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Deputados vão aos EUA e defendem soberania contra ofensiva da direita

Uma delegação de parlamentares brasileiros encerrou nesta semana uma série de reuniões em Washington com o objetivo de apresentar às instituições norte-americanas uma visão alternativa àquela defendida por setores da direita brasileira. Integrado pelos deputados Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Pedro Campos (PSB-PE) e André Janones (Rede-MG), o grupo representou bancadas que somam 114 parlamentares na Câmara dos Deputados.

Ao longo de três dias de encontros no Congresso dos Estados Unidos, na Organização dos Estados Americanos (OEA) e em outras instituições, a comitiva concentrou sua atuação em três eixos: a defesa da soberania nacional, a contestação das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e a ampliação da cooperação internacional para o combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

Jandira: “Cooperação, não intervenção”

Uma das principais vozes da missão, a deputada federal Jandira Feghali enfatizou que a iniciativa teve como objetivo fortalecer mecanismos de colaboração entre os dois países sem abrir espaço para interferências externas na política brasileira.

Segundo a parlamentar, um dos documentos entregues às autoridades norte-americanas solicita ações conjuntas no enfrentamento ao tráfico de drogas, ao tráfico de armas, à movimentação internacional de recursos ilícitos e a outras modalidades de crime transnacional.

“Nós precisamos intensificar a cooperação e não a intervenção”, afirmou durante agenda no Congresso norte-americano.

A formulação procura estabelecer uma linha política clara: o governo brasileiro aceita e busca cooperação internacional em temas de segurança pública, mas rejeita qualquer tentativa de ingerência estrangeira sobre decisões políticas, econômicas ou eleitorais do país.

Defesa do Pix transforma-se em símbolo de soberania

Outro ponto central da missão foi a reação às iniciativas norte-americanas que questionam instrumentos econômicos brasileiros, especialmente o Pix.

Jandira classificou o sistema de pagamentos instantâneos como patrimônio nacional e afirmou que qualquer tentativa de enfraquecê-lo seria interpretada como uma afronta à soberania financeira do país.

“A questão do Pix foi abordada com a declaração de que não será aceita qualquer intervenção que inviabilize, fragilize ou dificulte o uso do Pix”, relatou.

A deputada argumenta que o sistema representa uma inovação tecnológica construída pelo Estado brasileiro e amplamente incorporada pela população, tornando-se um elemento estratégico da autonomia financeira nacional.

Tarifaço de Trump une economia e disputa política

Durante a visita, os parlamentares entregaram um documento técnico de 44 páginas contestando as tarifas impostas pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump contra produtos brasileiros.

Segundo Jandira, os estudos apresentados demonstram que as medidas não possuem fundamentação econômica consistente e acabam produzindo efeitos negativos tanto para a economia brasileira quanto para os próprios consumidores norte-americanos.

A parlamentar sustenta que as tarifas aumentam custos, pressionam a inflação e aprofundam desigualdades nos Estados Unidos. Em sua avaliação, o conflito comercial não pode ser compreendido apenas sob uma ótica técnica.

“A tarifa, a questão da segurança pública e a questão da corrupção têm impacto político”, afirmou.

Denúncias envolvendo Bolsonaro e pedido de investigação

A agenda também incluiu reuniões com parlamentares democratas para discutir suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo Jandira, congressistas norte-americanos demonstraram interesse nas informações apresentadas pela delegação brasileira e se comprometeram a analisar instrumentos legislativos e institucionais para aprofundar eventuais investigações.

A deputada destacou que parlamentares de oposição nos Estados Unidos possuem mecanismos para abrir apurações e solicitar providências a órgãos como o Departamento de Justiça.

“Todos eles se dispuseram a ver imediatamente que instrumentos utilizar”, declarou.

Alerta sobre eleições e ambiente digital

Na sede da Organização dos Estados Americanos, os parlamentares apresentaram preocupações relacionadas ao processo eleitoral brasileiro de 2026.

Entre os temas abordados estiveram a disseminação de desinformação em plataformas digitais, a violência política e eventuais tentativas de interferência estrangeira no pleito.

Segundo Jandira, a Secretaria de Fortalecimento da Democracia da OEA comprometeu-se a acompanhar de perto as eleições brasileiras por meio de seus mecanismos de observação eleitoral.

“Reafirmamos nossa soberania acima de tudo”, afirmou a deputada ao relatar o encontro.

Missão reflete disputa internacional sobre o futuro político do Brasil

Mais do que uma agenda diplomática, a missão evidenciou a crescente internacionalização da disputa política brasileira. Para Jandira Feghali, decisões relacionadas a tarifas comerciais, plataformas digitais, combate ao crime organizado e fluxos financeiros passaram a integrar um cenário mais amplo de disputa geopolítica.

Sua avaliação é que setores ligados ao governo Trump e ao movimento conservador norte-americano buscam influenciar o ambiente político latino-americano, inclusive o brasileiro.

Diante desse quadro, a deputada sustenta que a resposta deve combinar defesa da soberania nacional, fortalecimento das instituições democráticas e ampliação da cooperação internacional em bases de respeito mútuo.

Ao final da missão, a parlamentar afirmou que a delegação retorna ao Brasil com a percepção de que conseguiu abrir canais de diálogo importantes e apresentar uma visão alternativa sobre a realidade política brasileira em um momento considerado decisivo para os rumos da democracia no país.

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