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Eleições e América Latina: organização popular e solidariedade internacional são os desafios da conjuntura

Nesta quinta-feira, 23 de abril, a Jornada Internacional da Fundação Perseu, realizada no âmbito da programação do 8º Congresso do PT, reuniu representantes do Brasil, Cuba, Colômbia e México para debater eleições e soberania na América Latina. No público, além da militância petista, delegações internacionais que vieram assistir aos debates.

Com mediação de Monica Valente, representando a Fundação Perseu Abramo e o Foro de São Paulo, o debate ofereceu as propostas dos países irmãos para a conjuntura atual. “Esta programação é a contribuição da FPA ao debate político que irá ocorrer no Congresso do PT, a partir de temas que preocupam a nossa base, que quer debater e aprofundar”, disse Monica.

Para ela, o momento que vivem os países do nosso continente, é preocupante, desafiador e complexo. “Em nossos países acompanhamos com preocupação o que está acontecendo e buscamos alternativas para defesa da democracia, da justiça e inclusão social”.

O debate teve a participação do secretário de Relações Internacionais do PT, senador Humberto Costa (PT-PE), que também é representante brasileiro no Mercosul, Héctor Días Polanco, do Morena (México), Victor Manoel Cairo Palomo, embaixador de Cuba, e Pietro Alarcon, do Pacto Histórico (coalisão de partidos e movimentos) da Colômbia.

Humberto Costa elencou as várias situações de conflito no planeta a partir da ação imperialista de Donald Trump e como podemos enfrentar esses desafios em duas eleições muito importantes para a região: Brasil e Colômbia.

“As eleições na América Latina têm como característica a influência do governo Trump e como se dará essa interferência agora, no Brasil e Colômbia. De que maneira essa interferência pode se manifestar, qual efeito e como podemos enfrenta-la? As várias formas de interferência do governo Trump, e uma delas é o apoio político a determinados candidatos tentando beneficiar seus escolhidos, a exemplo do que aconteceu na Hungria quando tivemos a participação dos Estados Unidos até em comícios. No atual momento avalio que no caso do Brasil e Colômbia o endosso de Trump seja mais negativo do que positivo nestes países”, avaliou o senador petista.

E também acredita que é preciso união dos países para temas urgentes, como a regulação das plataformas e redes sociais. “A polarização e a violência política, à medida que nos aproximamos da eleição, é resultado da interferência externa na influência pelo voto das pessoas. O mundo está de olho no que está acontecendo no Brasil e na Colômbia”. Para o senador, é preciso construir um caminho que reforce as forças progressistas no campo internacional.

Victor Manoel Cairo Palomo, embaixador de Cuba, relembrou os muitos anos de embargo dos Estados Unidos contra seu país. “A interferência é direta e certeira nos processos eleitorais em nossos países. A Revolução Cubana defende a soberania dos países do mundo e essa postura é histórica como parte de nossa luta contra a extrema direita. Estamos lutando contra algo que não é novo, a diferença hoje é que todos os países sentem o mesmo que Cuba enfrenta há mais de 60 anos. As ditaduras militares de nosso continente foram apoiadas pelos Estados Unidos. A interferência deles na nossa história não é nova e Trump não é um maluco, ele pretende dominar nossos territórios. Estamos lutando contra o imperialismo ianque em sua versão mais agressiva”.

O embaixador também falou sobre as mentiras e o uso do medo por Donald Trump como método para controlar e ocupar territórios soberanos. “É um grande perigo as tentativas dos Estados Unidos de usar o medo ou mentiras como instrumento de coerção política. Trump todos os dias se levanta e fala uma mentira e a mídia reproduz os mesmos códigos de Trump, que realiza um ‘reality show’ cotidiano”.

Para Palomo, “a única forma de deter Trump é o povo dos Estados Unidos e do mundo todo frearem seu presidente. A institucionalidade estadunidense pode parar a extrema direita, mas precisa de apoio do mundo. As pessoas éticas tentam parar Trump. Os movimentos, os deputados e senadores, e partidos devem organizar essa ação dentro dos Estados Unidos”.

Pietro Alarcon, do Pacto Histórico (coalisão de partidos e movimentos) da Colômbia contou sobre a realidade colombiana. O país realiza suas eleições no dia 31 de maio. “Somos um sujeito político que disputa com a extrema direita na Colômbia. Somos contra as guerras, o compromisso do Pacto Histórico na atual conjuntura é pensar o significado das eleições, tanto da Colômbia como no Brasil, mas também o que representa a solidariedade e o internacionalismo para o futuro da América Latina e Caribe”.

Alarcon avalia que estas eleições ocorrerão em uma conjuntura de profunda crise estrutural no planeta. “O capitalismo estar em crise não é só um slogan. Há sim uma crise estrutural que busca reconfigurar geopoliticamente o mundo”, disse. Ele defende a necessidade de novos atores internacionais, como os Brics, e a luta pela paz diante de graves conflitos internacionais. “As classes dominantes e a mídia tradicional têm tentando ocultar de várias maneiras as lutas que praticamos em nome da paz, contra o genocídio em Gaza, contra os ataques dos Estados Unidos à soberania de países. Vencer em 31 de maio é fundamental para aprofundar as mudanças na Colômbia”.

Os debates desta quinta-feira apontam para a necessidade de projeto alternativo e democrático para a região, construindo uma política internacional democrática e aliança entre o político e social, para assim avançar na configuração de sociedades justas, igualitárias, diversas e em paz.