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Dexco repassa R$1 bilhão para seus acionistas enquanto explora e ameaça trabalhadores

Dexco, indústria pertencente ao grupo Itaú, distribui R$1 bilhão aos acionistas enquanto aumenta a escala de trabalho, reduz benefícios e ameaça fechar setores da empresa levando trabalhadores ao desemprego.

Pedro Feriotti


TRABALHADOR UNIDO – Todo trabalhador sabe que a prioridade das empresas é repassar lucro aos patrões, mesmo que para conseguir isso decida piorar as condições de trabalho daqueles que recebem pouco e produzem tudo que será vendido para gerar riqueza aos donos da empresa. Exemplo disso é a situação dos trabalhadores da Dexco, rede industrial pertencente ao grupo Itaú e conhecida pelas marcas Deca (louças sanitárias), Hydra (válvulas de descarga), Duratex (chapas de madeira), entre outras marcas.

Durante várias panfletagens e brigadas do jornal A Verdade na porta de uma das fábricas, recebemos relatos dos operários sobre a piora nas condições de trabalho. Nos últimos meses, aumentou a escala de trabalho, que era de 5×2 e passou para a escala espanhola, onde os funcionários trabalham em sábados alternados. Além disso, há relatos de que a empresa planeja aderir totalmente à escala 6×1. Ou seja, enquanto avança o debate nacional pela redução das jornadas de trabalho, essa empresa decide o oposto para explorar ainda mais seus trabalhadores.

Além do aumento na escala de trabalho, há outras queixas dos operários. No último ano o reajuste salarial obrigatório ficou abaixo do que foi pedido pelo sindicato e menor que em anos anteriores. A demanda dos trabalhadores foi de 10% de dissídio, como já aconteceu no passado, mas a empresa concedeu um ínfimo reajuste salarial de 5%. Em relação ao vale alimentação, houve um aumento de apenas R$30 no mês (basicamente R$1 por dia), passando de R$270 para R$300. Também há falta de informações sobre o repasse da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), dificultando o planejamento financeiro dos funcionários. 

A falta de infraestrutura e mínimas condições de trabalho é semelhante a de outras fábricas, com cenários similares aos denunciados nas edições 314 e 330 do jornal. Jornadas de trabalho com muitas horas seguidas em pé sem poder sentar, e em espaços com calor excessivo fazem parte da realidade na Dexco, conforme uma trabalhadora que nos deu o depoimento: “para as máquinas eles arrumam ventiladores, mas nós ficamos o dia todo no calor”.

Outra situação grave que está ameaçando os trabalhadores é a possibilidade de fechamento total da fábrica na região da Água Branca, na capital de São Paulo. Para reduzir os custos e aumentar seus lucros, a empresa está planejando mudar todas as atividades da Água Branca para a unidade de Jundiaí, que fica a 60 quilômetros de distância da capital. Assim, os trabalhadores que tem sua vida estabelecida com moradia, familiares, amigos e escolas dos filhos, serão obrigados a escolher entre deixar tudo para trás ou ficarem desempregados.

Riqueza para os acionistas, exploração para os trabalhadores

Tudo isso mostra como a empresa trata o trabalhador. Enquanto os acionistas receberam no ano de 2025 o enorme repasse de R$1 bilhão distribuídos em ações, os trabalhadores receberam reajustes minúsculos e passaram a trabalhar durante mais dias na semana. O gigante grupo do Itaú, que a Dexco faz parte, ilustra a união do capital entre os grandes bancos e as grandes fábricas, garantindo assim lucros enormes para os donos dessas empresas.

Através dessa união o grupo lucra tanto pelos juros do banco quanto pelos produtos vendidos, conseguindo conquistar o monopólio de diversos setores da economia. Com lucros maiores, tem muito mais poder para derrotar seus concorrentes e para impor piores situações de exploração aos trabalhadores. Essa relação financeira mostra que os acionistas são muito mais valorizados que os próprios trabalhadores que constroem a empresa.

De um lado, os donos do dinheiro com fome de lucro para ficarem cada vez mais ricos. De outro, trabalhadores em condições exaustivas que chegam no final do mês contando cada centavo para cobrir os gastos com moradia, alimentação, transporte, e tudo mais. Além da ameaça de fechamento da fábrica e de perderem seus empregos.

Trabalhadores querem lutar

Nas atividades realizadas na porta de uma das fábricas, os trabalhadores estão se mostrando indignados e muito dispostos a combater essa exploração que vivem diariamente. Já foram dezenas de funcionários que compraram edições do jornal A Verdade, demonstraram apoio às mobilizações que estão sendo feitas e compartilharam relatos de seus setores de trabalho.

Com o avanço do debate pelo fim da escala 6×1, agora temos grandes condições de pressionar a implementação de uma jornada de trabalho 4×3, com limite de 36 horas semanais. O Movimento Luta de Classes (MLC) segue sua mobilização, convidando todos os trabalhadores a se organizarem na luta pela construção de uma sociedade socialista.