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Em ação na Vila dos Papeleiros, gestão Melo recolhe material de trabalho de catadores

Catadores e recicladores que atuam no Loteamento Santa Terezinha, também conhecido como Vila dos Papeleiros, tiveram os resíduos sólidos e os carrinhos que usam para trabalhar recolhidos na manhã desta segunda-feira (14). Imagens mostram veículos do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU) recolhendo o material com retroescavadeiras enquanto o catador Ismael Luiz da Silva narra a situação: “Jogaram como se fosse nada. E a gente está de mão atada, não podemos fazer nada”.

O DMLU disse ao Sul21 que recolheu “materiais inservíveis e estruturas abandonadas em via pública, como carrinhos sem rodas”. O Departamento afirmou ainda que, “devido à presença de pessoas em situação de vulnerabilidade, o serviço é prestado com sensibilidade, sem a retirada de pertences ou materiais recicláveis dos catadores”.

A ação ocorreu em apoio a uma operação integrada que iniciou na sexta-feira (11) e vai continuar por 90 dias. Desde o início da operação, já foram removidas 115 toneladas de resíduos. Os materiais recolhidos estão sendo encaminhados ao aterro sanitário e às unidades de triagem, conforme o tipo de resíduo.

Na mesma operação integrada, a Secretaria Municipal de Segurança (SMSEG) coordena o apoio aos órgãos de segurança estaduais que prenderam 12 suspeitos de furto de cabos, também na sexta-feira. Conforme a Prefeitura, trata-se de uma operação “com foco em fiscalização, ordenamento territorial, assistência social e segurança pública, buscando qualificar a zeladoria da região”.

“Eu sei que tem prédios irregulares aqui que eles vão desmanchar, não deixaram mais os ferro-velhos trabalhar por causa de meia-dúzia que eles generalizam como ladrão”, diz Ismael, no vídeo. “A gente não é ladrão, a gente é trabalhador. Nosso trabalho está sendo ignorado pelos órgãos públicos”.

A ação ocorre após as consultas públicas para a Parceria Público-Privada (PPP) na gestão de resíduos sólidos da Capital por 35 anos. No último dia 1º de julho, em uma atividade promovida pela Secretaria de Parcerias, a proposta de PPP foi apresentada ao setor do comércio.

Para Marcelo Kunrath, professor do Departamento de Sociologia da UFRGS e coordenador do Grupo de Pesquisa Associativismo, Contestação e Engajamento, a ação desta segunda-feira faz parte da política de exclusão dos catadores da cidade: criminaliza os catadores autônomos e estrangula economicamente as cooperativas e associações. “E a PPP coloca que, onde não houver catadores para trabalhar na reciclagem, a empresa pode assumir e comercializar os materiais recicláveis. Parece que é uma forma de atacar aquele setor que tem confrontado a PPP e, ao mesmo tempo, abrir o setor da reciclagem para a empresa, aumentando a rentabilidade da concessão”, afirma. “Há uma tentativa de criminalização dos catadores, com a associação direta da categoria aos roubos de fios na cidade”, acrescenta.

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