
Os parlamentares da CPMI do INSS questionaram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que concedeu habeas corpus desobrigando o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de comparecer ao colegiado nesta segunda-feira (23).
Ele é investigado pela Polícia Federal (PF) por fraude financeira e nos contratos da instituição para fornecer empréstimos consignados a aposentados e pensionistas do INSS.
Cerca de 250 mil contratos de empréstimos foram suspensos pelo INSS por “falta de comprovação da documentação”.
A ausência dele foi mais questionada pelos deputados da base do governo. A direção do colegiado diz que vai insistir com Mendonça para que o dono do banco deponha na CPMI.
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“Quero lamentar que o Daniel Vorcaro não tenha vindo aqui hoje. Quero lamentar que o ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Bolsonaro ao STF, tenha concedido esse habeas corpus para que ele não viesse”, afirma o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).
O parlamentar também mencionou doações eleitorais realizadas em 2022 por pessoas ligadas ao banqueiro, incluindo o cunhado e sócio Fabiano Zettel, destinadas às campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, então candidato ao governo de São Paulo.
Pimenta ainda questionou a presença de ex-integrantes do governo Bolsonaro na direção do banco, como João Roma e Ronaldo Vieira Bento, além de citar a relação societária envolvendo a ex-ministra Flávia Arruda.
“Primeiro, esse banco dele não existia, era um banco desconhecido. Quem ajudou ele a conseguir com o Campos Neto, indicado pelo Bolsonaro para o Banco Central, para que pudesse operar no sistema financeiro da maneira como operou?”, indaga.
O deputado Alencar Santana considera a decisão do ministro lamentável: “Afinal de contas, Campos Neto, em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, autorizou que o senhor Vorcaro assumisse a presidência do Master. E olha só a coincidência: no ano seguinte, em 2020, o Banco Master, com a presidência do senhor Rolim [Leonardo] no INSS, é autorizado a fazer desconto consignado no INSS. Um ano depois da sua criação o Vorcaro assume a presidência. Todos nós sabemos o que aconteceu depois, com os relatos que vieram à tona agora: doou R$ 2 milhões ao Tarcísio, R$ 3 milhões ao Bolsonaro – o maior doador individual. E por que tanto interesse?”, questiona Santana.
Reunião no STF
Numa reunião nesta segunda-feira com os integrantes da PF, Mendonça deu prazo de 60 dias para a corporação entregar relatório completo sobre Master. A partir do documento, ele decidirá se o inquérito continua no STF ou vai para a primeira instância judicial.
Trata-se do segundo encontro de Mendonça com a PF após Dias Toffoli deixar a relatoria do caso.
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