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Discurso mais radical já prejudica a popularidade de Zema

A troca de figurino não caiu bem para Romeu Zema (Novo). Pouco mais de um mês após renunciar ao Palácio Tiradentes para concorrer à Presidência da República, o ex-governador mineiro enfrenta uma queda de popularidade em seu reduto eleitoral – o estado de Minas Gerais.

É o que aponta a nova pesquisa Quest, contratada pelo Banco Genial e divulgada nesta terça-feira (28). De acordo com o levantamento, a aprovação ao governo Zema caiu de 62% para 52%. Já a desaprovação saltou de 31% para 41%.

São os piores índices já registrados pelo presidenciável do Novo, que governou Minas de janeiro de 2019 a março deste ano. Num indício ainda mais claro de desgaste, a pesquisa também mostra que, entre os eleitores mineiros, 49% acham que Zema não merece eleger seu sucessor.

O revés coincide com a radicalização do discurso de Zema, que, num aceno ao bolsonarismo, tem disparado críticas mais duras e oportunistas a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Seus alvos preferenciais são os ministros Alexandre de Moraes e, mais recentemente, Gilmar Mendes.

A aposta parecia clara: alinhar-se a um campo mais radicalizado da direita nacional, buscando projeção além das fronteiras de Minas. Mas essa estratégia de confronto nem sempre dialoga com o perfil do eleitorado mineiro, historicamente mais avesso a rupturas bruscas e a conflitos institucionais abertos.

Ao tensionar esse ambiente, o ex-governador pode ter ampliado sua visibilidade nacional – mas à custa da erosão local de apoio, com margem para mais perdas de fôlego. Enquanto o discurso ganha decibéis, a base política que sustentou sua trajetória parece dar sinais de desconforto. A queda na aprovação e a resistência à ideia de um sucessor ligado a Zema sugerem que parte do eleitorado não acompanhou essa guinada.

Embora não signifique, por si só, um colapso de sua influência, a desidratação do presidenciável do Novo impõe limites claros. Em vez de sair do governo como fiador inconteste de uma nova liderança, Zema encerra o ciclo sob questionamentos dentro do próprio estado que governou.

Zema tem indicadores econômicos modestos – alguns pífios – e não ostenta vitrines em temas caros aos eleitores conservadores, como a segurança pública. Mas nada incomodou mais os mineiros do que sua escalada belicosa contra o que ele chama de “intocáveis” do STF. Minas Gerais, celeiro de moderação política e berço de consensos republicanos, parece ter reagido mal à tentativa de Zema se transformar num tribuno inflamado das hostilidades institucionais.

Ao antagonizar membros do Supremo, o ex-governador repetiu jargões do bolsonarismo mais empedernido e flertou com ataques à legitimidade da Corte. A hipótese de que isso lhe renderia crédito entre o eleitorado mais conservador mostrou-se frágil – ao menos dentro das fronteiras de Minas.

A ironia é que Zema construiu sua imagem inicial como alguém avesso ao “barulho” político, um gestor focado em resultados. Ao disputar o noticiário nacional com xingamentos velados e críticas histéricas ao Judiciário, abandonou sua zona de conforto e abraçou o caos do qual dizia querer distância.

O resultado prático é que, agora, 44% do eleitorado mineiro deseja uma mudança completa no modelo de governo que ele representava. Apenas 13% querem a continuidade de seu trabalho. O megafone do arruaceiro institucional fracassou.

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