
Após quase um ano de impasse, o Congresso dos Estados Unidos aprovou, por 427 votos a 1, a abertura total dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, impondo uma forte derrota política ao presidente Donald Trump. O texto, aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado no mesmo dia, determina que todos os documentos sejam divulgados em até 30 dias, o que coloca Trump sob pressão inédita desde o início de seu segundo mandato.
O presidente havia se comprometido na campanha a liberar os documentos, mas passou meses tentando bloquear a tramitação e mudou de posição apenas quando ficou claro que a maior parte dos republicanos — inclusive aliados próximos — estava disposta a votar pela transparência.
A proposta segue agora para sanção presidencial. Trump, diante da derrota interna, afirmou que irá assiná-la.
Mudança brusca de postura expõe isolamento de Trump
A reversão de Trump ocorreu após tentativas fracassadas de barrar o voto, ao lado do presidente da Câmara, Mike Johnson. Ambos vinham classificando o tema como uma “farsa dos democratas” e tentavam impedir o projeto de chegar ao plenário.
A estratégia desmoronou quando deputados republicanos aderiram a uma petição bipartidária que obrigou a votação. A aprovação com 216 votos do próprio Partido Republicano deixou Trump isolado e minou seu argumento de que o tema era uma perseguição partidária.
Até poucos dias atrás, o presidente atacava publicamente os parlamentares de seu partido que defendiam a divulgação: “Fracos e tolos”, escreveu em rede social.
Com a derrota consolidada, Trump mudou o discurso: “Os republicanos deveriam votar para divulgar os arquivos de Epstein, porque não temos nada a esconder.”
Documentos podem revelar relação entre Trump e Epstein
A liberação dos arquivos reacende uma das maiores crises políticas da gestão Trump. Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, mantinha relações com empresários, celebridades e figuras políticas — entre eles, o próprio Trump.
E-mails obtidos pelo Congresso e divulgados parcialmente sugerem que:
- Epstein afirmou que Trump “sabia sobre as meninas”, muitas delas menores de idade.
- Em outra mensagem, o empresário diz que uma vítima teria passado horas com Trump em sua casa.
- Há referências a orientações que Epstein daria à sua assistente Ghislaine Maxwell para lidar com questionamentos sobre a relação com Trump.
A Casa Branca acusa os democratas de vazamentos “seletivos” e nega qualquer irregularidade.
Bipartidarismo e pressão pública forçaram a votação
A aprovação só se tornou possível graças a um movimento raro: uma coalizão bipartidária organizada para contornar o poder de Mike Johnson e obrigar o tema ao plenário.
Pesquisas recentes mostram que a maior parte dos americanos — inclusive republicanos — exige a divulgação total dos arquivos de Epstein.
Conteúdo deve incluir lista completa de contatos, e-mails e investigações
A medida aprovada obriga o Departamento de Justiça a liberar:
- e-mails, registros e comunicações de Epstein;
- anotações e agendas do empresário;
- documentos sobre sua morte em prisão federal;
- nomes citados durante as investigações;
- informações sobre possíveis cúmplices e beneficiários de seu esquema.
Durante a campanha, Trump prometera liberar a chamada “lista de clientes”, mas passou a recuar após pressões internas e receio do impacto político.
O impacto político imediato: risco de desgaste direto para o presidente
A liberação em 30 dias coloca o governo sob risco de:
- desgaste direto, caso novas mensagens reforcem a proximidade entre Trump e Epstein;
- crise institucional, se documentos indicarem falhas na investigação de sua morte;
- abalo dentro do Partido Republicano, já que muitos congressistas romperam a orientação presidencial.
Analistas em Washington avaliam que a abertura total dos arquivos se transformou no primeiro grande teste da governabilidade de Trump no retorno à Casa Branca.
Clima de tensão até a divulgação
O Departamento de Justiça deve iniciar imediatamente o processo de compilação dos documentos. Congressistas democratas já afirmam que novos vazamentos são possíveis antes mesmo do prazo oficial.
A oposição promete acompanhar de perto a divulgação e diz que, com mais de 80% do Congresso votando a favor, não há espaço para retrocessos.
Enquanto isso, Trump tenta minimizar o impacto dizendo que “ninguém se importava com Epstein quando ele estava vivo” — frase que, assim como a mudança de postura, só aumentou o escrutínio público.
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