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É o fim da escala 6×1 no Brasil

O Senado aprovou nesta quarta-feira (14) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 no Brasil. O texto, que já havia passado pela Câmara dos Deputados, recebeu 76 votos favoráveis e apenas 1 contrário no plenário nos dois turnos.

A aprovação representa uma vitória histórica para os mais de 14,8 milhões de brasileiros que trabalham seis dias por semana para descansar apenas um. A medida garante dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos, e reduz a carga máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário.

Agora, o fim da escala 6×1 vai para promulgação do presidente Lula.

Confira como foi a votação dom fim da escala 6×1 com a TVT News.

Principais pontos sobre o fim da escala 6×1

  • Placar da votação: o texto foi aprovado no plenário do Senado com 76 votos favoráveis. A votação ocorreu após ampla mobilização popular e pressão das centrais sindicais.
  • Quando acaba a escala 6×1: a transição começa 60 dias após a publicação da PEC, quando o limite semanal cai para 42 horas. Doze meses depois, o teto de 40 horas é estabelecido definitivamente.
  • Lula comemora a aprovação: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou a aprovação nas redes sociais.
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76 senadores aprovaram o fim da escala 6×1 – Reprodução – TV Senado

Placar da votação no Senado

A PEC que acaba com a escala 6×1 foi aprovada no plenário do Senado nesta quarta-feira (14).

Para ser aprovada, a proposta precisava de pelo menos 49 votos favoráveis dos 81 senadores, em dois turnos de votação. O texto já havia sido aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em setembro, com 23 votos a favor e 4 contrários — todos da direita.

Senador Omar Aziz, relator da PEC do fim da escala 6×1 – Imagem: reprodução TV Senado

A votação no plenário ocorreu após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), confirmar o compromisso de pautar a proposta ainda nesta semana. A pressão popular foI determinante para que a matéria avançasse.

Histórico defensor da redução da jornada de trabalho, Senador Paulo Paim chora na tribuna

A luta pela redução da jornada de trabalho acompanha a trajetória do senador Paulo Paim (PT-RS) há décadas. Ainda durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 1987 e 1988, o então deputado federal defendeu a diminuição do tempo de trabalho semanal, em um debate que resultou na redução do limite constitucional de 48 para 44 horas.

Choro na Tribuna: Paulo Paim defende a redução da jornada de trabalho desde a Constituinte de 1988 – Reprodução TV Senado

Agora, às vésperas de encerrar sua trajetória no Senado, Paim volta a defender a redução para 40 horas semanais, sem corte salarial, e o fim da escala 6×1.

Em 1994, ainda como deputado federal, Paim apresentou um projeto de lei para estabelecer a jornada de 40 horas semanais. No ano seguinte, também participou da apresentação de uma proposta de emenda à Constituição com o mesmo objetivo.

Já no Senado, em 2015, apresentou a PEC 148/2015, que prevê a redução gradual da jornada para 40 horas semanais e, posteriormente, para 36 horas, sem redução salarial. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda análise do Plenário.

Ao defender o fim da escala 6×1, Paim argumenta que a redução do tempo de trabalho deve acompanhar os avanços tecnológicos e garantir mais tempo para descanso, convivência familiar e cuidados com a saúde. Em discurso no Senado em 7 de outubro de 2026, o parlamentar afirmou que o descanso não é luxo, mas uma necessidade, e destacou que a sobrecarga da escala 6×1 afeta especialmente as mulheres.

A trajetória de Paim também reflete uma disputa histórica sobre os direitos trabalhistas no Brasil: quase quatro décadas depois da Constituição de 1988, a redução de 44 para 40 horas semanais continua no centro do debate político. Para o senador, a mudança representa a continuidade de uma reivindicação construída pelo movimento sindical e por trabalhadores do campo e da cidade

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Senadores e deputados aplaudem o Senador Paulo Paim (PT-RS), lutador histórico pela redução da jornada de trabalho, desde a Constituinte – Imagem: reprodução TV Senado

Vídeo mostra quem é quem na votação do fim da escala 6×1

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula desmascara o senador Flávio Bolsonaro que sempre criticou o fim da escala 6×1.

O fim da escala 6×1 é uma luta do povo.

Flávio Bolsonaro passou meses tentando enterrar o projeto.

Veja o filme e conheça a verdade. pic.twitter.com/UXvWLyiiRN

— Lula (@LulaOficial) October 14, 2026

Qual foi a proposta aprovada no Senado

O texto aprovado no Senado mantém integralmente o conteúdo que já havia sido aprovado pela Câmara dos Deputados, sem alterações. A PEC estabelece:

  • Jornada máxima de 40 horas semanais: atualmente o limite é de 44 horas. A redução será gradual, conforme regra de transição.
  • Dois dias de descanso remunerado por semana: sendo um deles preferencialmente aos domingos. Hoje, a legislação garante apenas um dia obrigatório de repouso.
  • Irredutibilidade salarial: fica proibida qualquer redução no salário nominal, proporcional ou nos pisos salariais das categorias.
  • Regra de transição: 60 dias após a publicação da PEC, o limite semanal cai para 42 horas. Após 12 meses, o teto de 40 horas é estabelecido em definitivo.
  • Negociação coletiva: acordos e convenções coletivas poderão ajustar escalas e compensações, desde que respeitados os novos limites.
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Ato pelo fim da escala 6×1 – Foto: Elineudo Meira / CUT

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos
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Fim da escala 6×1 é apoiada pela maioria da população, mas Flávio Bolsonaro é contra – Foto: Elineudo Meira / CUT

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

A rodada de julho da Pesquisa Quaest, mostra que 69% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6×1.

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