
A maioria dos norte-americanos desaprova o governo de Donald Trump e mais da metade diz que sua situação financeira piorou desde que ele voltou à Casa Branca.
É o que mostram duas pesquisas divulgadas nesta semana, com resultados devastadores para o líder da extrema direita mundial a menos de três meses das eleições legislativas de novembro,
Levantamento Reuters/Ipsos divulgado nesta segunda-feira (17) aponta que a aprovação de Trump caiu para 33%, menor nível de seu atual mandato.
Já pesquisa da Focaldata para o Financial Times, divulgada no domingo (16), mostra que 53% dos eleitores registrados afirmam estar financeiramente piores desde que o republicano retornou ao poder, em janeiro de 2025.
Na Reuters/Ipsos, 64% dos entrevistados desaprovam o desempenho de Trump na Casa Branca.
A aprovação recuou dois pontos em relação ao levantamento encerrado no início de agosto, quando estava em 35%, e igualou o menor índice registrado também em seu primeiro mandato, em dezembro de 2017.
A guerra contra o Irã aparece entre os principais fatores de desgaste. Oito em cada dez norte-americanos acreditam que o envolvimento dos Estados Unidos no conflito vai se prolongar, percepção compartilhada por 87% dos democratas e 71% dos republicanos. Apenas 16% esperam que a guerra termine em poucas semanas.
Trump havia prometido durante a campanha evitar guerras prolongadas e, no início do conflito, afirmou que os combates contra o Irã durariam poucas semanas.
Com o prolongamento da guerra e as restrições ao comércio de petróleo pelo Estreito de Ormuz, os preços dos combustíveis subiram e passaram a pressionar o orçamento das famílias norte-americanas.
A rejeição à guerra também aparece diretamente na pesquisa: apenas 20% dos entrevistados consideram que o conflito valeu a pena. Mesmo entre os republicanos, somente metade compartilha dessa avaliação.
Na sexta-feira (14), Trump pediu aos norte-americanos que aceitassem pagar “um pouco mais” pela gasolina. Em comício em Garden City, no estado de Nova York, afirmou que o aumento seria um preço justificável para impedir que o Irã desenvolvesse uma arma nuclear.
Economia pesa contra Trump
Além dos 53% que afirmam estar financeiramente piores desde janeiro de 2025, apenas 21% dizem que sua situação melhorou. Outros 26% consideram que ela permaneceu praticamente igual.
A avaliação negativa também predomina entre eleitores independentes, que dizem não ser nem democrata e nem republicano: 57% afirmam estar em situação financeira pior. Entre os republicanos, 23% dão a mesma resposta, enquanto 42% dizem que melhoraram financeiramente desde a volta de Trump à Presidência.
A inflação nos Estados Unidos ficou em 3,4% em julho, acima do nível registrado quando Joe Biden deixou a Casa Branca. Dados divulgados na semana passada também apontaram queda dos salários reais e forte deterioração da confiança dos consumidores, pressionados pelos preços elevados.
Quase dois terços dos eleitores registrados, 64%, consideram que a economia norte-americana está no caminho errado. Apenas 25% avaliam que o país segue na direção correta. Entre os independentes, a avaliação negativa chega a 67%; entre os republicanos, é de 37%.
A inflação e o custo de vida são os pontos de maior rejeição à política econômica de Trump. Segundo o levantamento do FT, 64% desaprovam a atuação do presidente nesses temas, percentual que chega a quase 70% entre os independentes e a cerca de um terço entre os republicanos.
Democratas avançam na economia
O desgaste econômico também atingiu uma área em que os republicanos tradicionalmente têm vantagem sobre os democratas.
A Reuters/Ipsos aponta que 38% dos eleitores consideram os democratas mais preparados para administrar a economia, contra 35% que preferem a abordagem republicana. É a primeira vantagem democrata nesse quesito em cerca de uma década.
A pesquisa do Financial Times registra movimento semelhante. Os democratas aparecem à frente quando os entrevistados são questionados sobre qual partido está mais preparado para lidar com inflação, custo de vida, empregos e economia.
Até mesmo na imigração, uma das principais bandeiras de Trump, a vantagem republicana encolheu. A Reuters/Ipsos mostra 40% de preferência pela política migratória republicana e 38% pela democrata. A diferença de dois pontos é a menor desde o retorno de Trump à Casa Branca; em janeiro de 2025, a vantagem republicana era de 26 pontos.
Os números aumentam a pressão sobre o Partido Republicano antes das eleições legislativas de 3 de novembro. O partido tenta preservar sua estreita maioria na Câmara dos Representantes, enquanto os democratas também disputam o controle do Senado.
No levantamento da Focaldata, 44% dos eleitores registrados dizem que pretendem votar nos democratas nas eleições de novembro, contra 39% que indicam voto nos republicanos.
A Reuters/Ipsos ouviu 1.166 adultos entre 14 e 17 de agosto e tem margem de erro de três pontos percentuais. A pesquisa da Focaldata para o Financial Times entrevistou 1.913 eleitores registrados entre 7 e 10 de agosto, com margem de erro de 2,9 pontos.
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