Em decisão anunciada nesta quinta-feira (10/09), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou o sigilo da decisão judicial que autorizou a megaoperação da Polícia Federal (PF) para investigar o financiamento do filme Dark Horse.
A medida vem à tona horas depois da deflagração da Operação Make Up, que apura o suposto desvio de dinheiro público para a produção que conta parte da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-2023).
A ação da PF teve como principais alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, indicada como dona da produtora Go Up Entertainment.
Além deles, outras 22 pessoas estão relacionadas às residências e escritórios que foram alvos de 49 mandados de busca e apreensão, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Não há mandados de prisão.
Na decisão, Dino argumentou que “os elementos colhidos apontam risco concreto de alinhamento de versões, combinação de depoimentos, ocultação ou destruição de provas e interferência na colheita dos elementos probatórios ainda pendentes de arrecadação”.
Por essa razão, o ministro do STF também determinou a proibição ao deputado Frias, principal investigado, de sair do país ou de ter contato com os demais envolvidos no caso.
Frias e irmãos Bolsonaro
Vale lembrar que Frias foi secretário de Cultura durante o Governo Bolsonaro e é mencionado pelos responsáveis da produção de Dark Horse como roteirista da obra.
As investigações da PF tentam averiguar se o deputado teria direcionado dinheiro público, na forma recursos das emendas parlamentares, para o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG também presidida por Karina Gama, dona da produtora Go Up.
Karina Gama e Mario Frias estão entre principais alvos de operação da PF sobre filme ‘Dark Horse’
Reprodução / Redes Sociais
Também há suspeitas de que outros parlamentares ligados ao bolsonarismo, como Bia Kicis (PL-DF) e Marcos Pollon (PL-MS), também tenham destinado emendas ao filme.
As polêmicas envolvendo o financiamento de ‘Dark Horse’ vieram à tona em maio deste ano, quando o site The Intercept publicou uma reportagem mostrando áudios de 2025 do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negociando com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, uma verba R$ 134 milhões para a produção do filme
Em reportagens posteriores, o The Intercept mostrou que parte desses recursos teria sido enviada aos Estados Unidos e estaria sendo administrada por um fundo chamado Havengate, controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que foi cassado em dezembro de 2025.
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