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Eleitorado de Lula é mais feminino, de menor renda e menos evangélico

Pesquisa BTG Pactual/Nexus, divulgada nesta semana, traz detalhes relevantes sobre como pensam os eleitores hoje quando o assunto é a disputa eleitoral para presidente da República em outubro. Dentre eles, o maior potencial de transferência de votos dos candidatos de primeiro turno para os de segundo e o perfil sócio-econômico, etário e religioso desse público.

Uma das situações simuladas pelo levantamento foi o segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus quatro principais possíveis oponentes — Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) — mesmo considerando que na prática, atualmente apenas o primeiro tem reais chances de ir ao segundo turno.

No principal cenário, Lula tem 49% — crescimento de dois pontos percentuais na comparação com o que foi verificado em maio pela mesma pesquisa — contra 43% de Flávio, que se manteve inalterado.

Saiba mais sobre a pesquisa: Lula amplia distância para Flávio Bolsonaro, aponta pesquisa

O percentual de Lula fica em 49% frente a todos os demais adversários, com exceção de Caiado, quando vai a 48%. Ao testar o nome de Zema como segundo colocado, o mineiro tem 39%, mesmo percentual atingido por Caiado frente a Lula.

Na hipotética disputa entre Lula e Renan Santos, o placar é de 49% a 36%. Nesse conjunto de cenários, os brancos e nulos variaram entre 8% (com Flávio) a 13% (no caso de Renan ser o segundo nome).

Divisão política

A pesquisa também procurou aferir as preferências dos eleitores conforme a divisão política atual, com Lula representado a esquerda, Flávio a extrema direita e outros orbitando entre a direita e a centro-direita.

Considerando o segundo turno mais plausível — entre o presidente e o senador —, no universo dos que se dizem lulistas convictos, a preferência pelo presidente saiu de 87% em maio para 88% agora. Curioso reparar que neste público, 11% consideram votar em Flávio. Dentre os que têm Lula como alternativa, ele passou de 72% para 76%.

No caso dos bolsonaristas convictos, a preferência por Flávio passou de 75% para 79%. Também neste caso, há eleitores que preferem Lula: eles somam 20% agora e eram 23% no mês passado.

Quanto aos que dizem ter Bolsonaro como alternativa, o patamar passou de 63% para 67% entre as duas pesquisas para Flávio e de 28% para 20% para Lula. Os brancos e nulos vão a 11%, percentual mais alto deste cruzamento sobre a chamada polarização (nos demais acima, ficou em 1%).

Entre os que dizem não estar divididos entre lulistas ou bolsonaristas, Lula tem 43% da preferência, ante 41% no mês passado, enquanto Flávio caiu de 40% para 37%. Nesse cenário, o índice de brancos/nulos/nenhum vai a 18%.

Já entre os que dizem anti-Lula e anti-Bolsonaro, Flávio se manteve em 48%, enquanto Lula cresceu 8 pp, passando de 21% para 29%. Tal dado mostra o grau de anti-petismo de parte dos eleitores e a tendência desse campo a apoiar a extrema direita.

Ao mesmo tempo, indica que os tais “anti-Bolsonaro” podem nem sempre ser tão “anti” assim, preferindo confiar seu voto num dos principais nomes do clã mesmo dizendo se opor a ele. Entre esses eleitores, é alto o índice de brancos/nulos/nenhum, que saiu de 29% para 24%.

Migração

Ao testar possível migração de votos do primeiro para o segundo turno, considerando o cenário Lula x Flávio, a pesquisa aponta para o mais lógico: aqueles que votam em candidatos da direita tendem a optar pelo senador.

Iniciando por Lula, o maior percentual de transferência observada foi entre os 2% que escolhem Augusto Cury (Avante) no primeiro turno: 58% deles migrariam para Lula, ante outros 24% que iriam para Flávio e 18% que optam por nenhum/branco/nulo.

O segundo maior é, ironicamente, entre os 1% de eleitores de Aécio Neves (PSDB), um dos principais opositores do PT especialmente no período que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff. Conforme a pesquisa, 43% de seus eleitores em primeiro turno votariam em Lula no segundo; 23% ficariam com Flávio e 32% anulariam/votariam branco ou em nenhum.

No caso de Flávio Bolsonaro, Zema é o que lhe garante maior transferência de voto, com 64%; 25% dizem que no segundo turno votariam em Lula, enquanto 11% ficariam com nulo/branco/não votariam. Na segunda posição, está Caiado, com 61% de seus votos indo para Flávio e 22% para Lula.

Perfil do eleitorado

De acordo com a pesquisa, no cenário mais plausível de segundo turno estimulado — em que Lula tem 49% e Flávio 43% — 55% das pessoas que escolhem o presidente são mulheres. Dos que dizem preferir Flávio, 49% são homens.

Nesse mesmo cenário, levando em conta o recorte por faixa etária, dentre os eleitores de Lula, 56% têm 60 anos ou mais — os que apostam em Flávio nesse segmento representam 39%.

Na faixa de 41 a 59 anos, são 50% os que dizem votar em Lula no segundo turno (43% no caso de Flávio). A faixa etária com maior concentração entre os eleitores do senador é a de 25 a 40 anos, com 48% (percentual que é de 44% no caso dos de Lula).

No universo de 49% de Lula e de 43% de Flávio, os católicos são 53% dos que vão com o presidente e 40% dos que optam pelo senador. Já os evangélicos são 34% dos que escolhem Lula e 59% dos que preferem Flávio. Seguindo a mesma lógica, os de outras religiões respondem por, respectivamente, 53% e 36%, enquanto os sem religião são 60% e 26%.

Considerando o recorte por renda nessa simulação de segundo turno, os que ganham até um salário mínimo (SM) formam 59% dos que votam em Lula e 34% dos que vão com Flávio. Essa preferência também é vista entre os que ganham de um a dois SMs: eles representam 57% dos que preferem o presidente, contra 37% dos que escolhem o senador.

Os recortes de maior renda são os mais presentes entre os 43% dos eleitores de Flávio. Os que ganham de dois a cinco SM formam 46% desse grupo (ante 43% dos que preferem Lula), enquanto os que ganham mais de cinco SM formam 51% desses eleitores de Flávio (e 41% de Lula).

A pesquisa BTG Pactual/Nexus foi feita entre os dias 12 e 14 de junho com 2.017 pessoas; o nível de confiança é de 95%. 

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