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Economia do Vietnã socialista impulsiona fim da pobreza

Em entrevista ao Portal Vermelho, feita durante o 16º Congresso do PCdoB, em Brasília, Bui Van Nghi, embaixador extraordinário e plenipotenciário da República Socialista do Vietnã no Brasil, falou da entrada do país no BRICS, dos avanços sociais e econômicos alcançados nas últimas décadas, com a redução da pobreza, da política externa de cooperação e dos planos estratégicos do Partido Comunista do Vietnã.

Vermelho: O Vietnã tornou-se parceiro do BRICS recentemente. O que isso significa para a política externa do país?
Bui Van Nghi: A inclusão do Vietnã como parceiro do BRICS representa um passo importante em nossa política externa, destacando nosso compromisso com uma ordem mundial pacífica, inclusiva e multipolar. Vemos essa parceria como uma oportunidade de aprofundar a cooperação com economias emergentes e reforçar o apoio à colaboração Sul-Sul. Como país que passou por uma transição de desenvolvimento bem-sucedida mantendo estabilidade política, o Vietnã traz experiência valiosa ao BRICS, gerando novas oportunidades de comércio, investimento e troca de conhecimento, especialmente para países em desenvolvimento. Politicamente, fortalece nosso papel como membro proativo e responsável da comunidade internacional.

Vermelho: O que o BRICS representa para o Vietnã hoje?
Nghi: É um mecanismo importante para estreitar relações entre países emergentes. Mantemos diplomacia com quase todos os países do mundo — cerca de 194 nações — e participamos de diversos fóruns internacionais. Buscamos parcerias multilaterais, fortalecendo o diálogo político e econômico entre membros, sempre respeitando soberania, independência e não interferência mútua.

Vermelho: E em relação a conflitos internacionais atuais, como os na Ucrânia e na Palestina?
Nghi: O Vietnã defende a resolução pacífica de disputas pelo diálogo e pelo direito internacional. Estamos preocupados com os conflitos na Ucrânia e na Palestina e conclamamos todas as partes a cessar hostilidades, proteger civis e buscar soluções negociadas. Valorizamos o papel da ONU e de conferências internacionais e mantemos uma postura de compreensão e empatia, esperando que as diferenças sejam resolvidas sem gerar novos problemas.

Vermelho: E quanto à guerra comercial liderada pelos Estados Unidos?
Nghi: Acreditamos que o comércio livre e justo é essencial. O Vietnã participa de organizações econômicas internacionais e valoriza a cooperação no comércio e na economia. Devemos respeitar princípios globais, usando os mercados como fonte de desenvolvimento, e não de desigualdade.

Vermelho: Desde o fim da Guerra no Vietnã, quais foram os avanços mais significativos do país?
Nghi: O marco transformador foi a política Đổi Mới (Renovação), lançada em 1986, que direcionou a economia para um modelo de mercado com orientação socialista. Isso levou a crescimento econômico constante, redução da pobreza e maior integração internacional. Hoje, somos uma das economias mais dinâmicas do Sudeste Asiático, com relações diplomáticas quase universais e participação ativa em organizações como ONU, OMC, Asean e Apec. 

Vermelho: O Vietnã é considerado um exemplo na redução da pobreza. Em 1992, cerca de 31,5 milhões de vietnamitas estavam na pobreza. Em 2020, eram apenas 600 mil. Qual foi a receita para enfrentar esse problema? Como isso foi possível?
Nghi: O sucesso do Vietnã na redução da pobreza decorre de uma estratégia de desenvolvimento abrangente e centrada nas pessoas. Isso inclui reformas agrárias, investimentos em infraestrutura rural, educação, saúde e programas sociais direcionados. A expansão do setor privado, aliada à industrialização voltada para a exportação, também criou empregos e elevou a renda. Essa conquista não teria sido possível sem a visão estratégica e a liderança do Partido Comunista do Vietnã. O Partido colocou a justiça social, o crescimento inclusivo e a unidade nacional no centro de suas políticas de desenvolvimento. O planejamento de longo prazo e o compromisso consistente com a reforma garantiram que o crescimento econômico se traduzisse em benefícios reais para a maioria da população.

Vermelho: Como o país gerenciou a transformação da força de trabalho e a urbanização?
Nghi: A transformação estrutural da força de trabalho vietnamita foi cuidadosamente administrada por meio de uma combinação de políticas voltadas à industrialização, educação, planejamento urbano e desenvolvimento rural. O governo investiu pesadamente em treinamento profissional e ensino superior para preparar a força de trabalho para novos setores. Ao mesmo tempo, o Vietnã desenvolveu inúmeros parques industriais e zonas econômicas especiais para atrair investimentos e criar empregos. A infraestrutura urbana foi modernizada para absorver os migrantes rurais, mantendo os serviços públicos. Além disso, a própria agricultura foi modernizada para se tornar mais eficiente, permitindo maior produtividade com menos trabalhadores.

Essa abordagem equilibrada e voltada para o futuro ajudou o Vietnã a evitar grandes choques econômicos, ao mesmo tempo em que permitiu que milhões de pessoas melhorassem suas condições de vida.

Vermelho: Como o Partido Comunista do Vietnã vê o momento atual, considerando a perda do dinamismo do capitalismo no Ocidente e a ascensão dos países socialistas no Oriente?
Nghi: Vivemos em um mundo interdependente e globalizado. Nenhum país é totalmente independente; precisamos cooperar e nos comprometer uns com os outros. O Vietnã se adapta às mudanças globais, usando o mercado como fonte de recursos e investindo no desenvolvimento humano. O Partido Comunista realiza planejamento de longo prazo, revisando experiências passadas e definindo resoluções quinquenais e estratégicas para 10 a 15 anos, garantindo que as políticas beneficiem toda a população.

Vermelho: Como a população participa do planejamento estratégico do Partido?
Nghi: A cada cinco anos, o Partido realiza um congresso para revisar programas anteriores e definir novas resoluções. Todos os níveis da sociedade, desde organizações de base até sindicatos e associações de massa, são convidados a contribuir. Há um processo de consulta amplo, garantindo unidade e coesão no desenvolvimento do país. Em breve, teremos o esboço da resolução do próximo congresso, que será debatido em todas as bases antes da aprovação final.

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