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Durigan critica atuação de Flávio Bolsonaro nos EUA e cobra respeito à institucionalidade

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou como lamentável a iniciativa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de pedir para participar, em nome próprio e como pré-candidato à Presidência, de uma audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre o tarifaço de 25% proposto contra produtos brasileiros. Até o final da tarde desta sexta-feira (26), não há confirmação pública de que o órgão norte-americano tenha aceitado o pedido de fala do parlamentar brasileiro.

A crítica de Durigan foi feita na quarta-feira (24), durante agenda oficial em Pequim, na China, onde o ministro participa de reuniões para ampliar a emissão de títulos da dívida brasileira em yuans.

Questionado sobre a inscrição de Flávio na audiência marcada para 6 de julho em Washington, Durigan afirmou que o senador passa por cima da institucionalidade brasileira e busca munição de ataque ao Brasil no plano externo.

O ministro declarou que não se pode usar um ator com sede e lucratividade no exterior para ter apoio e financiamento de uma campanha que acontece no Brasil. Durigan reforçou que isso é proibido pela nossa Constituição e o que o pré-candidato hoje de oposição faz é exatamente isso, buscar elementos, financiamentos, fundamentos, munição de ataque ao Brasil no plano externo.

O chefe da equipe econômica do governo federal reforçou que interlocuções com governos estrangeiros em temas comerciais devem ser conduzidas pelo Estado brasileiro, por meio dos canais diplomáticos e institucionais, e não por parlamentares da oposição em busca de capital político de maneira isolada.

O pedido de Flávio Bolsonaro

No dia 22 de junho, último prazo para pedidos de participação, o gabinete de Flávio Bolsonaro protocolou requerimento formal no USTR. No documento, o senador se identifica como membro do Senado Federal da República Federativa do Brasil, figura proeminente na oposição parlamentar e pré-candidato declarado à Presidência da República na eleição de outubro de 2026.

O parlamentar solicita cinco minutos de fala na audiência pública de 6 de julho e anuncia que vai se opor à tarifa de 25% e a qualquer medida dirigida ao sistema público de pagamentos instantâneos do Brasil, em referência direta ao Pix. Segundo o texto enviado ao USTR, Flávio argumentará que as tarifas não obteriam a eliminação das práticas que visam atingir e poderiam produzir o oposto do objetivo declarado. O requerimento foi apresentado individualmente, sem qualquer coordenação ou aval do governo brasileiro, do Itamaraty ou do Ministério da Fazenda.

O tarifaço norte-americano

A audiência faz parte do processo da investigação Section 301 aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em 1º de junho, logo após visita de Flávio Bolsonaro a Trump,  o USTR divulgou determinação oficial concluindo que práticas brasileiras nas áreas de comércio digital e pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais, aplicação de leis anticorrupção, propriedade intelectual, acesso ao etanol e desmatamento ilegal são irrazoáveis e oneram o comércio americano.

Com base nisso, a agência propôs tarifas adicionais de 25% sobre produtos brasileiros, com algumas isenções listadas em anexo. A decisão está alinhada com as pressões dos EUA contra o Brasil que o clã Bolsonaro tem buscado inflamar no alto escalão do governo norte-americano. 

O prazo para comentários escritos vai até 1º de julho; a audiência pública está marcada para 6 de julho, com decisão final prevista para 15 de julho.

De acordo com informações de bastidores em Washington, o nome de Flávio Bolsonaro aparece entre os requerentes na documentação inicial do USTR, mas a lista de quem efetivamente falará na audiência não é atualizada em tempo real. 

Há 85 pedidos de participação até o prazo final e não há, até o momento, confirmação pública de que o senador tenha sido selecionado para depor. O processo do USTR é aberto a qualquer interessado, como empresas, associações, governos estrangeiros ou indivíduos. 

Não há tratamento especial ou resposta do órgão ao pedido de Flávio Bolsonaro, uma vez que ele se inscreveu tão somente como político da oposição em busca de espaço em uma instância estrangeira.

A diplomacia brasileira tem classificado as tarifas como injustas e unilaterais, e o Brasil tem apresentado argumentos técnicos por vias diplomáticas regulares.

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A reação do governo

Para o governo federal, a movimentação de Flávio Bolsonaro ocorre em meio à escalada de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos e representa uma tentativa de contornar a diplomacia brasileira e enfraquecer a posição negociadora do país.

As investidas do parlamentar também geraram uma forte reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que criticou duramente a postura de seu adversário político em agendas públicas. Lula afirmou que “é inadmissível que um cidadão que ocupa uma cadeira no Senado Federal viaje até a capital de outra potência econômica para difamar as instituições brasileiras e tentar sabotar os interesses comerciais do próprio país”, afirmou.

O presidente pontuou que o comportamento do senador o coloca como “traidor da pátria” e demonstra falta de patriotismo e um profundo desrespeito pela soberania nacional. Lula reforçou que o país mantém sua altivez nas negociações internacionais e que os ataques da extrema direita em Washington não vão enfraquecer a defesa técnica e diplomática que o governo vem fazendo dos produtos e da economia brasileira.

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