores nos dias 6 e 7 de outubro.

A batalha pelo centro e a “janela de oportunidade”

A primeira pesquisa após a definição da disputa mostra Flávio numericamente à frente, mas sem uma diferença que ultrapasse a margem de erro. Assim, pesquisa mostra que o segundo turno será decidido pela capacidade das campanhas de mobilizar eleitores que ainda não estão definitivamente posicionados. Embora apenas 1% declare indecisão na pergunta estimulada, 5% dizem que votarão branco ou nulo.

O dado mais estratégico do levantamento refere-se ao comportamento dos eleitores que votaram em Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Caiado (PSD) e Zema (Novo) no primeiro turno. O instituto aponta que 46% desse grupo migrou para Flávio Bolsonaro, enquanto 32% já declaram voto em Lula.

Esse percentual de 32% é um sinal positivo: demonstra que cerca de um terço do eleitorado que buscou alternativas de “gestão” ou “renovação” no primeiro turno já reconhece em Lula a opção de estabilidade, responsabilidade e defesa da democracia. Além disso, é fundamental que, no segundo turno, a campanha de Lula consiga reduzir a elevada tendência à abstenção. No primeiro turno, dos 158,7 milhões de brasileiros aptos a votarem, 21% não foram às urnas – o equivalente a 33,4 milhões de eleitores.

Lula mantém bases importantes

O Datafolha mostra uma disputa nacional competitiva, com diferenças expressivas entre regiões e segmentos sociais. Lula mantém vantagens importantes no Nordeste e entre eleitores de menor renda e escolaridade. Ele também preserva vantagens expressivas em segmentos importantes do eleitorado, liderando entre eleitores com escolaridade fundamental, por 55% a 41%, entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, por 52% a 41%, e entre católicos, por 53% a 41%.

O levantamento também expõe as limitações do crescimento de Flávio Bolsonaro. Suas maiores vantagens estão concentradas em nichos específicos que, em grande parte, já estão saturados: 69% a 25% entre evangélicos e 58% a 35% na região Sul.

A leitura estratégica é que Flávio já atingiu seu “teto” natural de votação. Para vencer, ele depende quase exclusivamente de convencer o eleitorado moderado e indeciso. É exatamente nesse ponto que reside sua maior vulnerabilidade: seu histórico ligado a esquemas milicianos, a retórica de confronto com o Supremo Tribunal Federal (STF) e a falta de experiência em gestão executiva geram rejeição e insegurança em eleitores que valorizam a ordem institucional e a previsibilidade econômica.

O caminho até 25 de outubro

Com 16 dias restantes até a eleição, a campanha de Lula tem a tarefa clara de transformar a vantagem qualitativa em quantitativa. O contraste de projetos tem sido a tática paras evidenciar que, enquanto Lula oferece continuidade de políticas sociais e respeito às instituições, Flávio Bolsonaro representa um risco de caos institucional e retrocesso, como já alertado por setores do mercado e da sociedade civil.

A mobilização da base, por outro lado, precisa garantir que a vantagem no Nordeste e entre os mais pobres se traduza em comparecimento massivo às urnas. Os números do Datafolha não mostram um cenário de derrota, mas um mapa detalhado de como a vitória pode ser construída: segurando a base, disputando palmo a palmo o eleitorado moderado, transformando a indecisão em consciência democrática e lutando contra a abstenção.

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