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Eleição na Colômbia testa continuidade do ciclo iniciado por Petro 

A eleição presidencial da Colômbia, com o primeiro turno marcado para o próximo domingo (31), se transformou em um teste decisivo para o projeto político inaugurado por Gustavo Petro em 2022, quando a esquerda chegou pela primeira vez ao poder no país andino. 

A disputa também é vista como estratégica no tabuleiro geopolítico regional, em meio à pressão dos Estados Unidos para conter governos latino-americanos que rejeitam a ingerência imperialista da Casa Branca.

O principal nome governista é o senador Iván Cepeda, do Pacto Histórico, que lidera as pesquisas e tenta consolidar a continuidade do ciclo progressista em meio à reorganização da direita uribista e ao avanço de candidaturas da extrema direita.

As últimas sondagens divulgadas na reta final da campanha colocam Cepeda com cerca de 44% das intenções de voto, próximo de uma vitória em primeiro turno, cenário que ainda depende de alcançar 50% mais um dos votos válidos. 

A disputa ocorre em um ambiente marcado pela polarização, pela forte presença do ex-presidente Álvaro Uribe, líder da extrema direita colombiana, no debate político.

Iván Cepeda representa a continuidade do projeto de Petro

Iván Cepeda aparece como o principal favorito da eleição. Histórico defensor dos direitos humanos e crítico do uribismo, o senador construiu sua campanha em torno da continuidade das reformas iniciadas por Gustavo Petro.

O eixo central da candidatura governista é a defesa dos programas sociais, da reforma agrária, da ampliação de direitos trabalhistas e da redução da pobreza. O discurso de campanha tenta associar diretamente os avanços econômicos recentes ao projeto do Pacto Histórico.

Dados do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE), constantemente citados pela campanha, mostram queda expressiva dos índices de pobreza nos últimos anos. 

Segundo os números oficiais apresentados durante a campanha, a proporção de colombianos que se declaravam pobres caiu de 50,6% em 2022 para 37,6% em 2025, enquanto a pobreza multidimensional atingiu mínima histórica.

A candidatura de Cepeda também tenta ampliar sua base para além da esquerda tradicional. 

O senador passou a defender uma “Aliança pela Vida”, reunindo setores progressistas, liberais e reformistas. Sua vice é Aída Quilcué, liderança indígena que simboliza a tentativa de aproximação com movimentos sociais, povos originários e setores historicamente excluídos da política colombiana.

Outro fator importante para o crescimento da candidatura governista foi a unificação parcial do campo progressista. 

O ex-governador Carlos Caicedo retirou sua candidatura e declarou apoio a Cepeda, movimento semelhante ao realizado anteriormente por Clara López e Luis Gilberto Murillo.

Direita chega dividida e extrema direita cresce

A oposição ao governo Petro chega fragmentada à eleição. O principal nome do campo conservador tradicional é Paloma Valencia, representante do partido uribista Centro Democrático.

Valencia tenta recuperar o eleitorado historicamente ligado a Álvaro Uribe, mas enfrenta dificuldades para reunificar a direita. 

Parte do eleitorado conservador migrou para a candidatura de Abelardo de la Espriella, advogado ultradireitista que adotou discurso mais radicalizado, alinhado a pautas de segurança, retórica anti-Pacto Histórico e confronto ideológico contra a esquerda.

A divisão entre Valencia e De la Espriella reduziu a capacidade do campo conservador de construir uma candidatura única competitiva contra o Pacto Histórico. Analistas colombianos apontam que esse cenário favoreceu Cepeda ao impedir a consolidação de uma frente unificada anti-Petro.

Ainda assim, a extrema direita mantém forte influência em regiões historicamente conservadoras, especialmente em Antioquia, reduto político de Uribe. 

A campanha governista denuncia aumento de ameaças, ataques políticos e episódios de violência contra militantes do Pacto Histórico nessas áreas.

Debate eleitoral reflete transformação política da Colômbia

A disputa de 2026 também evidencia mudanças mais profundas na sociedade colombiana. 

Durante décadas, a política nacional foi dominada por partidos conservadores, liberais tradicionais e forças ligadas ao uribismo, em um contexto fortemente marcado pelo conflito armado interno e pela centralidade do discurso de segurança.

A vitória de Petro em 2022 abriu uma ruptura histórica nesse padrão. O atual ciclo eleitoral indicaria que parte relevante do eleitorado passou a avaliar mais diretamente temas ligados a desigualdade social, emprego, custo de vida e políticas públicas.

Analistas próximos ao governo argumentam que houve uma espécie de “mudança de percepção coletiva”, impulsionada tanto pelos programas sociais quanto pela ampliação do debate político nas redes sociais e nos meios alternativos de comunicação.

Ao mesmo tempo, setores conservadores seguem mobilizados contra Petro, acusando o governo de aprofundar polarizações e de aproximar o país de modelos políticos rejeitados pela direita latino-americana.

Segurança e risco de desinformação dominam reta final

A tensão política levou o governo colombiano a ativar o chamado “Plano Democracia”, mobilizando cerca de 228 mil militares e policiais para garantir a segurança da eleição.

As autoridades afirmam que os principais riscos envolvem possíveis ataques contra candidatos, violência eleitoral e campanhas de desinformação nas redes sociais. O ministério da Defesa colombiano classificou a manipulação digital e as notícias falsas como uma das principais ameaças ao processo eleitoral.

Mais de 40 milhões de colombianos estão aptos a votar. Caso nenhum candidato alcance maioria absoluta no primeiro turno, a disputa será decidida em segundo turno marcado para 21 de junho.

Independentemente do resultado, a eleição já é considerada uma das mais importantes da história recente da Colômbia por medir se o primeiro ciclo de governo de esquerda do país conseguirá se consolidar politicamente ou se haverá retorno das forças conservadoras ao poder.

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