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Desfile no Rio apresenta a história e a obra de Carolina Maria de Jesus

Carolina Maria de Jesus (1914-1977), uma das maiores escritoras do Brasil, será homenageada pela Unidos da Tijuca no Carnaval 2026. A escola do Rio de Janeiro fecha o segundo dia de desfiles do Grupo Especial na Avenida Marquês de Sapucaí, na segunda-feira (16).

“Ante o apagamento histórico da homenageada e dos rótulos que recaíram sobre sua figura por mais de meio século, será nossa missão contar a história de sua vida através de suas próprias produções, colocando-a como espelho de um Brasil que ainda pouco se conhece, e que muito precisa aprender sobre os seus”, destaca a escola de samba.

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A autora de obras como Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960), Casa de Alvenaria (1961) e Pedaços de Fome (1963), alcançou sucesso internacional com a potência de sua escrita, denunciando a realidade brasileira encarnada na figura de uma mulher negra e favelada.

Porém, mesmo com o reconhecimento que a fez sair da favela no Canindé, em São Paulo (SP), a multiartista mineira (também cantora e poeta), nascida em Sacramento (MG), voltou a viver em uma situação humilde em Parelheiros, na zona sul da capital paulista, provando que as barreiras de uma sociedade racista e injusta podem alcançar até mesmo a autora de um best-seller, como Quarto de Despejo.

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Apesar de sua trajetória difícil, a força de sua obra permaneceu. Tanto que grande parte de seus escritos foi lançado de maneira póstuma, perfilando uma obra de peso para a literatura nacional.

“Os olhos da fome eram os meus
Justiça dos homens não é maior que a de Deus
Meu quarto foi despejo de agonia
A palavra é arma contra a tirania”

[trecho do samba-enredo da Unidos da Tijuca]

De acordo com o carnavalesco da Unidos da Tijuca, Edson Pereira, o enredo visa apresentar as conquistas, alegrias e os momentos de dificuldade da artista: “As questões que a Carolina levantava no passado continuam muito presentes hoje. Isso faz com que as pessoas se reconheçam na trajetória dela”, disse ao g1, ao ressaltar que o samba reconhece a dor, mas a celebra como grande brasileira.

Para o desfile, o público pode esperar a mistura da obra de Carolina, profundamente autobiográfica, com demais aspectos de sua vida, refletindo situações que insistem em permanecer na sociedade brasileira mesmo após décadas em que os livros foram escritos.

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No Carnaval paulista, em 2022, a escola Colorado do Brás também a homenageou com o samba: Carolina, a Cinderela Negra do Canindé.

Ainda tramita no Congresso Nacional o reconhecimento a Carolina Maria de Jesus. Em 2024, a Câmara dos Deputados aprovou a inscrição do nome da escritora e poetisa no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A deputada Daiana Santos (PCdoB-RS) foi a relatora da proposta. O projeto agora está no Senado.

Confira abaixo o clipe da escola de samba com o samba-enredo que será apresentado no Carnaval do Rio:

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