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Desemprego cai a 5,8%, menor taxa da série histórica do IBGE

O Brasil atingiu, no trimestre encerrado em fevereiro de 2026, a menor taxa de desocupação já registrada para um período de janeiro a fevereiro desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (27) pelo IBGE, o índice ficou em 5,8%, representando uma redução de 1 ponto percentual em relação ao mesmo trimestre do ano passado e significando mais de 1 milhão de pessoas a menos desempregadas no país.

Recorde histórico com redução expressiva

A queda no desemprego reflete um movimento consistente de recuperação do mercado de trabalho brasileiro. Enquanto em 2022 a taxa era de 11,2%, hoje o país registra 5,8%, uma redução de 5,4 pontos percentuais em apenas quatro anos. No comparativo anual, saíram das estatísticas de desocupação 1,1 milhão de pessoas, que passaram a integrar a população ocupada.

“O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores, acompanhada de tendência de maior formalização em atividades de comércio e serviços”, explicou Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE. A análise técnica confirma que o aquecimento econômico tem gerado vagas de forma sustentada, especialmente nos setores que mais empregam no país.

Salário e renda batem novos patamares

Além da redução do desemprego, o trimestre trouxe boas notícias para o bolso do trabalhador. O rendimento médio mensal real atingiu R$ 3.679, novo recorde da série histórica, com alta de 2% em relação ao trimestre anterior e de 5,2% na comparação anual — já descontada a inflação.

A massa de rendimento real habitual, que representa o total de salários pagos no país, chegou a R$ 371,1 bilhões, crescimento de 6,9% em um ano. Esse avanço combinado — mais gente empregada ganhando melhor — indica que a recuperação econômica está sendo inclusiva e distributiva.

Formalização e demanda aquecem o mercado

Um dos aspectos mais positivos dos dados é a tendência de formalização. O número de empregados no setor privado com carteira assinada manteve-se estável em 39,2 milhões, patamar elevado, enquanto a taxa de informalidade recuou para 37,5% da população ocupada, contra 38,1% no mesmo trimestre de 2025.

A expansão do trabalho por conta própria, que cresceu 3,2% no ano (mais 798 mil pessoas), também reflete dinamismo empreendedor, muitas vezes associado à formalização via MEI e acesso a políticas de microcrédito. A combinação entre demanda por mão de obra e melhoria na qualidade dos vínculos aponta para um mercado de trabalho mais resiliente.

Queda nos desalentados e sinais de esperança

Outro indicador sensível que melhorou foi a população desalentada — pessoas que gostariam de trabalhar mas desistiram de procurar emprego. O contingente caiu 14,9% no ano, menos 477 mil pessoas, ficando em 2,7 milhões. A taxa de desalento recuou para 2,4%, sinalizando que mais brasileiros voltam a acreditar na possibilidade de encontrar uma vaga.

Esse movimento é fundamental: reduz o “desemprego oculto” e indica que as políticas de intermediação de mão de obra, qualificação profissional e estímulo à geração de empregos estão surtindo efeito.

Desafios: sazonalidade e informalidade

Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para fatores que exigem atenção. A leve alta na taxa de desocupação em relação ao trimestre encerrado em novembro (de 5,2% para 5,8%) reflete movimentos sazonais típicos do início do ano, com encerramento de contratos temporários em setores como educação, saúde e construção civil.

Além disso, a informalidade ainda atinge 37,5% dos ocupados, o que representa 38,3 milhões de trabalhadores sem proteção social plena. Reduzir esse percentual segue sendo um desafio estrutural para garantir direitos e melhorar a qualidade do emprego no Brasil.

Perspectivas para o restante do ano

Com o mercado de trabalho em patamares históricos favoráveis, as projeções para os próximos meses são otimistas. A continuidade da recuperação econômica, aliada a políticas de incentivo à formalização e à qualificação profissional, pode consolidar a trajetória de queda do desemprego e de valorização salarial.

Para Adriana Beringuy, do IBGE, a combinação entre demanda aquecida e maior formalização em setores-chave como comércio e serviços tende a sustentar os ganhos observados. “O crescimento do rendimento vem sendo impulsionado pela grande demanda de trabalhadores”, reiterou.

Ao completar o primeiro trimestre de 2026 com o menor desemprego para o período desde 2012, o Brasil demonstra que é possível crescer com geração de emprego e renda. O desafio agora é transformar esse momento virtuoso em ganhos duradouros, reduzindo desigualdades e garantindo que os frutos da recuperação cheguem a todos os trabalhadores.

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