
O secretário de Estado dos Estados Unidos Marco Rubio afirmou nesta quarta-feira (28) que o governo Trump “está preparado para usar a força” contra a Venezuela caso a presidenta interina Delcy Rodríguez não “coopere” com as exigências de Washington.
Rubio confirmou que a administração norte-americana passou a impor mecanismos inéditos de tutela financeira sobre a Venezuela, incluindo o controle da venda do petróleo e da execução orçamentária, mas admitiu que o chavismo segue controlando as forças armadas do país.
Durante a audiência no Comitê de Relações Exteriores do Senado, Marco Rubio evitou descartar a possibilidade de novas ações militares contra a Venezuela, ainda que tenha afirmado não haver planos imediatos nesse sentido.
“Não se enganem, como o presidente já declarou, estamos preparados para usar a força para garantir o máximo de cooperação, caso outros métodos falhem”, disse. “Posso dizer com total certeza que não estamos posicionados, nem pretendemos ou esperamos ter de tomar qualquer ação militar na Venezuela neste momento”, completou em outro momento.
As declarações provocaram reações de senadores tanto do Partido Democrata quanto do Partido Republicano, que questionaram a legalidade da operação militar realizada no início do mês e a ausência de consulta prévia ao Congresso, como determina a legislação norte-americana.
O republicano Rand Paul comparou a ação à hipótese de um país estrangeiro bombardear os Estados Unidos, capturar o presidente e impor um bloqueio, para então perguntar se a Casa Branca consideraria isso um ato de guerra.
Já o democrata Chris Coons afirmou que, se houve tempo para planejar e executar a operação, também deveria ter havido tempo para informar e consultar o Legislativo. Rubio respondeu de forma evasiva, alegando que, até o fim de dezembro, não havia certeza sobre a viabilidade da ação, argumento que não dissipou as críticas.
O tom do debate evidencia que, mesmo dentro do sistema institucional norte-americano, a ofensiva contra a Venezuela enfrenta questionamentos quanto à sua base legal e aos limites do poder do Executivo em operações militares no exterior.
Ao detalhar a política dos Estados Unidos para a Venezuela, Rubio confirmou que Washington passou a controlar diretamente a venda do petróleo venezuelano e a destinação dos recursos obtidos.
Segundo o secretário, as receitas estão sendo depositadas em uma conta inicialmente administrada por terceiros e só serão liberadas mediante a apresentação de um orçamento mensal submetido à aprovação do governo norte-americano.
“Os recursos serão inicialmente mantidos em uma conta offshore administrada por um terceiro, antes de eventual transferência para uma conta do Tesouro dos Estados Unidos”, explicou o secretário.
Rubio afirmou que o mecanismo é temporário e necessário para garantir o funcionamento do Estado venezuelano, incluindo o pagamento de policiais e serviços básicos.
Senadores democratas, no entanto, classificaram o arranjo como inédito, improvisado e possivelmente ilegal, questionando a transparência do processo e o fato de o governo dos Estados Unidos decidir, na prática, como e para quais fins os recursos de outro país serão utilizados.
O próprio secretário reconheceu o caráter excepcional da medida, descrevendo-a como uma solução “de curto prazo”, diante do que chamou de estrangulamento fiscal da Venezuela.
As críticas se concentraram também na decisão de blindar os recursos de credores internacionais, o que, segundo parlamentares, pode violar obrigações legais dos Estados Unidos.
Rubio admitiu, no entanto, que a estrutura de poder interno da Venezuela permanece intacta. Ao ser questionado sobre a possibilidade de a oposição assumir o governo, afirmou que “as pessoas que controlam as armas estão nas mãos deste regime”, em referência ao controle das Forças Armadas pelo chavismo.
O secretário reconheceu ainda que ações militares não favorecem a recuperação econômica nem uma transição política estável, e evitou estabelecer qualquer cronograma concreto para mudanças institucionais no país.
“Não é uma refeição congelada que se coloca no micro-ondas”, disse, ao justificar a indefinição.
Soberania, alianças e resposta venezuelana
Em contraste com as exigências de Washington, a presidenta interina Delcy Rodríguez tem reiterado publicamente a rejeição a ordens externas e a defesa da soberania venezuelana.
Em discurso recente, afirmou estar “farta” das imposições dos Estados Unidos e defendeu que os conflitos internos do país sejam resolvidos pela política venezuelana.
Relatórios citados por agências internacionais indicam que Washington desconfia da disposição de Caracas em romper relações com aliados históricos como China, Rússia e Irã, um dos objetivos declarados da estratégia norte-americana.
Analistas apontam que um novo ataque militar poderia ampliar a rejeição popular à intervenção externa e gerar instabilidade adicional, inclusive fora da base chavista.
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